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[Museum] Auschwitz: a criação dos mulsemann| Exposição

Subject :   [Museum] Auschwitz: a criação dos mulsemann| Exposição
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Mon, 1 Oct 2018 13:16:28 +0000

 

Um Amigo de longa data, pertencente à comunidade judaica, pediu que lhe sugerisse uma Exposição sobre o genocídio ocorrido na «Guerra 1939-45». A sua preocupação tem a ver com os recentes «discursos e narrativas» negando a veracidade daqueles factos.

 

A minha sugestão foi que relacionasse Auschwitz com a criação dos mulsemann (referidos, entre outros autores, por Primo Levi, Agamben, et alli). Já que, se se trata de uma disputa ideológica, que despreza a realidade, então que a Exposição lute também nesse território. Ou, dito na linguagem kantiana: se a «realidade sensível» é para esquecer, então também não devemos ter receio em debater no território das «categorias do entendimento».

 

Sugeri ainda, para tornar a Exposição um assunto do Presente e da atual vanguarda no Conhecimento, que estabelecesse uma relação entre a existência desses mulsemann e o debate hermenêutico sobre o Ser e a Existência (Husserl, Heidegger, Ricouer, Agamben, et alli), apresentando uma relação nova entre os contributos existencialistas e os limites da atual definição de Verdade e Inteligência propostos desde a equação de Thomas Bayes (1760). Pois há referências e fontes bibliográficas suficientes para sustentar esta proposta.

 

Evidentemente que a Exposição teria imagens e objetos, já que sem elas a maioria das Pessoas fica perdida, mas o algoritmo da mensagem da Exposição seria aquele. Concretamente, e num esboço lógico, como adiante se ilustra:

 

Eixo da SUBJECTIVAÇÃO

 

SER

 

 

Eixo da DES-SUBJETIVAÇÃO

 

NÃO SER

 

 

POSSIBILIDADE

 

ser possível ser

 

(+) vs (+) = (+)

 

 

IMPOSSIBILIDADE

 

não ser possível ser

 

(-) vs (+) = (-)

 

 

CONTINGÊNCIA

 

ser possível não ser

 

(+) vs (-) = (-)

 

 

NECESSIDADE

 

não ser possível não ser

 

(-) vs (-) = (+)

 

[Heidegger, 1927, Agamben, 1990, et alli)

↑

(Até que ponto a formulação de Heidegger em 1927 não foi influenciada pela de Bayes/Laplace de 1760/1812?)

↑

 

LIKELIHOOD

 

How probable is the evidence?

 

 

 

 

 

 

PRIOR

 

How probable was our hypothesis before observing the evidence?

 

 

 

 

 

P(H/e) = P(e/H).P(H)/P(e)

 

P = probabilidade

H = hipótese

e = evidência

 

Nesta formulação matemática de Bayes a ferida aberta pelas descontinuidades entre «a Decisão de cada Agora, (P(H/e)», o «Presente, P(e/H)», o «Passado, P(H)» e o «Futuro, P(e)» é exatamente aquela fraqueza na «Verdade» e na «Inteligência» que os detractores do Real exploram. Logo, aquilo que esta Exposição terá que soldar.

 

 

 

 

 

POSTERIOR

 

How probable is our hypothesis given the observed evidence?

 

 

 

 

 

 

 

MARGINAL

 

How probable is the new evidence under all possible hypothesis?

[T. Bayes, 1760, P-S. Laplace, 1812, et alli)

 

Se o Regime de objetos, documentos, testemunhos e imagens (dito Expografia) cumprisse esta lógica que propus, então talvez a Exposição alcançasse o objetivo que o meu Amigo pretende.

 

Acordámos partilhar este diálogo aqui, em público, pela mesma razão que Agamben escolheu para o título da sua obra: «A Comunidade que vem» (La Comunità che viene, 1990). Porque, recentemente, passou a existir em Alfama um novo inquilino do Real, um novo vizinho da nossa Comunidade, designado «Museu Judaico».

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 


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