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[Museum] Re: Se um museólogo incomoda alguma gente, dois museólogos incomodam ainda mais .... e três?

To :   Francisco Maduro-Dias <maduro.dias@gmail.com>
Subject :   [Museum] Re: Se um museólogo incomoda alguma gente, dois museólogos incomodam ainda mais .... e três?
From :   Isabel Victor <isabelvictor150@hotmail.com>
Date :   Tue, 8 Sep 2020 17:18:26 +0000

Caríssim@s colegas e amig@s

Discussão tão rica e enriquecedora. Obrigada!

Tendo a concordar com o Maduro Dias, até porque fomos colegas de formação, mas o que aqui importa, o que verdadeiramente me toca, é a carga emocional de quem deu tudo por aquilo que acredita ser o melhor serviço a prestar ao museu e ao património. 
Falta-nos sempre a avaliação do impacto na sociedade e esse dado seria fundamental para afinarmos as crenças sobre o que acreditamos serem as melhores práticas, mas uma coisa sabemos: sem a dedicação, persistência,  envolvimento das pessoas,  o edifício humano - amplo e diverso que é o museu na sua essência, nada seria possível. 

Saudações museologicas 

Isabel Victor 


Enviado do iPhone de Isabel Victor





No dia 08/09/2020, às 16:37, Francisco Maduro-Dias <maduro.dias@gmail.com> escreveu:


Boa tarde,

A reacção abaixo mostra que não me fiz entender - e por isso me penitencio - quanto ao ponto de vista que tentei defender. As minhas desculpas, por isso. Sem dúvida que tudo o que é referido é verdade e, como membro da APOM, já na época, embora tendo frequentado outra formação, tenho conhecimento, mas também é verdade que a grande maioria das instituições museológicas passou anos com muito pouco pessoal devidamente habilitado. No entanto, o ponto que quis defender, e pelos vistos mal, tem a ver com outra realidade, que não se liga, directamente, com a da formação interna, mas com o modo como a realidade patrimonial é percebida pela comunidade, em geral. O Património Cultural nem sempre é entendido por ela - a comunidade - como efectivamente seu e isso reflecte-se a outros níveis, por exemplo na dificuldade em passar de 0,5% a 1%.
Os que trabalham em museus e com património esforçam-se, sem dúvida, promovem, sem dúvida, e são criados os dias disto e daquilo, mas, em muitos casos, é como se a chuva caísse em superfícies impermeáveis, mal se sai as portas ou se procura ir para lá dos grupos habituais, conseguidos a pulso, muitas vezes. 
A(s) comunidade(s) consegue(m) viver ao lado dessas instituições como se estrangeiras fossem e não é o número de eventos, de turistas, ou de visitantes, globalmente referidos, que consegue furar essa espécie de carapaça de isolamento e de viver quotidiano.
O que nós, que trabalhamos na área, entendemos como património, acaba por não o ser percebido "fora", apesar do muito trabalho, das muitas exposições, das muitas iniciativas. E isso dói. 

Cumprimentos e obrigado por ter reagido se, como isso, consegui explicar-me melhor.

Francisco Maduro-Dias

É a questão profunda do como conseguir essa ligação que me preocupa. 

