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Um Grumete ouviu as palavras, plenas de razão do Comandante. Identificou-se com elas. Até lhe causaram um assomo de patriotismo. De facto, disse para consigo mesmo: Tivemos, no séc. XV, durante um breve período, esse Poder que o Comandante reclama. O poder de passar da informação, estudo e conhecimento à Riqueza. Ou, dito de outro modo, colocar os navios-de-guerra nos lugares onde comerciávamos e extraíamos os recursos. Depois, quem passou a fazer isso foram os Holandeses, os Ingleses, os Estadudinenses, os Russos; e agora juntaram-se-lhes os Chineses. Antes, na história, também não foi muito diferente. Perante essa História da Humanidade, o Grumete perguntou a si próprio se, porventura, no presente e no futuro, haverá alguma mudança que consiga alterar esse regime humano do exercício do Poder (agora chamado “mercado”, “competitividade”, “escala”, “globalismo”, “unionismo”, e outros nomes semelhantes). Depois, voltou às palavras do Comandante. Dizia o Comandante, que há um tesouro, com inimagináveis riquezas, no solo pátrio. Mas o reclamante delas, o que delas se diz dono, não tem qualquer Poder para as extrair e explorar. Estuda-as, cartografa-as, regista-as. E oferece-as aos Outros em informação e conhecimento, num altruísmo e esforço enormes, que merecem todos elogios. Por exemplo, o último ano que esse reclamante teve excedente orçamental foi em 1973. Durante isso, viveu do dinheiro emprestado por outros Povos. E acumulou uma Dívida que, alguns, dizem que é impagável; mas que as gerações futuras terão de pagar. Ou então, trocar por parte (ou toda) a Soberania. Acresce que, em 2019, esse reclamante tem 2 milhões de Pessoas em risco de pobreza, e 20% com rendimentos abaixo de 250€/mês. Um reclamante que tem, na Educação, um dos maiores índices de abandono escolar da U.E., com uma população de apenas 10 milhões de habitantes, e em défice demográfico. O Grumete olhou a estibordo, para a imensidão de mar que alberga esse imenso solo pátrio. E perguntou a si próprio: Como, perante esta nossa Realidade, vamos conseguir usufruir e beneficiar daquilo que não conseguimos extrair, explorar e transformar? Alguma vez os gigantes que possuem o Poder (China, EUA, Índia, Rússia, et alli), perante este reclamante, o vão acatar e respeitar? Qual a melhor estratégia para garantir, pelo menos uma parcela, do que dizemos que é nosso? Equacionar e responder a este solilóquio do Grumete não é, no concreto da realidade das coisas, traçar o rumo para se gerir e salvaguardar o Património? Pedro Manuel-Cardoso
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