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No último debate ocorrido na Oficina Žylěch foi relembrado que o
conceito de Objecto mudou com a Física Quântica.
À primeira vista parecia que essa mudança seria irrelevante para o modo como se continua a fazer
exposições e organizar os objectos nos museus e instituições responsáveis pelo Património. Porém, ao aprofundar mais a questão, e ao passarmos para os pormenores da aplicação prática, as consequências não são afinal assim tão irrelevantes.
Não há espaço aqui para apresentar todo o desenvolvimento desta questão, contudo talvez mereça mencionar uma experiência prática resultante dessa mudança.
No modo tradicional de organizar os
objetos e fazer as expografias há uma teoria e uma mentalidade (uma visão-do-Mundo) que subjaz (de que os
objectos e coisas do Mundo se explicam pela Física não-Quântica). Esse conceito de
objecto é tomado como uma constante imutável e inquestionável. É a partir dessa ideologia que se fazem as analogias, as deduções, as induções, as comparações e as classificações. Os
objetos são colocados por uma determinada ordem nas gavetas e nas vitrinas, e os quadros são dispostos nas paredes. É essa ideo-lógica que lhes atribui o lugar entre os outros objectos, em termos de espaço e de tempo. É sobre esse substrato ideológico
da Realidade que se justifica a razão e a missão de cada museu.
Ora, ao ocorrer uma mudança nesse contexto tido por a Verdade ou Certeza, é toda uma forma de organizar e expor os
objectos que se altera. O valor patrimonial deixa de ser resultado apenas dessa anterior ideologia, para passar a ser definido por esse novo paradigma.
De facto, ao utilizarmos um conceito de
objecto de acordo com a Física Quântica, ocorre uma mudança no modo de fazer as exposições e de organizar a relação dos objectos.
A exploração desse novo conceito de
objecto, e das relações que estabelecem entre si nesse novo paradigma, transforma o modo tradicional de fazer as Exposições nos museus e nas instituições responsáveis pelo Património. Provoca uma ruptura com a narrativa e a ideologia classificatória
a que estavam submetidos.
Os acervos e as coleções adquirem um outro valor patrimonial, oferecendo aos Museus um novo espaço de afirmação e revalorização.
Foi essa experiência que nos foi permitida fazer recentemente num Museu de uma reputada instituição. Acordámos manter o anonimato, e apenas publicitar aquilo que aqui indiquei. Pois
o risco e a repercussão do resultado poderiam causar perturbações que considerámos útil evitar na presente conjuntura.
Todavia fica a partilha e o desafio.
Pedro Manuel-Cardoso |
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