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[Museum] Memorias dum tempo perdido

To :   museum@ci.uc.pt
Subject :   [Museum] Memorias dum tempo perdido
From :   Pedro Leite <p4298@ulusofona.pt>
Date :   Sat, 11 Apr 2020 20:08:24 +0100

Memória dum Mundo Perdido II – A Crise do COVID19

Face à profunda crise do setor da cultura em Portugal, diretamente resultante COVID19, será suficiente um pacote de emergência, interrogava num postal anterior.

Talvez sim, nos termos que nos colca Pedro Cardoso Pereira. Será uma oportunidade para fazer uma nova abordagem da gestão do património e dos museus. Uma nova gestão.

Mas independentemente do desenho que esse pacote tenha. Um pequeno exercício sobre o contexto da crise.

A Crise é uma crise da Saude Publica. Tal como tantas outras que ocorreram no passado. A peste negra na idade média. As crises de percevejos que derrotaram as tropas napoleónicas e inglesas em vários cenários de guerra e que estão na base de modernas práticas de higiene; a chamada gripe espanhola nos invernos de 1917-1918. Crise que se deram na Europa e que nos estão mais próximas. Mas outras crises  ouve por esse mundo num tempo mais próximo. A gripe das Aves – a SARS,. A MERS, o Ébola, o Dengue.Talvez tenham sido mais “regionais”. Talvez tenham sido contidas a tempo.

O que sabemos sobre este COVID19 é o seu elevado grau de infeção, que rapidamente se espalhou pelo mundo. Sabemos também que ainda está em expansão. Que o pior pode estar para vir em países da América do Sul, de África e da Ásia. Sabemos que embora ultrapassemos este nosso pico, dentro das nossas fronteiras, vamos ter que estar vigilantes com os “outros”.

Ora estando nós encerrados nos nossos casulos, quem são os outros? Os vizinhos. Os tripeiros ou os alfacinhas? Os espanhóis ou os galegos? Os emigrantes e os refugiados’ os pretos e os ciganos?

Vamos continuar como antes, uma sociedade aberta e tolerante? Ou talvez não…

Quando a crise passar vamos continuar a fazer negócios como sempre?

 

Memória dum Mundo Perdido III – A ideia da Europa

Em 2015, então na Universidade Lusófona, no âmbito do Doutoramento em Museologia onde então colaborava, organizei vários debates sobre Problemas Contemporâneos. Os debates, sobre a forma de seminários aberto ao público, eram acompanhados duma exposição que enquadram o tema em discussão. Num desses debates, abordamos a questão da Ideia da Europa.

https://informalmuseology.wordpress.com/informal-museology-studies/9-a-ideia-da-europa/

Hoje o tema está na ordem do dia. Há época talvez não fosse tão óbvio, e talvez por isso os alunos e os professores do departamento de museologia bridaram por uma reconfortante alheamento, focados que estavam então na “crise brasileira”, que teve o desenlace que todos conhecemos

Recordo-me que a exposição, embora modesta interrogava o lugar da cultura nas políticas europeias. Na altura discutia-se entre as organizações culturais europeias o Lugar da Cultura no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a “Política Cultural Europeia”.

https://www.academia.edu/12612072/Uma_nova_narrativa_para_a_Europa

É natural que este termo “Politica Cultural Europeia” tenha que ser usado com muitas cautelas, já que à época poucos instrumentos estavam disponíveis.

Mas independentemente da questão em concreto da política cultural europeia, procurou-se analisar o contexto da Europa para entender as suas políticas.

A ideia de Europa é uma construção social. É certo que é uma figura mitológica e uma região geográfica (onde subsistem algumas dúvidas sobre a sua natureza continental) Não existem registos históricos duma entidade política com este nome. A realidade política da Europa – União Europeia surge à pouco mais de sessenta anos (1947) em torno duma necessidade económica (A Comunidade Económica do Carvão e do Aço) de livre circulação dos recursos essenciais para as indústrias pesadas.  Uma entidade que cresceu e se ampliou até quilo que hoje conhecemos, de entidade supra nacional.

É certo que essa tal entidade, procurou legitimar uma memória. Alicerçar-se no seu passado, para se justificar na forma. Se é certo que foi nesse espaço que surgiu a ideia da Nação e das suas instituições representativas (soberania), é necessário não esquecer que ao longo dos últimos dois mil anos, esse continente foi palco das mais mortíferas e constantes ações bélicas que as sociedades humanas desenvolveram. Não lhe foram exclusivas, mas aqui ganharam dimensões e irradiaram para todo o mundo, tal como as suas ideias políticas.

Em suma: Essa europa que conhecemos entre guerras e paz, entre Impérios e Nações, entre Cidades-Estado e Comunidades autónomas com identidades culturais bem vincadas, é hoje esta nossa Europa.

Uma “União Europeia” onde é hoje evidente uma profunda crise, onde os problemas são resolvidos com dinheiro e autoritarismo.


Pedro Pereira Leite
      ( Ph. D )

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