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“IMPASSE” Escultura e desenho Entrada Livre Esta exposição é constituída por uma escultura site specific, de grandes dimensões, que irá ocupar todo o espaço central da Sala de Exposições Temporárias deste Museu. Será acompanhada por maquetas e desenhos de estudos efetuados durante a conceção da mesma. Esta obra foi concebida para a Sala de Exposições Temporárias do Museu José Malhoa, sendo por isso inédita. "Circulação
temporariamente interrompida" Podemos
pensar na memória e cruzamento dessas aventuras artísticas como
uma genealogia
possível para a obra que Carlos No vem realizando nos últimos
anos e para a
qual uma tensão entre o empírico e o conceptual, o contingente e
o histórico se
revela fundamental. Politicamente
empenhado e socialmente desperto, mas não menos consciente da
natureza
específica do lugar e atuação possíveis da arte, No convida-nos
a encontrar uma
espécie de refração nos objetos que escolhe, modifica e
apresenta; um efeito de
espelhamento empírico que coloca esses artefactos no seio de uma
rede de
relações aparentemente invisíveis que reverberam as condições
materiais do
mundo em que vivemos e ao mesmo tempo as dialéticas sociais que
sobre elas se
erguem. Só
que ao
contrário do design e
das conceções
que norteiam a criação de objetos funcionais, configurados para
a eficácia, as
estratégias artísticas de Carlos No concentram-se precisamente
na ideia de
inadaptação, entorse, desencaixe, desequilíbrio, rejeição,
projetando assim
para um plano sensorial e partilhável os desequilíbrios
económicos, culturais e
étnicos que enformam as sociedades contemporâneas. Em
“Impasse”,
uma grande escultura-instalação que atravessa diagonalmente uma
das salas do
Museu José Malhoa, reconhecemos a aparência metálica de uma
daquelas passagens
a que somos forçados a recorrer quando um prédio se encontra em
remodelação e
os trabalhos podem fazer embater sobre nós o entulho ou alguma
ferramenta que
se solte de um ponto mais alto do edifício. A
obra faz
uma referência direta ao universo da construção civil mas
podemos encontrar
nela uma outra, velada, àqueles que nela constituem a força de
trabalho, os
imigrantes ilegais, as minorias étnicas, os que, por uma razão
ou outra, sempre
ligada à exclusão encontraram no trabalho físico e
desqualificado um modo de
sobrevivência. Ao
endossar-nos o paradoxo de um
tapume selado que não se deixa atravessar, Carlos No faz da
impossibilidade de
circulação uma constatação física, ao alcance de todos,
obrigando-nos a
estancar por momentos e a encontrar na nossa (não) experiência,
a condição e
destino do outro. Transformar
uma experiência de algo quotidiano, mecânico e potencialmente
não consciente
num processo de desfamiliarização é um caminho de interrupção
vivificador, um detournement
objetual que interrompe a
nossa resposta automática à vida naturalizada e nos faz
enfrentar um lugar de
exílio em que nunca nos imaginámos. Por uma vez, como o
refugiado, o migrante,
ou o “ilegal”, também nós não passaremos. Talvez que nesse
provisório e indolor
“Impasse” algo em nós se mova." Celso
Martins, janeiro, 2019 |
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