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[Museum] Festival Terras sem Sombra em Elvas

To :   "museum" <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Festival Terras sem Sombra em Elvas
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Tue, 15 May 2018 00:36:40 +0100

Nota à Imprensa

14.05.2018

Festival Terras sem Sombra em Elvas

Música da época barroca para clarins na antiga Sé,

entre a redescoberta do Forte da Graça e a agricultura de conservação

 

 

O Festival Terras sem Sombra sai da sua geografia tradicional para trazer ao magnífico enquadramento da Sé de Elvas, no dia 19, sábado, às 21h30, um concerto muito adequado à história militar desta praça-forte, tendo por fio condutor o repertório para trombetas históricas. Fá-lo pela mão de um dos principais agrupamentos de música antiga de Espanha, Clarines de Batalla, cujo epicentro é Jaén, no coração da Andaluzia, onde afluem notáveis intérpretes de Madrid, Sevilha e outras capitais.

Elvas é, de facto, o cenário ideal para escutar, pela primeira vez em Portugal, um surpreendente conjunto de peças dos finais do séc. XVII e dos princípios do séc. XVIII, escritas tanto para as trombetas naturais como para as trombetas de órgãos e acompanhadas por percussões históricas. Foram recolhidas por um célebre compositor e organista nascido em Reus (Catalunha), Fr. Antonio Martín y Coll, religioso do convento de São Francisco, o Grande, de Madrid.

A sua obra manuscrita, intitulada Jardim Ameno de Várias Flores da Música, que se guarda na Biblioteca Nacional da capital espanhola, reúne composições oriundas de diversos países europeus e mostra a importância dos clarins na vida musical do Barroco. De acordo com uma velha tradição, estes não só marcavam a cadência dos exércitos, troando durante as batalhas, mas acompanhavam as missas e outros actos religiosos e soavam nas cerimónias palacianas. Tanto podiam simbolizar o poderio de reis e grandes senhores como animar festas populares ou entoar hinos de amor.

Hoje, quando se encontra um pouco esquecida a solene musicalidade da trombeta histórica, o trio formado pelo trombetista Vicente Alcaide, pelo organista Abraham Martínez e pelo percussionista Alvaro Garrido revela o seu potencial artístico, associando-o ao órgão da catedral elvense, restaurado há breves anos. O recente disco deste grupo, Clarines de Batalla, causou sensação e tornou-se um best seller, o que demonstra o inusitado poder da trombeta para exprimir a essência da música barroca, seja ela civil ou militar, profana ou religiosa.

O concerto é organizado pela Pedra Angular, em colaboração com a Direcção Regional de Cultura do Alentejo e o Município de Elvas. Todas as actividades do Terras sem Sombra são de acesso livre.

 

   

 

Cidadela inexpugnável: o Forte da Graça

A tarde do dia 19, a partir das 15h00, vai ser consagrada à redescoberta deste monumento nacional, o núcleo mais destacado de um conjunto classificado pela UNESCO como património cultural da Humanidade. Foi mandado construir pelo rei D. José I, no outeiro onde se encontrava a capela de N.ª Sr.ª da Graça. O planeamento do seu intricado complexo defensivo ficou a cargo do conde de Lippe, comandante-em-chefe do exército português, e os trabalhos construtivos, muito complexos, decorreram entre 1763 e 1792.

Obra-prima da arquitectura militar europeia, sobressai pela originalidade das soluções nela introduzidas e pela invulgar envergadura. Tido por invencível, o Forte da Graça resistiu ao ataque das tropas espanholas durante a Guerra das Laranjas (1801) e ao bombardeamento infligido pelas tropas francesas do general Soult, no contexto da Guerra Peninsular (1811). Hoje, é um símbolo que une mais do que divide, pontuando uma paisagem raiana de grande beleza. A visita será aguiada pelos técnicos de património Margarida Ribeiro e Rui Jesuíno, grandes conhecedores dos segredos da fortaleza.

 

 

Através dos campos: a agricultura de conservação na região elvense

A manhã de domingo será dedicada pelo Terras sem Sombra ao conhecimento da agricultura de conservação, um conjunto de práticas que permitem o maneio do solo agrícola com a menor alteração possível da sua composição e estrutura e são de grande importância para a defesa da biodiversidade. Recorre-se, para tal, a técnicas que produzem efeitos positivos não só no solo, mas também na água e no próprio ar, associando a usos tradicionais, transmitidos de geração em geração, a tecnologia de ponta, o que permite evitar a erosão e aumentar o teor de matéria orgânica.

O alvo desta iniciativa é a Herdade do Melinho, na freguesia de N.ª Sr.ª da Expectação (Campo Maior), que faz fronteira com Espanha. Aí, tornam-se bem patentes os objectivos e as técnicas da agricultura de conservação, bem como o seu real impacto ambiental, económico e social em diferentes culturas. A visita, orientada por Gabriela Cruz, engenheira agrónoma, e Rui Dias e Isabel Machado, geólogos, oferece igualmente uma oportunidade para o conhecimento da geologia e da paisagem do território raiano. A partida faz-se de Elvas, às 9h30, tendo como ponto de encontro na ermida de N.ª Sr.ª da Nazaré, à entrada das muralhas.

 

 

mais informações:

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contactos: 917 502 862 | 965 653 149  |  917 327 305


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