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1. Pedro Pereira Leite intitulou a sua
mensagem n.º21130/17abril2020 de “A Pedra de Toque”. Tem razão. A procura do ponto fulcral de uma Mudança é, de facto, a questão que ajuda a perpetração prática e o discernimento das tarefas concretas a realizar. Foi nesse sentido que formulei
a definição de museu e património (mensagem n.º21129/17abril2020/5:43:41).
2. A formulação logarítmica da Realidade --- que devemos a uma acumulação de contributos
desde a Babilónia, passando por Virasena, Napier, Euler, até ao recente “programa” de Quoc Le
et alli (“AutoML-Zero: Evolving Machine Learning Algoritms From Scratch”, 6abril2020, arXiv, Cornell University) --- permitiu automatizar muitas tarefas humanas.
Porque é a pedra-de-toque da computação, ou seja, aquilo que possibilitou essas tarefas serem executadas por um autómato/robot. Foi essa evolução e transformação que, também agora, as/os/xs humanos continuam a prosseguir.
3. A Mudança de que hoje se fala, que é a de que falamos aqui na
Museum, resulta de uma exponenciação dessa capacidade. Sobretudo, desde a última década do século passado. O património e os museus, mais cedo ou mais tarde, sofrerão o seu impacto. Será inevitável.
4. A importância de uma definição logarítmica de museu e património insere-se nesse
desígnio.
5. Mas o que vale a pena referir, em relação àquela definição, é que ela traduz muito
daquilo que algumas empresas, instituições e pessoas já estavam a fazer há muito tempo.
6. Se se analisar com cuidado a definição verifica-se que a
base do logaritmo [Estudo e Investigação; Conservação e Documentação/Codificação; Divulgação e Sensibilização; Educação e Acessibilidade; Valorização Cultural] já está a ser realizada … independentemente do Museu X ou
Y. Muitas dessas nove prestações até são anunciadas aqui na Museum.
7. O que acontecerá (já está a acontecer, por exemplo, na
produção e apresentação de cada uma dessas nove componentes daquela base logarítmica por essas empresas e equipas de profissionais dentro de alguns museus) é passarem a ser executadas por R [Robotic Engineer, Robotic Controller, Research Develop, Code Tec,
Build Control, Create-Edit, Present-Share]. Porque são essas máquinas e esse processo de trabalho que está por todo o lado, inclusive na designada “STEM education”.
8. A Mudança que está a ocorrer implica que não há recursos
para se fazerem edifícios em todos os sítios que há património. E a se querer pôr dentro desses museus os objetos retirados desses sítios todos. Logo, exigir-se-á à equipa-de-um-Museu «ser capaz de fazer acontecer museu» em todos os sítios onde
as pessoas e a sociedade desejem, muito mais do que estar toda a vida dentro de um determinado edifício. Não é por estarem dentro de um edifício que estão a
fazer acontecer museu. Empresas, instituições e museólogos --- como a “Spira”, a “Acesso Cultura”, ou o “método criado por Pedro Pereira Leite para deslocalizar os benefícios patrimoniais do edifíco-museu”, e outros exemplos --- não precisam de
um determinado edifício, situado num determinado lugar fixo, para fazerem acontecer uma ou várias daquelas nove componentes da base logarítmica da definição que propus. Portanto a definição descreve, noutra base diferente da do exercício literário,
retórico ou histórico, aquilo que a realidade já está a ser.
9. Até poderíamos perguntar se seria democrático, e ético,
o acesso ao património apenas a quem tem dinheiro para fazer edifícios sumptuosos, subordinados à estratégia de marca dos países e culturas mais ricas?
10. Isto é, como refiro na definição:
11. Então, se é assim, qual é a
pedra de toque de falávamos no início, referida por Pedro Pereira Leite? O que falta para que, em Portugal, se promova a Mudança e se ganhe o desafio contemporâneo da gestão do património?
12. O que falta, é fazer-se o mesmo que os países mais desenvolvidos
do norte da Europa, Ásia e América estão a fazer. Um fortíssimo investimento do Estado em tornar parceiros do Desenvolvimento empresas como a “Spira” e a “Acesso Cultura”, e todas as outras que prestam serviços de excelência naquelas nove componentes da base
algorítmica da definição de museu e património que propus.
13. O Estado não pode continuar com a mesma organização de
trabalho, nem o mesmo método de gestão.
14. Chegou o momento de mudar. A próxima geração, sujeita
à precariedade, a baixos rendimentos, capacitada com qualificações em computação e IA, não lhe perdoará. Até, talvez, sem querer instigar uma rebelião, diria que não o permitirá.
15. Poderão enganar muitos, com a atitude voluntarista mediaticamente
cheia de afetos ou com a exibição de muitas digitalizações e plataformas na Internet, mas esse teatro não enganará a realidade, nem resolverá o nosso futuro coletivo.
16. Espera-se, por parte do Estado, uma
reforma da política pública de património, expressa já no próximo Orçamento de Estado para 2021.
E, não era necessário um vírus para disso todos termos consciência.
Pedro Manuel-Cardoso
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