Numa mensagem aqui colocada o nosso colega Pedro Cardoso Pereira interroga se haverá alguma instituição de ensino que se proponha fazer uma formação inovadora para a cultura e o património.
Haver há, embora não na área do património e dos museus. E a razão é simples. As universidades e institutos politécnicos onde estão sediadas são instituições do passado.
Embora em Portugal se goste e fazer remontar a fundação da Universidade ao tempo de Dom Dinis, na Idade Média tardia, as atuais universidade foram constituídas como ferramentas de afirmação do Estado Nação (quase todas no ´seculo XX tardio, quando foi necessário desenvolver os serviços. Para quem tem memória foi o tempo em que se abandonaram os campos, se vendeu a frota pesqueira, se desativaram as minas, nos desinstrualizamos e deslocalizamos s unidades produtivas para a os tigres asiático. Foi o tempo da CEE.
A República e o Estado Novo investiram na universidade (nacional). A democracia procedeu à segmentação. Paralelamente à sua privatização, forma também criadas universidade e politécnicos numa base distrital. Na maioria dos casos estas universidades debatem com a necessidade de equilibrar a sua oferta (os cursos) com a procura (relação dos alunos que procuram cursos com saídas profissionais). Uma universidade com cursos que não tem emprego não tem "mercado".
Ora museu e património, fora da programação turística é coisa que não vende. O mercado da educação é na maioria dos casos não pagante. Os museus e o património tem quadros de pessoal que executam profissões do passado.
Dentro de em breve, toda a informação necessária para gerir "objetos" estará disponível através de máquinas. Qualquer objeto é já hoje replicado digitalmente. Sendo certo que os objetos antigos não irão ser descartados, os procedimentos necessários à sua conservação e manuseamento passarão a ser feitos por máquinas-laboratório. O património será, como já é um algoritmo e será gerido como tal.
O humano e o seu saber-fazer tornam-se praticamente dispensáveis. É certo que haverá sempre uma reminiscência das antigas artes da conservação e restauro, como hoje há quem faça livros em papiro ou encadern "in folio". Serão excentricidades que se manterão tal como se mantêm as profissões medievais que são hoje apresentadas nas feiras e festas revivalistas que enchem o país durante o verão, para gáudio dos emigrantes e demais turistas.
Portanto o que as universidades estão a oferecer são formações antigas, quase desnecessários para o nosso tempo e pouco procuradas. A DGPPC mantém uma lista de várias dezenas de formações em todo o país (lista essa que suspeito que não seja atualizada)
http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/formacao-em-patrimonio/ que permite perceber o que é que é oferecido. Para os mais pacientes, podem mesmo fazer uma pesquisa mais fina, e entrar nos vários sites das universidade e dar uma mirada no que é oferecido. Vai já para uma dezena de anos que me dei ao trabalho de verificar o que é que era oferecido e foram muitas as páginas que eram brancas e os cursos que não funcionavam. Dos cursos que funcionavam, eram todos redundantes.
Por isso suponho que não deverá haver muitas universidades interessadas em modernizar-se, e procurar soluções que construam futuros.
Por isso suponho que termos que fazer os tais seminários e encontros em outros lugares de cultura... em oficinas e laboratórios na cidade a partir deste nosso presente !
Pedro Pereira Leite
( Ph. D )