|
Morreu
o Professor Rosado Fernandes Entristece-nos
sempre a partida de um Amigo, mesmo que, devido a estar internado há já algum
tempo, o seu falecimento pudesse ser esperado. O Professor Rosado Fernandes
deixou-nos ontem, domingo, aos 83 anos. O corpo está na Basílica
da Estrela, aí se realizando missa de corpo presente pelas 14,30 horas. O
funeral sairá pelas 16 horas, para o cemitério do Alto de São João. Raul Miguel
Rosado Fernandes nascera em Lisboa, a 11 de Julho de 1934. Licenciou-se em
Filologia Clássica na Faculdade de Letras de Lisboa, com a tese Anfitrião: evolução e concepções de um mito na
expressão literária, e aí se doutorou, em 1962, com a tese O Tema das Graças na Poesia Clássica.
Catedrático desde 1974, viria a ser reitor da sua Universidade de Lisboa entre
1979 e 1982. Pelo CDS-PP, foi deputado ao Parlamento Europeu (1995-1999) e na Assembleia
da República (1999-2001). Fundou a Confederação dos Agricultores Portugueses
(CAP), numa altura em que era preciso os agricultores terem uma intervenção
mais activa na comunidade portuguesa, responsabilidade que não enjeitou, tendo
feito ouvir a sua voz, nem sempre cómoda para as políticas vigentes. Salientou o
Presidente da República, na nota que publicou na página oficial da Presidência,
que «o Professor Rosado Fernandes sempre foi um lutador corajoso e independente
no associativismo agrícola, como deputado na Assembleia da República e no
Parlamento Europeu, assim como na Universidade ou como produtor agrícola no
Alentejo». Como amigo
pessoal do professor – irmanaram-nos, de modo especial, os estudos sobre
André de Resende, humanista acerca do qual tivemos oportunidade de oficialmente
trocar opiniões por ocasião das minhas provas de agregação a 26 de Junho de
1990 – não posso deixar de sublinhar quanto prestigiou os estudos
clássicos em Portugal, com grande repercussão no estrangeiro. A sua As Antiguidades da Lusitânia, de André de
Resende (Introdução, tradu Membro da
Academia das Ciências de Lisboa, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do
Infante D. Henrique, a 9 de Junho de 1997, e com a Grã-Cruz da Ordem Civil do
Mérito Agrícola, Industrial e Comercial Classe Agrícola, a 4 de Maio de 2001. Na hora em
que fisicamente nos despedimos do grande lutador, não virá a despropósito
transcrever o que poderá considerar-se uma das suas mensagens mais
oportunamente presentes, que deixou patente na contracapa do vol. I de Em Busca das Raízes do Ocidente, justamente
a propósito de então se ter publicado mais uma tradução da Odisseia de Homero: «É admirável
esse esforço, numa altura em que os poderes constituídos desprezam
constantemente as culturas em que assenta a nossa civilização ocidental e que a
serem conhecidas muito contribuiriam para fomentar o saber das classes
dirigentes. Também chamariam a atenção, por mais paradoxal que seja, para a
urgência de se fomentar o ensino tecnológico eficaz e não teórico, que com elas
convivesse. Esperemos dias melhores e com menos ignorância. Neste momento,
porém, uma coisa é certa: mesmo sem ler os clássicos, os políticos do nosso
tempo, sem excepção, continuando uma prática que vem desde os arcontes gregos e
os imperadores romanos até Hitler, Mussolini e dirigentes democráticos, prosseguem
na convicção de que o povo só precisa de Olimpíadas e de pão e Jogos de Circo.
Pelos vistos têm razão. É pena». José d’Encarnação |
| Mensagem anterior por data: [Museum] Museu de Lamego APONTAMENTOS | maio 2018 | Próxima mensagem por data: [Museum] CALL FOR PAPERS - até 30 de Junho ! |
| Mensagem anterior por assunto: [Museum] Monumentos e "entusiamos" | Próxima mensagem por assunto: [Museum] Mosaico romano descoberto em Cantillana |