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[Museum] Museu dos Descobrimentos Portugueses: Outro contributo.

Subject :   [Museum] Museu dos Descobrimentos Portugueses: Outro contributo.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sat, 30 Jun 2018 17:23:39 +0000

 

Em 26Abril2018 na mensagem n.º 18607, que intitulei «Museu dos Descobrimentos Portugueses: um museu intemporal», referi o contributo do vídeo https://youtu.be/7xUEZt0_osc .

 

Permitam um outro contributo. Retirado da Exposição que o Museu da Fundação Oriente intitulou «Das Terras do Preste João» comissariada por Isabel Boavida.

 

«Entre nós não existem pobres (….)» («Carta do Preste João das Índias», Assírio & Alvim, 1998)

 

“A procura de uma aliança com o reino cristão chamado Preste João foi apontada, desde o início do ciclo expansionista português, como um dos motivos fundadores da Expansão e tornou-se nos reinados de D. João II e de D. Manuel I, um objetivo central da política externa portuguesa, concretizado pelo envio de emissários, como Afonso de Paiva e Pêro da Covilhã (em 1488), o segundo dos quais chegaria efetivamente à Etiópia em 1494. A sua acção junto da corte, especialmente da rainha regente Elleni, reforçada pelas notícias sobre a nova potência cristã que começava a dominar mercados e rotas do Índico, resultaram no envio de uma embaixada a Portugal, liderada pelo mercador de origem arménia Matewos, que desembarcou em Lisboa em fevereiro de 1514.” (Isabel Boavida, Comissária da Exposição «Das Terras do Preste João», 29junho a 16setembro 2018, Museu da Fundação Oriente).

 

 

O motivo antecedeu o Descobrimento não foi a escravatura nem o colonialismo. E é necessário também reparar nas datas. Por exemplo, Portugal ainda não tinha sido invadido por Castela.

 

No mito e na narrativa construída na época (séc. XV) o Eu dizia do Outro que, lá, «não havia pobres». Isto é, projetava nesse imaginário lendário do Preste João algo que considerava de extraordinário valor para a Vida Humana. Até, uma realidade construída pelo Outro superior à que conseguia aqui. Passados 500 anos, o Outro (atualmente a Etiópia), a propósito desse Descobrimento mútuo, celebra-o com palavras de (passo a citar) «Fraternidade e Amizade» escritas no mesmo texto desta Exposição por representantes do atual Governo da Etiópia.

 

E, o mercador arménio Matewos, quiçá, alguma influência mitológica e subjetiva poderá ter tido na vinda do seu conterrâneo Calouste Gulbenkian para Portugal. Sabe-se lá… Pelo menos os seres-humanos portugueses e etíopes, hoje, em Lisboa, podem visitar dois museus (o da Fundação Oriente e o da Gulbenkian).

 

Onde está a escravatura e o colonialismo?

Está evidentemente fora dos Descobrimentos Portugueses. Sempre esteve, e continua a estar, mesmo neste regime intitulado «Democracia». Basta olhar para os negócios dos atuais negreiros que, com os bolsos bem recheados de ouro e prata, tal como no séc. XV (e muito antes), atiram milhares de migrantes para a morte em botes e jangadas no Mediterrâneo. Até algemam e encarceram centenas de migrantes africanos, em barracões, nas margens do Norte de África conforme pudemos ver este ano nos vídeos registados por drones da ONU.

 

O fanatismo e o radicalismo ideológico cega. Razão pela qual nalguns departamentos de algumas universidades públicas portuguesas, que se deixaram conquistar por esses grupos extremistas (esquerdistas e direitistas), incluindo grupos sexistas, a qualidade científica decaiu ao ponto de serem as partes dessas universidades/faculdades que são consideradas pelas respetivas reitorias as piores em termos científicos, de produção do Conhecimento, e de Inovação. Transformaram esses departamentos em sedes desses Partidos Facciosos, que continuam a viver à conta do erário público. Uma coisa é ter a Liberdade de expressão e de opinião individual, outra coisa é congregar uma seita coletiva que toma de assalto o lugar.

 

Os Descobrimentos Portugueses (e os dos Outros) não têm nada a ver com a raiva nem com o sectarismo ideológico de uma pequena facção (quiçá de ressabiada com a Vida).

 

De onde vem essa ideologia xenófoba, quase-fascista e neocolonialista que quer impedir que se faça um Museu da História de Portugal e um Museu dos Descobrimentos Portugueses? Alguém impede que adquiram o estatuto de uma outra qualquer Identidade/Nacionalidade. As portas não estão abertas à possibilidade de rejeitarem Portugal e o seu legado patrimonial?

 

Porque têm tanto ódio a Portugal e aos Portuguesxs?

 

Será que não se apercebem da agenda política, explicita em documentos concretos de Política Externa de vários Países, de aproveitamento dos países de acolhimento para obterem vantagens económicas, sociais, e culturais inexistentes nesses países? Será que não se apercebem que o método da acusação permanente e sistemática dos países de acolhimento tem por objetivo reivindicarem esses subsídios e vantagens económicas? Será que não se apercebem que essa facilidade com que assumem o direito unilateral de ocuparem vastas áreas dos países de acolhimento tem por contraponto a incapacidade de construírem nos seus países de origem essas condições, sobretudo devido à corrupção e xenofobia das elites que se apropriaram indevidamente dos recursos e do poder militar, exercendo sobre os seus congéneres um regime de genocídio social e étnico igual ao da escravatura, com esgotos a céu aberto e ampla miséria à vista de todos?

 

O Património é um assunto crucial para a Identidade de uma Nação e de um País. Porquê tanto ódio a Portugal, e ao legado que o construiu?

 

Porque razão não permitem o Direito à Singularidade e à Diversidade inclusiva e plural que Portugal foi e quer ser? Porque adoptaram esse teor e esses argumentos xenófobos, intransigentes, racistas e neocolonialistas contra  Portugal e xs Portuguesxs?

 

Os factos mostram que os Descobrimentos Portugueses são um belo intercâmbio entre Eus e Outros, entre Aquis e Lás, entre mitos e histórias, entre objetos e símbolos. Onde ambos, 500 anos depois, como esta Exposição de junho de 2108 demonstra, sentem alegria e fraternidade em celebrar.

A tarefa é sermos capazes de trazer Objetos e Fragmentos para a Expografia do Museu dos Descobrimentos Portugueses, independentemente das vozes da intransigência e do medo. Não foi essa coragem dos Descobrimentos que venceu a raiva e o facciosismo, tanto no passado como agora?

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 





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