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Um
Amigo de longa data, pertencente à comunidade judaica, pediu que lhe sugerisse uma Exposição sobre o genocídio ocorrido na «Guerra 1939-45». A sua preocupação tem a ver com os recentes «discursos e narrativas» negando a veracidade daqueles factos.
A minha sugestão foi que relacionasse Auschwitz com a existência concreta dos «mulsemann» (referidos, entre outros autores, por Primo Levi, Agamben,
et alli). Já que, se se trata de uma disputa ideológica, que despreza a realidade, então que a Exposição lute também nesse território. Ou, dito na linguagem kantiana: se a «realidade sensível» é para esquecer, então também não devemos ter receio em debater
no território das «categorias do entendimento». Será “numena” igual a “fenomena”, ou o “nome” à “coisa nomeada”?
Sugeri ainda, para tornar a Exposição um assunto do
Presente e da atual vanguarda no Conhecimento, que estabelecesse uma relação entre a existência desses
mulsemann e o debate hermenêutico sobre o Ser e a Existência (Husserl, Heidegger, Ricouer, Agamben,
et alli), apresentando uma relação nova entre os contributos existencialistas e os limites da atual definição de
Verdade e Inteligência propostos desde a equação de Thomas Bayes (1760). Pois há referências e fontes bibliográficas suficientes para sustentar esta proposta.
Evidentemente que a Exposição teria
imagens e objetos, já que sem elas a maioria das Pessoas fica perdida, mas o algoritmo da mensagem da Exposição seria aquele. Concretamente, e num esboço lógico, como adiante se ilustra:
[Heidegger, 1927, Agamben, 1990, Pedro Manuel-Cardoso, 2018,
et alli)
↑
(Até que ponto a formulação de Heidegger em 1927 não foi influenciada pela de Bayes/Laplace
de 1760/1812?)
↑
[T. Bayes, 1760, P-S. Laplace, 1812, Pedro Manuel-Cardoso, 2018,
et alli)
Se o
Regime de objetos, documentos, testemunhos e imagens (dito Expografia) cumprisse esta lógica que propus, então talvez a Exposição alcançasse o
objetivo que o meu Amigo pretende.
Acordámos partilhar este diálogo aqui, em público, pela mesma razão que Agamben escolheu para o título da sua obra: «A Comunidade que vem» (La Comunità che viene, 1990).
Porque, recentemente, passou a existir em Alfama um novo inquilino do Real,
um novo vizinho da nossa Comunidade, designado «Museu Judaico».
Pedro Manuel-Cardoso |
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