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[Museum] Gestão do Património: não confundir Digital e Desmaterialização com o que é necessário fazer.

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Gestão do Património: não confundir Digital e Desmaterialização com o que é necessário fazer.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Fri, 10 Apr 2020 15:20:33 +0000

1. Não se deve confundir digital com mudança de paradigma.

2. Não se deve confundir a nova responsabilidade da Gestão do Património com “digitalizar”, “trabalhar remotamente”, “disponibilizar conteúdos online” e “investir numa uma plataforma na internet”. Isso é repetir o mesmo, apenas mascarado com outra roupa. É fingir que se muda. O conceito heptadimensional de Objeto mostra quais são os sete objetos a gerir no novo paradigma.

3. O desafio é Transformar.

4. Trata-se de uma mudança da mesma magnitude daquela que ocorreu na passagem do séc.XIX para o séc.XX, quando o princípio do “duplo museu” separou as “reservas” da “exposição”.

5. Trata-se de reorganizar o trabalho.

6. Passar a intermediar os tradicionais dez objetivos («estudo e investigação; conservação e documentação; divulgação e sensibilização; educação e acessibilidade; valorização cultural» com o novo Departamento (robotic engineer, robotic controler, research develop, code tec, build control, create-edit, present-share”), e com o robô Žyleč.

 

Património

 

Museus, Sítios, Monumentos, Arquivos, Bibliotecas, e outras infraestruturas de gestão do património

 

Coleção/ Acervos

 

 

 

 

 

 

 

 

®

 

 

 

Estudo e Investigação;

Conservação e Documentação;

Divulgação e Sensibilização;

Educação e Acessibilidade;

Valorização Cultural»

 

 

 

 

 

 

 

 

 

®

 

 

 

Robotic Engineer,

Robotic Controler,

Research Develop,

Code Tec,

Build Control,

Create-Edit,

Present-Share

 

 

 

 

 

 

 

®

 

 

Robô Žyleč

 

Serviço Educativo e Acesso

 

Prestação de serviços e benefícios culturais

 

 

 

 

 

 

 

 

®

 

 

 

 

 

 

Sociedade

 

Pessoas

 

7. Doravante, não é ético nem deontológico fazer como no passado. Ter dois ou três especialistas conhecedores da coleção e do domínio disciplinar. Pelos quais passava, durante toda a vida do Museu, a interpretação e a compreensão a oferecer às Pessoas e à Sociedade.

7.1. Hoje, com os avanços do conhecimento, o volume dos dados, a velocidade de acesso, a globalização e a democratização do património, esse modo de trabalhar não é razoável. A solução é a resposta que Alan Turing apresentou a Churchill para decifrar o Enigma: “só uma máquina é capaz”.

7.2. O robô Žyleč é essa solução. Inevitavelmente. É a adoção na gestão do Património da IA, da computação, das neurociências e da robótica. Lembro-me bem, em 2013, quando argui o doutoramento em museologia da Ana Moutinho (agora a trabalhar em empresas e universidades no Reino Unido) sobre a “Realidade Aumentada aplicada aos Museus”, julgo que foi o primeiro em Portugal nessa área.

7.3. Doravante, só uma máquina será capaz de processar os dados sobre as colecções, o acervo e o domínio disciplinar de cada Museu (e outras infraestruturas de gestão do património). Restringir esse conhecimento a dois ou três especialistas é prejudicar a prestação às Pessoas e à Sociedade.

8. O que aqui proponho não é substituir, radical e repentinamente, o que existe por um novo procedimento. É dar espaço a que nasça um novo no seio do que existe.

Fingir que o digital é a mudança, é não estar à altura dos desafios que doravante a sociedade e as Pessoas colocam ao Património.

Pedro Manuel-Cardoso

 

 


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