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[Museum] Mudar de Casa… sem esquecer o Património.

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Mudar de Casa… sem esquecer o Património.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sun, 29 Mar 2020 02:58:40 +0000

 

Mudar de Casa. Tínhamo-lo dito em “a mutação do corpo” (Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, 2016).

Agora, mandaram-nos fugir para as casas onde abrigamos os nossos corpos (que são, outra vez, uma casa). Andamos de casa em casa, sem saber onde abrigar «o ser que somos». Ricos e pobres têm medo que «ele» morra com a degeneração das casas (sobretudo a que apelidamos de "corpo"). Não somos nem a casa nem o corpo (como Descartes bem dizia), mas ainda necessitamos deles para continuar o que somos.

Essa angústia acelerou a consciência da necessidade de mudar de casa. Chegou o momento de mudar de corpo. Este já não nos serve de abrigo. Já esgotou a capacidade de nos proporcionar a Continuidade. 57% dele já nem é nosso, são milhões de outros seres vivos que o parasitam no microbioma. As guerras de vírus, fungos e bactérias que dentro dele ocorrem, não podem continuar a ser a nossa “guerra”. E muito menos o projeto humano de Continuidade.

Doravante, a parte mais poderosa da população humana não deixará de tentar essa mudança. Hoje, já são milhares em todo o mundo a tentarem. Gradualmente, com a física dos materiais, a reprogramação genética e molecular e a IA, continuará a ser tentada. Será para aí que os principais investimentos industriais se direcionarão (logo, a organização da Sociedade, as qualificações, o emprego, o poder militar, a justiça, a ética, a moral, e tudo o que for necessário).

Cinco tarefas passarão a impelir a acção humana:

i. Mudar de Casa (adquirir a “propriedade física SAP2i”).

ii. Construir o robô Žyleč (construir uma máquina universal do conhecimento humano, através da “compressão Chaitin-Kolmogorov” e dos modos de ensinar as máquinas a aprender a aprenderem).

iii. Codificar em Átomos (substituir a codificação molecular pela quântica, para que o Património continue a evitar que o passado se perda).

iv. Aperfeiçoar o Modelo Antropológico do Comportamento Humano (formular a equação matemática do agir humano, atualmente composta por cinco variáveis e cinco descontinuidades).

v. Laicizar a “instrução VFCA” do atual programa a priori (manter sob controlo humano o impulso-motivação para Continuar)

Todas as outras tarefas serão necessárias, mas apenas conjunturais e efémeras. Estas cinco estruturarão o agir humano no próximo século. Serão estas que configurarão a Sociedade e os Indivíduos. Esta mudança de paradigma é basicamente uma mudança na hierarquia das prioridades e na imputação de valor/relevância.

A responsabilidade pela gestão do Património será ainda mais necessária e exigente.

Pedro Manuel-Cardoso

 

 


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