O que é um centro interpretativo?
I. Para definirmos o que é um centro interpretativo teríamos previamente que definir o que é um museu.
Tornou-se imperativo tornar claro e óbvio que um centro interpretativo não é um museu nem um museu um centro interpretativo.
Obviamente, também, um presidente de câmara não é um historiador nem um historiador um presidente de câmara. Assim sendo, a ''visão'' de Luís Reis Torgal não pode coincidir rigorosamente com a de Leonel Gouveia. Mas coincidem num tópico estruturante, um centro interpretativo, tenha ou não o figurino de museu, pode alojar-se e cabe na Escola Cantina Salazar.
Um museu é um centro interpretativo? Li com muita atenção e rigoroso critério analítico o que escreveu Luís Raposo ontem, dia 12 de Setembro, no PÚBLICO, sobre ''o que é ''ser museu'' na definição do ICOM''.
Dá-nos conta de que em Quioto a Assembleia Geral do ICOM debateu no início do mês ''uma nova deinição de museu''. Conta-nos também que 70% dos presentes, em representação de quarenta e quatro mil profissionais de museologia, entendeu por bem adiar a definição de ''ser museu''.
A Assembleia Geral do ICOM teve então que ''conhecer'' duzentas e sessenta e nove propostas que Luís Raposo reduz a um dilema.
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A primeira perspectiva é mais própria de “activistas de todas as causas justas”; a segunda de profissionais de museus, sendo o ICOM precisamente uma ONG dos mesmos (mais de 44 mil em todo o mundo), concebida “da base para o topo”, ou seja, detida por mais de uma centena de comissões nacionais eleitas por voto secreto, por mais de três de dezenas de comités internacionais ou de especialidade e por oito alianças regionais, entre as quais a mais representativa (48 países aderentes e mais de 80% dos membros da organização), a do ICOM Europa.
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Para o leitor leigo, lido com muita atenção e rigor analítico o relatório de Luís Raposo, o que estava em causa cifra-se no dilema aglutinante do espírito da era em que a ciência sai em assanhada defesa do mais sólido argumento do populismo e ''ressurgimento'', o da neutralidade da história. Museus com ideologia ou museus sem ideologia?
A questão é manhosa e matreira e não devemos condescender com ela.
Vamos todavia aguardar pelos resultados do ''grupo de trabalho'' do ICOM e por futura Assembleia Geral para sabermos o que os ''operacionais'' definiram como ''ser museu''.
Ora, o debate a que ainda não se deu início foi aquele que urge para definir o que é ''ser centro interpretativo''.
O que é um centro interpretativo. Como cabe e se aloja um centro interpertrativo coordenado por uma Universidade na Escola Cantina Salazar, em Santa Comba Dão, não apenas no espaço físico mas no figurino, no contexto social e cultural da comunidade?
Pode parecer simples. Os ''especialistas'' da Universidade de Coimbra interpretam o Estado Novo e apresentam a sua interpretação condensada na Escola Cantina Salazar. Teremos pois em Santa Comba um museu, não do Estado Novo, mas das interpretações do Estado Novo.
Vamos seguir por aqui. O que é um museu e o que é um centro interpretativo?
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Manuel de Castro Nunes