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[Museum] MEMORIAL DA ESCRAVATURA: que ninguém seja esquecido.

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] MEMORIAL DA ESCRAVATURA: que ninguém seja esquecido.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sun, 14 Jun 2020 22:36:58 +0000

 

Noticia-se a possibilidade de se erigir, em Lisboa, um Memorial da Escravatura.

É uma excelente notícia.

Para além de enriquecer patrimonialmente a Cidade, constituirá uma oportunidade para o ser-humano refletir sobre si-próprio.

Todavia, isso apenas acontecerá se não forem esquecidos todos os que contribuíram para a Escravatura. Todos os que no passado a fizeram, e no presente a fazem.

Porque, de outro modo, esse Memorial servirá para nos enganar e nos trair a nós-próprios. Transformando-se num foco de ódio e violência, que é exatamente o contrário do objetivo que se pretende.

Espera-se que os responsáveis nomeados para fazerem o Programa e a Narrativa (textos, inscrições, frases e conteúdos digitais) desse Memorial não esqueçam, no que se refere a Portugal e a Lisboa, os contributos de Al-Dimeshkri, Ibn Khaldun, Padre António Vieira, Fernand Braudel, Georges Balandier, Tidiane N'Diaye, Frantz Fanon, e outros.

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

(João Céu e Silva, em 13junho2020, no Diário de Notícias, pergunta): Afirma que o tráfico negreiro transatlântico foi menos devastador que o comércio árabo-muçulmano. O que os diferencia?

 

(Responde antropólogo e economista franco-senegalês Tidiane N'Diaye):

“Desde o início do comércio oriental de escravos que os muçulmanos árabes decidiram castrar os negros para evitar que se reproduzissem. Hoje, a grande maioria dos descendentes dos escravos africanos são na verdade mestiços, nascidos de mulheres deportadas para haréns. Apenas 20% são negros. Essa é a diferença com o comércio transatlântico”.

“Eu só falo de genocídio para descrever o comércio de escravos transariano e oriental. O comércio transatlântico, praticado por ocidentais, não pode ser comparado ao genocídio. A vontade de exterminar um povo não foi provada. Porque um escravo, mesmo em condições extremamente más, tinha um valor de mercado para o dono que o desejava produtivo e com longevidade. Para 9 a 11 milhões de deportados durante essa época, existem hoje 70 milhões de descendentes. O comércio árabe-muçulmano de escravos deportou 17 milhões de pessoas que tiveram apenas 1 milhão de descendentes por causa da maciça castração praticada durante quase catorze séculos”.

"Foram os árabes muçulmanos que começaram o tráfico de escravos em grande escala. (….) Os árabes arrasaram a África Subsariana durante treze séculos ininterruptos. A maioria dos milhões de homens por eles deportados desapareceu devido ao tratamento desumano e à castração generalizada".

“Como mostra a história, os árabes-muçulmanos estão na origem da calamidade que foi o tráfico e a escravatura. Que praticaram do século VII ao século XX. E, do sétimo ao décimo sexto século, durante quase mil anos, eles foram os únicos a praticar este comércio miserável, deportando quase 10 milhões de africanos, antes da entrada na cena dos europeus”.

“É por esta razão que este genocídio assumiu tal magnitude. E continua. Atualmente, no Líbano, na Síria, na Arábia Saudita, os trabalhadores domésticos africanos vivem em condições de escravatura. A divisão racial ainda é real na África”.

“Recorde-se que em França, durante o comércio de escravos e a escravatura, havia filósofos do Iluminismo, como o Abade Gregório ou mesmo Montesquieu, que defendiam os negros, enquanto no mundo árabo-muçulmano os intelectuais mais respeitados, como Ibn Khaldun, afirmavam que os negros eram animais.”

 

“Al-Dimeshkri: Nenhuma lei divina lhes foi revelada. Nenhum profeta foi mostrado em sua casa. Também são incapazes de conceber as noções de comando e de proibição, desejo e de abstinência. Tem uma mentalidade próxima da dos animais. A submissão dos povos do Sudão aos seus chefes e reis deve-se unicamente às leis e regulamentos que lhes são impostos da mesma maneira que aos animais. "

 

“Charles Darwin, concluiu o seu trabalho da seguinte forma: "O homem subiu da condição de grande macaco para o homem civilizado, passando pelas fases do homem primitivo e do homem selvagem. O melhor grau de evolução foi alcançado pelo homem branco." Todas essas construções levaram a calamidades como a do apartheid.”

 

 

 





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