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“A questão que subjaz à segregação e discriminação de toda e qualquer
Diferença (anatómica, biológica, social ou cultural) está aquém e
para além daquilo que é atualmente o objeto onde recai a ira coletiva.
Perante os avanços daquilo a que hoje os atuais humanos chamam “Ciência” (sobretudo na física, biologia molecular da cognição ou na IA) o "racismo" que nos devia preocupar é aquele que cometemos não apenas
contra "seres ditos vivos" mas também contra os que até há pouco chamávamos "seres ditos inertes".
É a partir dessa exterioridade que devíamos tomar consciência da raiz do problema. Em vez de nos assassinarmos uns aos outros, sem dó nem piedade.
Esses seres, que até hoje designávamos por "coisas/objetos", sofrem o mesmo "racismo" que cometemos contra seres ditos "humanos" ou "animais". A escala e a substância do crime racista que cometemos (sem
consciência, por preconceito, ou por ignorância) percorre esse percurso filogenético que passou pelas "pessoas", "animais", "plantas" até ao sere que designamos por "átomo".
Na base desse "racismo constitutivo dos Seres” (e das Coisas) está o limite da inteligência humana, o qual ainda necessita da "Diferença" para formular um Juízo sobre a Evidência e sobre a Existência.
E fá-lo, incluindo a escolha daquilo que é Relevante (património), sem saber absolutamente nada acerca da Verdade ou da Razão absoluta e definitiva sobre o Mundo, a Natureza, a Existência, e Si-próprio/a/x.
A luta Política e Social é legítima e necessária, mas não resolve o problema do Conhecimento. É na procura desse Conhecimento que se constrói a verdadeira Igualdade e Fraternidade entre as
Diferenças.
Perguntarão: «mas enquanto o Conhecimento não chega não é decepcionante que a Diversidade não seja sempre fonte de felicidade?».
Respondo: Sim. Porém, o Conhecimento só chega porque quem o alcança se transformou noutra coisa diferente do que era. Não há Conhecimento sem o Sujeito que o alcança ter deixado de ser o que era antes. E nesse
durante, até pode acontecer que deixemos de ter cor ou de possuir os sinais de diferença que tínhamos anteriormente. Portanto, não vale a pena nem é profícuo acentuarmos as nossas diferenças por causa desse problema.
Aliás, é para nos conseguirmos
Transformar, sem termos medo de perder a memória do percurso anterior, que a Vida eucariote inventou aquilo a que damos os nomes de “museu” e “património”, há muitos milhares de milhares de anos.” (Pedro Manuel-Cardoso)
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