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[Museum] Um Rendimento Universal para os profissionais da cultura

To :   museum@ci.uc.pt
Subject :   [Museum] Um Rendimento Universal para os profissionais da cultura
From :   Pedro Leite <p4298@ulusofona.pt>
Date :   Mon, 20 Apr 2020 11:13:45 +0100

Memória dum Mundo Perdido XII – Problemas Críticos

No postal anterior falamos dos limites do pensamento convergente, procurando explicar como ele influencia as elites na criação de respostas inovadoras para novos problemas. Enunciamos que para isso necessitamos de privilegiar um pensamento divergente. Um pensamento que ultrapassa os limites da “velha” filosofia que alicerça a tecnologia do velho mundo em transição. Necessitamos de olhar para o mundo com novos códigos mentais.

Acontece que este pensamento divergente sempre existiu na sociedade. Chamamos-lhe um pensamento criativo. É um pensamento que privilegia a inovação e criatividade. O pensamento criativo, está baseado em sinapses integradoras de diferença e da novidade. Isto é ao contrário do pensamento convergente, que é um pensamento que se baseia no cognitivo (separação ente sujeito e objeto, processo de analise e formação de síntese), o pensamento criativo, para além de integrar o cognitivo, apela à emoção e à integração dos sentimentos.

Para alcançar o pensamento criativo, é necessário escolas que trabalhem duma forma crítica. Isto é escolas em que privilegiem o questionamento, ao invés da informação e das competências mono espacializadas (sintetizadas em competências profissionais uniformizadas)

Ora este tipo de escolas já existem no nosso tempo por toda a Europa e em muitos países das Américas. A questão é saber se as respostas que as atuais elites, no campo da cultura e do património se constituem como respostas adequadas aos problemas do COVID 19

A questão que importará colocar será a seguinte: Para que serve deitar dinheiro sobre os problemas? Saber se a atual resposta á crise produzida pela emergência do COVID19 (esta filosofia que alicerça o financiamento das atividade da cultura e património) serve para fazer as pessoas mais felizes, para reduzir a pobreza entre os profissionais. Ela contribui para a reduzir as desigualdades sociais e contribuir para a integração e a diversidade cultural no país. Sem responder a esta adequação das políticas públicas ao imperativo constitucional (acesso, criação, e participação cultural), será, como se diz em linguagem vernácula “cover no molhado”. Podermos continuar a usar as velhas (geradas no paradigma pós-industrial) políticas culturais para olhar o futuro? Serão úteis mesmo que usemos os “serviços” da cultura para “criar crescimento” económico?

Para já, como tenho vindo a defender, apenas serve para mitigar os problemas de algumas franjas dos profissionais da cultura património. Se assim for problema mantém e não deixará de se agravar

Para o resolver necessitamos de mais escolas com base no pensamento crítico e criativo no campo do património. Por isso defendi mais acima, noutro postal (#6) a reabertura dos cafés, como metáfora da necessidade de repensar o futuro através do encontro e da troca.

E isto porque necessitamos de ir mais longe enquanto comunidade de valores. E para ir mais longe necessitamos de assegurar a sobrevivência dos profissionais das artes e da cultura. Para além dos cafés necessitamos também dum rendimento universal para a cultura.

Pedro Pereira Leite
      ( Ph. D )

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