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A defesa da Língua Portuguesa não se faz pela
competição pelo número de falantes. Faz-se pela qualidade do que diz, e se é capaz de dizer.
É necessário que alguém diga, alto e em bom som, que esse caminho pela
competição pelo número está condenada ao fracasso. A esses, que teimam em prosseguir essa falácia, é preciso que alguém lhes diga: «estudem e analisem os recentes dados da ciência e da linguística».
Essa falácia é um erro indesculpável.
Não é assim que se defende e preserva a Língua Portuguesa.
O caminho deve que ser a qualidade e o prestígio do que ela é capaz de dizer aos seres-humanos sobre o Conhecimento e a Humanidade. É essa qualidade que a torna referencial e procurada pelos Outros,
e por nós mesmos.
Quando a literacia de milhões de falantes de alguns países e culturas asiáticas e africanas se desenvolver, o número de falantes de «português» cairá inevitavelmente para outra posição nesse ranking
das mais faladas. Não é, portanto, o «quantitativo» que a fará sobreviver.
Aliás, só quem não conhece a realidade actual dos países ditos de «língua oficial portuguesa» acredita que as estatísticas dos falantes de português, propagandeada e escrita nos documentos oficiais,
está correta. Cada vez mais a fala portuguesa é substituída pelo inglês e francês, e por uma hibridação que rejeita ser denominada «português».
Porque, todos e quaisquer povos e culturas que usam e constroem no quotidiano uma língua-linguagem-fala, não aceitam que isso, essa sua construção cultural, seja dita a pátria de outros.
É por isso que digo, e repito: Portugal na CPLP deve tomar a iniciativa de propor que os países que a compõem chamem às suas línguas o nome de cada um desses países ou culturas. Ao invés do que a ingenuidade
faz acreditar, essa proposta beneficiaria muito mais a defesa e a preservação da Língua Portuguesa do que querer impor por decreto a uniformização e o nome. Essa imposição forçada é, até, um dos motivos da atual rejeição da língua portuguesa pelas gerações
mais jovens nesses países CPLP.
Quem esconde esta realidade, e ilude os factos, está a prejudicar a defesa e a preservação da Língua Portuguesa.
A adopção de uma Língua-Linguagem-Fala não se consegue por decreto.
O que a Política de Cultura e Património em Portugal devia fazer era investir na edição e publicação dos trabalhos e artigos de dezenas de portugueses/as que escrevem em inglês e francês, e
ocupam lugares de relevo nas principais universidades e nos centros de investigação mais prestigiados do mundo. O que a
Política de Cultura e Património em Portugal devia fazer era investir nas redes digitais, em parceria com as universidades portuguesas, para a melhoria da qualidade científica e técnica do que é lá escrito. E aumentar exponencialmente a tradução de obras
em língua portuguesa noutras línguas, e vice-versa.
Isso sim, é que era defender a Língua Portuguesa. Mas para esse investimento e para esse trabalho já não estão dispostos. Têm preguiça orçamental.
Não enganem o Povo com ilusões e utopias sebastiânicas.
Sejam competentes.
Pedro Manuel-Cardoso
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