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[….] O Património não é para
Todxs.
De facto, não faz sentido o atual discurso igualitarista (nascido da
Revolução Francesa do séc. XVII) que obriga Todxs a pagá-lo e a sofrê-lo. A imposição ideológica dessa obrigação, expressa num acesso universal pago por todos os cidadãxs e contribuintes, é, de facto, um acto ditatorial e não-Democrático.
Porque, para quem acredita que tudo acaba na
Morte, no Nada, no Absurdo, na Contingência de cada agora, ou no
Vazio, e acredita que o mesmo sucederá aos vindouros, para quem perfilha essa ideologia (e são atualmente cada vez mais),
o Património não faz sentido. Não lhes serve para nada. Têm, de facto, legitimidade em recusá-lo. Porém os poderes públicos não permitem esta escolha, perseguem moral e judicialmente quem a perfilha.
Por mais incorreto que seja para as opiniões do atual
status quo, de facto, o Património não é para Todxs.
Há aqui uma contradição e um paradoxo incontornáveis nos atuais
Debates sobre o Património. Dos quais os Responsáveis Políticos e os Responsáveis pelo Património fogem a sete pés, empurrando a questão para os que hão-de vir [….]
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Foi esta questão que ocorreu num dos Debates organizados pela Oficina
Žylěch, devido à interpelação de um
Colega da Universidade Católica.
O desafio que lançámos foi o de realizar, na referida Universidade, uma Mesa-Redonda ou um Seminário para debater a questão. Propus que lhe chamássemos:
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Mesa-Redonda/Seminário
O PATRIMÓNIO perante o CORPO, o NADA, e o ESPÍRITO
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Tentar-se-ia responder aos seguintes dois grupos de perguntas:
1. Porque para além do Corpo, não pode ser apenas o
Nada?
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Porque não se pode saltar do Corpo para o
Céu sem passar pela Terra?
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Porque, para se alcançar a Espiritualidade, o
Corpo tem que passar pela Transcendência (ou seja, pelas Dez Heteronimidades Humanas
(axiologia, ciência,
cosmologia, epistemologia, ética, estética, metafísica, ontologia, política, teologia) não como um
Fim, a Morte, o Tudo, ou o Nada, mas outrossim
enquanto ferramenta de Transformação?
2. Porque há cinco erros que impedem o avanço do conhecimento científico, e constituem a ideologia vigente que infecta a cognição da maioria? Concretamente:
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«O erro de Darwin» (a “Variação-Adaptação-Seleção” não é o processo que explica a “Evolução”).
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«O erro de Einstein e Wittgenstein»
(o Relativismo não é a lei que rege os fenómenos físicos; nem justifica o
reducionismo protagonizado pela procura da “equação do tudo”, ou a tese do
Círculo de Viena 1929, et alli).
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«O erro de Freud a Lacan»
(o “Inconsciente” não é uma linguagem, nem a «morte» aquilo que impulsiona o
Ser-humano, pois há uma realidade anterior ao “regime das diferenças” que antecede qualquer
formalização).
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«A repetida crítica a Descartes»
(O Monismo não tem sustentação científica nem se adequa à verificação empírica dos factos; seja o
monismo positivista de A. Comte, o monismo fenomenológico de Husserl
et alli, o monismo das atuais ciências cognitivas ou neurociências, ou o “monismo anomal” de D. Davidson,
et alli).
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«O erro de Aristóteles e Heidegger»
(O Ser-humano não é apenas “em si mesmo”, logo, não está condenado nem ao
Tempo, nem ao Agora, nem ao Nada, tal como Sartre, Benjamin, Derrida, Deleuze,
et alli, propuseram).
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Para que o Património se justifique é necessário que sirva a um acreditar ideológico que não faz a unanimidade das opções ideológicas de muitxs que atualmente são Responsáveis pelo Património e Responsáveis
pela Política.
Que desenlace terá o Património, mais dia menos dia, perante esta contradição e este paradoxo?
Pedro Manuel-Cardoso
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