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Noticia-se a possibilidade de se erigir, em Lisboa, um
Memorial da Escravatura.
É uma excelente notícia.
Para além de enriquecer patrimonialmente a Cidade, constituirá uma oportunidade para o ser-humano refletir sobre si-próprio.
Todavia, isso apenas acontecerá se
não forem esquecidos todos os que contribuíram para a Escravatura. Todos os que no passado a fizeram, e no presente a fazem.
Porque, de outro modo, esse Memorial servirá para nos enganar e nos trair a nós-próprios. Transformando-se num foco de ódio e violência, que é exatamente o contrário do objetivo
que se pretende.
Espera-se que os responsáveis nomeados para fazerem o
Programa e a Narrativa (textos, inscrições, frases e conteúdos digitais) desse Memorial não esqueçam, no que se refere a Portugal e a Lisboa, os contributos de
Al-Dimeshkri,
Ibn Khaldun, Padre António Vieira, Fernand Braudel, Georges Balandier,
Tidiane N'Diaye, Frantz Fanon, e outros.
Pedro Manuel-Cardoso
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