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1. Não se deve confundir
digital com mudança de paradigma.
2. Não se deve confundir a nova responsabilidade da Gestão do Património com “digitalizar”, “trabalhar remotamente”, “disponibilizar conteúdos online” e
“investir numa uma plataforma na internet”. Isso é repetir o mesmo, apenas mascarado com outra roupa. É fingir que se muda. O
conceito heptadimensional de Objeto mostra quais são os sete objetos a gerir no novo paradigma.
3. O desafio é
Transformar.
4. Trata-se de uma mudança da mesma magnitude daquela que ocorreu na passagem do séc.XIX para o séc.XX, quando o
princípio do “duplo museu” separou as “reservas” da “exposição”.
5. Trata-se de
reorganizar o trabalho.
6. Passar a intermediar os tradicionais dez objetivos («estudo e investigação; conservação e documentação; divulgação e sensibilização; educação e acessibilidade; valorização
cultural» com o novo Departamento (robotic engineer, robotic controler,
research develop, code tec, build control, create-edit,
present-share”), e com o robô Žyleč.
7. Doravante, não é ético nem deontológico fazer como no passado. Ter dois ou três especialistas conhecedores da coleção e do domínio disciplinar. Pelos quais passava, durante
toda a vida do Museu, a interpretação e a compreensão a oferecer às Pessoas e à Sociedade.
7.1. Hoje, com os avanços do conhecimento, o volume dos dados, a velocidade de acesso, a globalização e a democratização do património, esse modo de trabalhar não é razoável.
A solução é a resposta que Alan Turing apresentou a Churchill para decifrar o
Enigma: “só uma máquina é capaz”.
7.2. O robô
Žyleč é essa solução. Inevitavelmente. É a adoção na gestão do Património da IA, da computação, das neurociências e da robótica. Lembro-me bem, em 2013, quando argui o doutoramento em museologia da Ana Moutinho (agora a trabalhar em empresas e universidades
no Reino Unido) sobre a “Realidade Aumentada aplicada aos Museus”, julgo que foi o primeiro em Portugal nessa área.
7.3. Doravante, só uma máquina será capaz de processar os dados sobre as colecções, o acervo e o domínio disciplinar de cada
Museu (e outras infraestruturas de gestão do património). Restringir esse conhecimento a dois ou três especialistas é prejudicar a prestação às Pessoas e à Sociedade.
8. O que aqui proponho não é substituir, radical e repentinamente, o que existe por um novo procedimento. É dar espaço a que nasça um novo no seio do que existe.
Fingir que o
digital é a mudança, é não estar à altura dos desafios que doravante a sociedade e as Pessoas colocam ao Património.
Pedro Manuel-Cardoso |
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