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Mudar de Casa. Tínhamo-lo dito em “a mutação do corpo” (Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, 2016).
Agora, mandaram-nos fugir para as casas onde abrigamos os nossos corpos (que são, outra vez, uma casa). Andamos de casa em casa, sem saber onde abrigar «o ser que somos». Ricos e pobres têm medo que «ele»
morra com a degeneração das casas (sobretudo a que apelidamos de "corpo"). Não somos nem a casa nem o corpo (como Descartes bem dizia), mas ainda necessitamos deles para continuar
o que somos.
Essa angústia acelerou a consciência da necessidade de
mudar de casa. Chegou o momento de mudar de corpo. Este já não nos serve de abrigo. Já esgotou a capacidade de nos proporcionar a
Continuidade. 57% dele já nem é nosso, são milhões de outros seres vivos que o parasitam no
microbioma. As guerras de vírus, fungos e bactérias que dentro dele ocorrem, não podem continuar a ser a nossa “guerra”. E muito menos o
projeto humano de Continuidade.
Doravante, a parte mais poderosa da população humana não deixará de tentar essa mudança. Hoje, já são milhares em todo o mundo a tentarem. Gradualmente, com a física dos materiais, a reprogramação genética e molecular
e a IA, continuará a ser tentada. Será para aí que os principais investimentos industriais se direcionarão (logo, a organização da Sociedade, as qualificações, o emprego, o poder militar, a justiça, a ética, a moral, e tudo o que for necessário).
Cinco tarefas passarão a impelir a acção humana:
i.
Mudar de Casa (adquirir a “propriedade física SAP2i”).
ii.
Construir o robô Žyleč (construir uma máquina universal do conhecimento humano, através da “compressão Chaitin-Kolmogorov” e dos modos de ensinar as máquinas a aprender a aprenderem).
iii.
Codificar em Átomos (substituir a codificação molecular pela quântica, para que o
Património continue a evitar que o passado se perda).
iv.
Aperfeiçoar o Modelo Antropológico do Comportamento Humano (formular a
equação matemática do agir humano, atualmente composta por cinco variáveis e cinco descontinuidades).
v.
Laicizar a “instrução VFCA” do atual programa a priori (manter sob controlo humano
o impulso-motivação para Continuar)
Todas as outras tarefas serão necessárias, mas apenas conjunturais e efémeras. Estas cinco estruturarão o agir humano no próximo século. Serão estas que configurarão a Sociedade e os Indivíduos. Esta mudança de
paradigma é basicamente uma mudança na hierarquia das prioridades e na imputação de valor/relevância.
A responsabilidade pela gestão do Património será ainda mais necessária e exigente.
Pedro Manuel-Cardoso |
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