| Cara Colega Aida Rechena, Caro Colega José d`Encarnação e os outros Caros Colegas todos 1- Começo por agradecer os documentos enviados pela Professora Aida para o debate sobre o Museu, e como certamente todos concordarão num debate o mais alargado e democrático possível, peço licença para pedir ao Professor José d`Encarnação para veicular este mail também pelas suas listas “histport” e “archport”, como eu lhe pedi noutras ocasiões e ele logo tão amavelmente fez. 2- Quanto à discussão sobre o futuro Museu, onde com muito gosto me ofereci para estar presente, pois aprecio o debate de ideias, chamo a atenção para que no meu projecto museológico o nome não será a interculturalidade, sendo esta a base de um conceito museológico pioneiro, que eu procurei explicar sobretudo nos meus 3 artigos, de 24 de Março, 9 de Abril e 3 de maio pp,, publicados no “Observador”, mas pelos vistos não consegui explicar tão bem quanto eu gostaria, do que peço me desculpem. 3- De facto, desde há mais de 30 anos incluo a interculturalidade no Património Cultural, e desde há mais de 20 anos defendo, em sentido geral, uma Museologia Intercultural que tem por objectivo a paz, e mais não fiz do que seguir o objectivo da UNESCO. Ora, este Ano Internacional do Património Cultural quer implementar uma “cultura de paz”, como Guilherme d`Oliveira Martins ( Coordenador Nacional deste Ano Internacional) escreve em “Ao Encontro da História. O Culto do Património Cultural”, o seu último livro (Fevereiro, 2018). Também agora (11 de Maio de 2018), a chamada “Declaração do Funchal”, assinada entre o ICOM Europa e a WFFM, inclui a interculturalidade e a paz na Museologia e na Patrimologia. 4- Petra Kammerevert, Presidente da Comissão de Cultura e Educação do Parlamento Europeu, quando visitou Portugal no passado mês de Abril, insistiu na necessidade de a Europa viver da sua diversidade, a qual é uma riqueza, e afirmou que “a identidade europeia tem de crescer a partir de baixo”. 5- Os pontos anteriores levam-me a três considerações: a) A diversidade de culturas, na Europa e no Mundo é uma riqueza, pelo que o nome e o conteúdo do Museu devem afirmar a cultura portuguesa, e não serem nomes/ conteúdos envergonhados, alusivos a vagas viagens que até parecem turísticas. b) Sendo o intercultural motor da evolução das sociedades, deve-se procurar implementar o diálogo intercultural e social, construtor de paz, evitando marginalizações, choques, estes fontes de mal-estar, ressentimentos, ódios, … Assim, o aprofundamento da interculturalidade é um processo em curso, mas infelizmente ainda muitíssimo longe do desejável no Mundo, e em Portugal, nos séculos XV/XVI, ou ainda neste início do século XXI … c) O meu projecto museológico logo foi apoiado “com o maior entusiasmo” pela Academia Portuguesa da História, que com o seu rigor é garante de jamais poder haver qualquer mitificação da História. 6- Amanhã terei o gosto de vos acompanhar na reflexão, mas um imprevisto só me permite estar em parte desse tempo. Agradeço que comecem se eu ainda não estiver. Para todos, abraços grandes e Saudações museológicas Matilde No dia 21/05/2018, às 15:21, Aida Rechena <aida.rechena@gmail.com> escreveu:
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