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[Archport] Boletim Digital Setembro - do Museu Nacional de Arqueologia

To :   "archport" <archport@ci.uc.pt>, "museum" <museum@ci.uc.pt>, "histport" <histport@uc.pt>
Subject :   [Archport] Boletim Digital Setembro - do Museu Nacional de Arqueologia
From :   <jde@fl.uc.pt>
Date :   Sun, 13 Sep 2026 11:04:54 +0100

 

setembro 2026

Museu Nacional de Arqueologia

06

 

EDITORIAL

 

A execução da 1.ª fase da obra de remodelação do MNA concretizou-se a várias de mãos. De setembro de 2025, quando foi consignada a obra e se instalou o estaleiro, até 31 de agosto de 2026, data do fim da execução do PRR, decorreu o período em que a ACA e a AOF realizaram as respetivas empreitadas. Passaram pelo MNA mais de 70 empresas subcontratadas, de Norte a Sul do país, e muitas dezenas de trabalhadores, originários de diversos países.

Foram 12 meses de obra orgulhosamente vividos por todos, alimentados também pelo respeito que o simbolismo do MNA e do Mosteiro dos Jerónimos inspira. Por isso, para celebrar esse empenho partilhado, que se multiplicou, repetidas vezes, por vários turnos, convidámos todos os trabalhadores a realizar uma visita pelos espaços que ajudaram a reconfigurar, mostrando-lhes, em antevisão, o Museu do futuro.

Juntou-se a nós um grupo de cerca de 50 elementos, aos quais explicámos as exposições e as reservas que ocupavam cada área, assim como o conceito e a nova função que se lhes destinou. A iniciativa foi correspondida com muita curiosidade acerca do que vai ser exposto, como "as múmias", e do que se vai vender na loja.

O futuro Museu Nacional de Arqueologia também pertence a estas equipas, para sempre ligadas à história da instituição.

António Carvalho, Diretor

 

AGENDA

 

 

VISITAS ORIENTADAS: “MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EM (RE)CONSTRUÇÃO”

 

O MNA participa em mais uma edição do Open House Arqueologia. Nos dias 12 e 13 de setembro, reabrimos para quatro visitas orientadas conduzidas pela equipa do Museu, às 11h e 15h. Esta será a primeira vez que o público terá a oportunidade de rever o interior do MNA numa altura em que já estão concluídas as empreitadas executadas no âmbito do PRR.  
 

Inscrição gratuita em openhousearqueologia@museudelisboa.pt

 

 

 

JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO: “REVIVER, RESISTIR, REINVENTAR”  

 

Nos dias 26 e 27 de setembro, convidamos o público a partilhar connosco o papel de intérprete e guardião da História com uma programação variada e para toda a família, este ano também em parceria com o Museu de Arte Popular.

Todos os que nos visitarem poderão ainda levar consigo exemplares de algumas publicações antigas, cartazes de exposições e postais ilustrados, disponíveis gratuitamente.

Entrada livre mediante inscrição: mediacao@mnarqueologia.pt

 

 

PROGRAMAÇÃO

 

REINVENTAR SIGNIFICADOS

Oficina de Museologia

Os participantes entram nos bastidores das coleções e simulam o percurso de um objeto desde que chega ao Museu, passa pelas etapas do inventário, documentação, conservação e acondicionamento em reserva, até se transformar num bem cultural e integrar uma exposição. 

Museu Nacional de Arqueologia

26 setembro – 10h45

Público geral, Famílias

ORCHESTHAI

Espetáculo e Workshop

Este espetáculo da Terpsis Dance - Companhia de Dança leva-nos numa viagem à Grécia Antiga, recriando o universo simbólico, ritual e artístico da civilização helénica. Segue-se um workshop de dança grega antiga em que o público é conduzido numa experiência de museu vivo, onde corpo e música dão nova vida ao património imaterial da Antiguidade.

Museu de Arte Popular - Auditório

26 setembro – 16h00 (espetáculo) e 17h00 (workshop)

Duração aproximada: 40 minutos + 30 minutos

+ 12 anos (não é necessária experiência em dança)

RESISTIR AO TEMPO

Oficina de Conservação e Restauro

A partir do exemplo de um artefacto encontrado numa escavação arqueológica, experimentam-se as diferentes etapas de conservação e restauro, bem como os cuidados exigidos por materiais tão variados como a madeira, o metal, a cerâmica, a pedra e o vidro.

