|
Porque (no sentido hermenêutico e filosófico da tradição cultural judaico-cristã) as tribos do “verbo” nunca conseguem dominar as do “pó”? Porque as tribos do “número” e as do
“nome” ficam sempre aquém do “Objeto”? Porque, nessa mesma tradição, hoje, a “Cultura” continua a lutar contra o “Património”?
Porque a linguagem, as
representações, e os sistemas e teorias simbólicas (conscientes e inconscientes) não conseguem dominar a resiliência do
Objeto (sobretudo o Objeto Patrimonial que tem incorporada a Relevância)?
Porque o Objeto Patrimonial está sempre aquém e para além da “teleonomia” aristotélica; do ser kantiano dotado de “projeto”; do “drive” psicanalítico; da “adaptação”
neo-darwinista; da “autonomia catalítica-organizativa” da atual definição bioquímica e molecular do objeto-vida; ou do “ser computacional e cognitivo” das atuais neurociências?
O que o Património tem a ensinar que persiste contra ventos e marés? Porque a intuição da humanidade nunca desistiu de o preservar e transmitir aos vindouros, apesar da fortíssima oposição
de todas as vaidades humanas (filosóficas, religiosas, teóricas, tecnológicas, científicas e outras)?
|
“Bacteria use brainlike bursts of electricity to communicate with electrical signals: cells can organize themselves into complex societies and negotiate with other colonies” (G. Popkin,
Quanta Magazine, set2017)
|
Porque acontece este enigmático fenómeno? Porque
ninguém consegue pará-lo?
Porque no alvor da ditadura do algoritmo, da inteligência artificial, da robótica, dos avatares, e da resubstanciação bioquímica-molecular do corpo do ser-humano, o
Património, cada vez mais, se constitui como o último refúgio da Liberdade e da Continuidade? O fenómeno a abater e a destruir.
|