Teresa Parra da Silva <Teresa.Parra@ar.parlamento.pt> escreveu no dia terça, 8/09/2020 à(s) 13:45:
Bom dia,
Sou conservadora de museu desde 1984, fiz o curso de conservador de museu do IPPC em 1981/1984 e fui ainda professora do curso de conservadores de museu organizado pela APOM/ESBAL no início dos anos 90. Na época existiam os conservadores de museu e os restauradores, com formação e funções diferentes, com competências e áreas de actuação diferentes mas que não deixavam de estar interligadas, trabalhando em equipa e respeitando as áreas específicas de cada carreira. Ao longo de dezenas de anos tenho trabalhado com inúmeros restauradores/conservadores-restauradores de diversas áreas de especialidade num ambiente de respeito mútuo e reconhecimento pelo trabalho de cada um de nós.
Os cursos de conservador de museu deixaram de funcionar e, desde os anos 90, surgiram os cursos de museologia integrados no ensino universitário, tal como os cursos de conservador-restaurador, mas isto não significa que anteriormente estivéssemos na idade das trevas. Não posso, por isso, deixar de esclarecer que a afirmação "a formação especializada era inexistente" (antes dos anos 90) não corresponde de forma nenhuma à realidade. Tal como a caracterização que se pretende fazer de um conservador de museu: o qual conserva "sem sentir, cá dentro, a necessidade de partilhar com a humanidade e de ser serviço de memória da humanidade, é pouco". Parece mais uma caricatura do que uma caracterização.
Sinceramente, não sei como classificar este comentário sobre os conservadores de museu. Considero-o inaceitável e injusto por ser revelador de uma enorme falta de respeito por outros profissionais e, sobretudo, pela imensa ignorância que revela sobre o trabalho desenvolvido pelos profissionais dos museus desde os anos 30/40 até aos anos 90, conservadores e restauradores desenvolveram um trabalho de referência que foi muito para além da "mera" conservação (continuaram e continuam a desenvolver). Esta é apenas uma das componentes do conteúdo funcional de um conservador de museu, como qualquer profissional de museu com experiência efectiva num museu sabe. O património não esteve fechado e encerrado, muito longe disso.
É também conveniente não esquecer que a conservação, a qual parece considerar de menor importância, é um factor fundamental: museólogos sem património?
Teresa Parra da Silva

-----Mensagem original-----
De: museum-bounces@ci.uc.pt <museum-bounces@ci.uc.pt> Em Nome De Maduro-Dias
Enviada: 8 de setembro de 2020 00:19
Para: Humberto Rendeiro <hrendeiro@gmail.com>
Cc: museum <museum@ci.uc.pt>
Assunto: Re: [Museum] Se um museólogo incomoda alguma gente, dois museólogos incomodam ainda mais .... e três?

Sou, apenas, museólogo, com uma pós graduação já antiga, surgida no início dos anos noventa, do esforço de vários colegas e interessados, quando quase todos os que trabalhavam em museus eram uma espécie de “livres pensadores”, já que a formação especializada era inexistente.
Nessa época não existiam os conservadores/restauradores, nem a miríade de cursos, formações de pós graduação , mestrados e doutoramentos, nessa área, mas já era clara a diferença sentida entre conservadores de museus e os que se começavam a auto designar como museólogos. 
Se penso ter percebido as questões levantadas quanto ao trabalho em equipa e quanto às diversas formações que podem ser chamadas a colaborar, também entendo a necessidade de tornar claro que o museólogo é, pela dinâmica, muito diferente de um conservador de museus, talvez porque conservar, sem sentir, cá dentro, a necessidade de partilhar com a humanidade e de ser “serviço de memória” da humanidade, é pouco.
Correndo o risco de ser muito incorrecto, tenho para mim, há anos, que o património só existe, na realidade, se o é assim entendido por um número suficiente de humanos em redor. Se se mantém fechado e encerrado, nas paredes “protectoras” do museu, acaba por trair a própria raiz da existência do museion, como “casa das musas” que deve ser e deixa de ser património, por muito que se saiba (em círculos restritos...) da sua qualidade.
Sou museólogo, com enorme orgulho, também.
Francisco Maduro-Dias

Enviado do meu iPad

> No dia 07/09/2020, às 21:05, Humberto Rendeiro <hrendeiro@gmail.com> escreveu:
>
> Sou licenciado em História, mestre em História e Museologia e doutor em Museologia. Sou profissional de um Museu há vinte e um anos. Tenho um orgulho enorme em me apresentar como museólogo. O meu nome é Humberto. Boa noite.
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