 

Museu Nacional de Arqueologia

27 setembro - 10h45

+ 10 anos

Jogar com a Arqueologia - Tabletop Roleplaying Games

O MNA aventura-se pelo universo dos jogos narrativos (Tabletop Roleplaying Games). Esta forma de jogo colaborativo reúne um grupo de participantes à volta de uma mesa para criar, contar e viver uma história em conjunto.

Museu Nacional de Arqueologia

27 setembro – 15h00

+ 15 anos

 

 

Terpsis Dance - Companhia de Dança

EM VIAGEM

 

Já estamos a preparar a cedência dos bens culturais selecionados para integrar uma exposição temporária a realizar em 2027 pelo Museu de Lisboa – Palácio Pimenta, no âmbito do projeto “Lisboa Africana”. Os objetivos são recuperar a memória e celebrar a relevância das comunidades africanas na construção das culturas e das identidades de Lisboa entre os séculos XVI e XIX, bem como os seus ecos na contemporaneidade.

 

Estatueta de pessoa escravizada com grilheta / Bronze / 987.54.2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escavação da necrópole na Gruta da Galinha, Alcanena, (Santarém) 1908. Chapa de vidro, PB-VI-1142 (13x18), positivo. ADF 86896.01 DIG © MMP, EPE/MNA

ENTRE NÓS

 

A escolha de Carlos Morgado

Integra o serviço de Biblioteca e Arquivo desde 2020, e foi no acervo fotográfico de mais de 66 mil entradas que retirou a sua peça de eleição: uma chapa de vidro que não só regista as práticas arqueológicas de há mais de um século, como se revela um documento de grande interesse sociológico.

 

"No interior de uma gruta, a escuridão envolve os trabalhadores. À esquerda, duas mulheres seguram um refletor montado sobre um carril, procurando conduzir a luz para o seu interior. Embora não possamos vislumbrar, os seus pés descalços apoiam-se diretamente na superfície irregular da rocha, e sustentam o equipamento que permite aos outros avançar no trabalho. Os seus rostos fixam um olhar quase ausente. Em contraste, à direita, dois homens, de chapéu, colete e botas, concentram-se nas tarefas de medição e registo: um, segura uma fita, enquanto o outro, inclinado sobre uma mesa de abrir, toma notas.

Esta fotografia revela mais do que uma escavação. A luz artificial recorta os corpos contra a massa escura da gruta e torna visível a precariedade do cenário e dos instrumentos. A fita mede, a mão escreve, o refletor ilumina; mas a chapa regista também aquilo que os instrumentos não podem medir: o esforço, o cansaço, a dureza do trabalho e os rostos daqueles que, longe da ideia abstrata de descoberta científica, tornaram possível a sua realização. É nesse silêncio que esta imagem permanece: entre a ciência que procura a luz e aqueles que, descalços, a seguram." CM

 

SEM RESERVAS

 

Esta pequena anforeta conta-nos uma história que, nos primeiros séculos da expansão ibérica, atravessa o Mediterrâneo em direção ao Atlântico. Produzida na região de Sevilha, no vale do rio Guadalquivir, foi encontrada por Estácio da Veiga e fez parte do Museu Arqueológico do Algarve até que, em 1894, integrou o acervo do atual Museu Nacional de Arqueologia, testemunhando a importância que a arqueologia de época moderna assumiu desde os primeiros tempos da instituição.

As anforetas são recipientes característicos do período de expansão ibérica, conhecidos na bibliografia anglo-saxónica como olive jars. Eram contentores de uso corrente, fundamentais no transporte e conservação de uma grande variedade de produtos, com uma forma pensada para otimizar o espaço de arrumação a bordo dos navios que percorriam as rotas marítimas de longa distância. Ilustra, assim, muito mais do que a sua função. É um vestígio material de um mundo em movimento, marcado pelas viagens marítimas, pelo comércio e pela circulação de produtos à escala global. JP

 

Anforeta / Séc. XVI–XVII d.C. / Sé de Silves / 16974

 

 

 

 

Braço de estátua / Alto da Charrua, Campo Maior (Portalegre) / Época Romana / 17863

NO LABORATÓRIO: ANTES E DEPOIS

 

Este fragmento de uma estátua em bronze, de coloração acastanhada, apesar de se encontrar com a superfície maioritariamente lisa e conservando o metal original, apresentava também pontos de coloração verde-esbranquiçada, produtos verde-claro pulverulentos e concreções.

