«Dia muito triste para a história regional e
para a Sociedade de Amigos do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior que
refundou e de que foi a primeira presidente», escreveu o Dr. Pedro Salvado,
Director do Museu do Fundão. Faço minhas as suas palavras, acrescentando que também
é de tristeza para Cascais, onde Benedicta
Vieira exerceu, sempre com o maior brilho, a sua profissão de docente, primeiro
no Liceu de S. João do Estoril e, depois, na Secundária de Carcavelos .
À Dra. Benedicta
me ligavam laços de muita amizade, desde os bancos da Faculdade de Letras de
Lisboa, quando, na década de 60, ambos cursámos o Curso de História. Depois,
pelo ensino em Cascais, designadamente na década de 70. Fomos, aliás,
acompanhando o currículo um do outro e recordo que, devido a uma iniciativa inédita
na sua Escola, a entrevistei e à sua equipa, creio que por duas vezes, no Rádio
Clube de Cascais. Seguiu posteriormente para a leccionação
no ISCTE e na sua Faculdade. Voltei a encontrá-la, agora nas lides museológicas,
porque, tendo nascido em 1943, na Póvoa de Rio de Moinhos, concelho de Castelo
Branco, teimou em fazer ressuscitar a Sociedade de Amigos do Museu de Castelo
Branco, como adiante se adirá, na nota biográfica que o Dr. Pedro Salvado teve
a gentileza de me fazer chegar.
À família enlutada apresentamos os mais sentidos pêsames,
numa prece pelo seu eterno descanso.
José d’Encarnação
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NOTA BIOGRÁFICA DE BENEDICTA MARIA DUQUE VIEIRA
Benedicta Maria Duque Vieira e Carmo Ferreira publicou, em 1972, a dissertação de licenciatura, apresentada na Faculdade de
Letras da Universidade de Lisboa, intitulada O
conde de Penha Garcia e a sua Vida Pública - Biografia Política Em
1973, estes factos aceitou o convite de Miriam Halpern Pereira para integrar a
equipa de História que então constituía no ISCTE. Pertenceu ao Conselho
Nacional de Educação (1993/ 1998) e
à equipa de coordenação dos exames
de 12° ano da disciplina de História no GAVE (1995-2001).
A
Dra. Benedicta Vieira foi a grande
impulsionadora da refundação da
Sociedade dos Amigos do Museu de Francisco Tavares Proença Júnior [SAM], de Castelo
Branco, tendo assinado, nesse âmbito, o Manifesto de 2003. Foi, por isso,
fundadora e sócia n.º 2 da SAM; primeira presidente do Conselho Diretor da SAM,
eleito no Dia Internacional do Museu em 2003 e com tomada de posse em 2004,
presidente do C.D. até 2009; sócia honorária da SAM pela “dedicação com que desempenhou as funções de Presidente do
Conselho Diretor e pela colaboração
que sempre continuou a dar aos órgãos diretivos que lhe sucederam”, nomeação aprovada em Assembleia Geral de janeiro de 2011.
Era membro do Conselho Técnico Consultivo SAM desde 2013. Em representação da SAM, Secretária do Conselho Diretor da Federação de Amigos dos Museus de Portugal (FAMP) desde
2017.
Foi
membro, desde a primeira hora, do Centro e da Associação
de Estudos de História Contemporânea Portuguesa. Participou em diversas linhas
de investigação desenvolvidas pelo
CEHC, com estudos no campo da história política e social, de âmbito nacional ou
regional, no período da monarquia liberal.
Terminada
a vida profissional, integrou as equipas de investigação
do projecto da FCT IST: Um século de
existência. Cultura, Técnica e Sociedade (ISCTE-IUL 2007-2010) e a
disciplina de História no projecto internacional Falar Português - reestruturação
curricular do Ensino Secundário-Geral em Timor Leste (Universidade
de Aveiro, 2010-2012), e coordenou a obra colectiva sobre uma aldeia da Beira
Baixa, Póvoa de Rio de Moinhos - Ontem e
Hoje, História e Memória (2012-2014).
Estudos, livros e capítulos de livros:
·
O Conde de Penha Garcia e a sua Vida Pública, Castelo Branco, Ed. Estudos de Castelo Branco, 1972;
·
Introdução à
Social Democracia, Instituto Progresso
Social e Democracia Francisco Sá Carneiro, Lisboa, EPSD, 1987;
·
A Revolução de
Setembro e a Discussão Constitucional de 1837, Lisboa, Ed. Salamandra, 1987;
·
O Problema Político Português no Tempo das Primeiras Cortes
Liberais, Lisboa, Ed. João Sá
da Costa, 1992;
·
A Justiça Civil na Transição
para o Estado Liberal, Lisboa, Ed. João Sá
da Costa, 1993; “A Sociedade: Configuração
e Estrutura” in A. H. de Oliveira Marques (dir.), Portugal e a Instauração
do Liberalismo, volume IX de Nova História de Portugal, Lisboa, Ed.
Presença, 2002.
·
A
Formação da Sociedade Liberal, Lisboa, Ed.CEHCP/ISCTE, 2005;
·
"Cronologia
biográfica" in Dar Voz à Memória -
Padre Aleixo Cordeiro, um Prior Construtor de Comunidades, Cascais,
Principia Editora, 2010;
·
"Da
Boa Vista para o Arco do Cego”, "Vis-à-vis da Fonte Luminosa”,
“As torres de vidro" in Jorge F. Branco (ed.) Visões do Técnico, no Centenário 1911-2011,
Lisboa: ISCTE-IUL. 2013 [em linha] https://repositorio.iscte.iul
pt/handle/10071/4497.
·
"Depois
da Revolução Liberal, continuidades
e rupturas política, sociedade e economia', in Póvoa
de Rio de Moinhos - Ontem e Hoje. História e Memória, Castelo
Branco, RVJeditores, 2014;
·
O Centenário do Instituto Superior Técnico e outras
Circunstâncias, CEHC-IUL, Lisboa,
RVJeditores, 2014.
·
Foi
coordenadora do Dicionário do Museu de
Francisco Tavares Proença Júnior. Cem anos de História Cultural,
SAM, 2019, lançado em Castelo Branco no passado dia 18 de Maio – Dia
Internacional dos Museus.