 

A intervenção consistiu na limpeza mecânica seguido da inibição da corrosão, da limpeza final, e da aplicação de uma camada de proteção com Paraloid B-72 e cera microcristalina. A remoção dos produtos de corrosão e das concreções permitiu uma leitura significativamente mais clara da superfície, revelando pormenores da modelação anatómica, nomeadamente a definição das articulações

e das veias representadas no braço. RC

INVESTIGADOR DO MÊS

 

Inês Rasteiro, Doutoranda em Arqueologia (FLUC) / Bolseira FCT do programa "Ciência no Património Cultural"

 

1. Sobre o que é a tua investigação?

A minha investigação incide sobre os materiais de construção cerâmicos de época romana do Museu Nacional de Arqueologia (MNA). O principal objetivo é quantificar, inventariar e analisar morfo-tipologicamente esta vasta coleção, construindo um corpus que reúna todos os materiais laterícios e as respetivas marcas (epigráficas, anepígrafas e simbólicas). O trabalho combina o estudo das coleções, a consulta do Arquivo Histórico do MNA e a análise direta dos materiais, permitindo identificar a sua proveniência, contexto arqueológico e distribuição territorial.

 

2. Qual o maior contributo?

 

O maior contributo desta investigação é a valorização científica de uma importante coleção de materiais laterícios romanos, através da sua inventariação, sistematização e contextualização. O projeto tem permitido recuperar a proveniência de materiais anteriormente considerados sem contexto, criar uma base de dados inédita e colmatar uma lacuna no conhecimento da arquitetura e da produção de materiais de construção na Lusitânia romana, disponibilizando um recurso fundamental para futuras investigações em Arqueologia.

 

Figs. 1. e 2.  Inês Rasteiro em trabalho de investigação no MNA.

 

MUSEU EM COMUM

 

A Arqueologia volta à estrada! Em breve, escolas e instituições poderão voltar a requisitar a Maleta Pedagógica, um recurso de educação não formal que alia o rigor científico à componente lúdica, aproximando o público da Arqueologia e do Património. Criada em 2001 por iniciativa de Luís Raposo, a Maleta Pedagógica reúne um conjunto de réplicas de bens culturais da coleção do MNA, dando a conhecer a variedade de povos e civilizações que ocuparam o atual território português ao longo de milhares de anos. Com uma imagem modernizada e novos conteúdos de apoio, cada objeto é uma porta de entrada para mundos de criatividade e histórias de engenho, revelando a relação entre a Humanidade e a Natureza. TC

 

CADERNO DE CAMPO

 

Numa parceria com a Terra das Ideias, estamos a desenvolver uma aplicação web para disponibilizar o registo fotográfico detalhado e o mapeamento georreferenciado da iconografia da ala oitocentista do Mosteiro dos Jerónimos, onde o MNA se encontra instalado.
Este projeto tornou-se possível no âmbito das empreitadas que se encontram a decorrer, pois só com o recurso aos andaimes é possível observar e registar integralmente o programa escultórico, as marcas de canteiro e os graffiti que, por sua vez, só se revelaram na sua totalidade com a limpeza das fachadas.

A equipa não só é, naturalmente, multidisciplinar, congregando especialidades como a História da Arte, a Arqueologia, a Fotografia, a Engenharia Informática, o Design de Interfaces, e a Conservação e Restauro, como tem origem em variadas instituições que se dedicam à salvaguarda do património nacional. Para além da estreita colaboração com a ACA e com a AOF, associaram-se também a este desafio do MNA e da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E., o Património Cultural, IP e o Laboratório de Conservação e Restauro José de Figueiredo.

Trata-se de uma oportunidade única para recolher informação inédita, fundamental para aprofundar a investigação acerca deste complexo monástico. LV 

 

 

À esq: Lúcia Valdevino (MNA), Ana Nunes (Património Cultural, IP) e Ana Machado (Lab. José de Figueiredo). À dta: Diogo e Tiago Raimundo (Terra das Ideias), Patrícia Silva (MNA), Ana Nunes (PC, IP) e Miguel Cardoso (Terra das Ideias).

 

FICHA TÉCNICA

 

Direção
ANTÓNIO CARVALHO

Comunicação
ANDRÉ MURRAÇAS, LÚCIA VALDEVINO   

ANDRÉ MURRAÇAS, ANTÓNIO CARVALHO, CARLOS MORGADO, INÊS RASTEIRO, JOÃO PIMENTA, LÚCIA VALDEVINO, RAQUEL CUNHA, TERESA COSTA.

Design Boletim Digital
OPHELIA

CONTATOS

 

Telefone
+351 213 620 000

geral.mnarqueologia@mnarqueologia.pt

MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA
Praça do Império, 1400-026 Lisboa

 

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