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[Museum] sobre o Aluguer de monumentos e museus

To :   Luís Raposo <3raposos@sapo.pt>, museum <museum@ci.uc.pt>, archport <archport@ci.uc.pt>, histport <histport@ml.ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] sobre o Aluguer de monumentos e museus
From :   Franklin Pereira <frankleather@yahoo.com>
Date :   Mon, 26 Jun 2017 21:04:51 +0000 (UTC)

Sobre outro financiamento de museus, gostaria de referir o preço das imagens de peças dos museus nacionais: a minha cruz começou há quase 30 anos, primeiro como professor de cursos profissionais do IEFP - prometeram, fui de Braga a Lisboa, e nada consegui; só como bolseiro da F. Gulbenkian em 97-98 é que me foi permitido fotografar, mas não consegui que o Museu de Etnografia seguisse o doc da tutela: barrou-me realizar fotos... Não tenho muito tempo nem paciência para rever as histórias, que escrevi basicamente no texto "O proxenetismo cultural em Portugal: uma experiência directa"; saiu no jornal A Página da Educação, não vou agora precisar a data, mas creio que nos anos 90 iniciais. Quando estava a tratar das imagens para o meu livro "O couro lavrado no mobiliário artístico" (2000), Ed Lello, uma editora desonesta do Porto, o preço das imagens era de 100 €, e daí nenhuma que incluí pertencer ao então IPPC ou IPM ou DGCP. Na altura comprei imensas dos arquivos belgas - só guadamecis - por um preço decente e barato (creio que 100 €), e cadeiras lusitanas em NY, Offenbach, Londres, Fontainebleau, Vic/Barcelona, Brasil,... que publiquei no citado livro, em maioria oferecidas, e 81 dólares  as compradas ao Metropolitan. Ano passado comprei 2 imagens de raros guadamecis clássicos ibéricos no PNAjuda por 35€ cada, mais IVa (já estão mais baratas!), que demoraram 18 meses a chegar (o fotógrafo do Arquivo museológico trabalha muiiito longe...) - uma exorbitância, segundo uma amiga londrina, mas desta vez teve de ser e ainda não as usei. Já não tenho idade para achar que é por bem ou sequer normal, mas apenas que é de propósito : mentes retrógradas e pobres querem manter o conhecimento fechado numa seita (vulgo corporação de interesses), que não faz/não sabe nem deixa investigar um património que é de todos e merece ser divulgado.

Franklin Pereira, gravador de couros, guadamecileiro e investigador do Artis-FLUL



From: Luís Raposo <3raposos@sapo.pt>
To: museum <museum@ci.uc.pt>; archport <archport@ci.uc.pt>; histport <histport@ml.ci.uc.pt>
Sent: Monday, 26 June 2017, 11:36
Subject: [Archport] Aluguer de monumentos e museus



Aluguer de monumentos e museus: Contam pouco nas receitas do património

Hoje no Publico, uma interessante reportagem, tanto pelo que revela como pelo que não revelando, descobre. Ou não será a informação de que o aluguer de espaços em monumentos e museus representa “apenas” 2,22% das receitas gerais arrecadadas nesses espaços pela DGPC uma inadvertida confissão da “economia informal” que neles existe? A dúvida é legítima. Por outro lado, importaria neste domínio ter análise mais fina, monumento a monumento, museu s a museu. Na mesma notícia, por exemplo, o director do Palácio Nacional da Ajuda, diz que a receita do aluguer de espaços “não é nada irrelevante”.
O aluguer de espaços, em si mesmo, não é criticável. Importa é saber “como” (condições de segurança, nomeadamente), “para quê” (adequação ao “espírito do lugar, nomeadamente) e com que consequências ele é feito, tendo em conta o normal serviço público dos monumentos e museus. Tão grave quanto alugar um monumento para promover actividades (“eventos”, diz-se agora) impróprias da dignidade do espaço ou potencialmente perigosas é, em meu entender, impedir ou dificultar a fruição pública do mesmo por parte dos visitantes, que deverão sempre constituir o centro de qualquer programação. Um exemplo apenas: Durante muito tempo ninguém pôde tirar uma fotografia da Torre de Belém sem levar também nela um colar de Ana Vasconcelos; não se tratou de “performance” pontual de um dia ou um fim-de-semana – o que em si já seria discutível, mas talvez aceitável. Não, tratou-se de pura e simplesmente desapossar muitas centenas de milhares de pessoas da possibilidade de verem e registarem o monumento em si mesmo – o que considero ser intolerável.

Aluguer de monumentos e museus: Contam pouco nas receitas do património

Hoje no Publico, uma interessante reportagem, tanto pelo que revela como pelo que não revelando, descobre. Ou não será a informação de que o aluguer de espaços em monumentos e museus representa “apenas” 2,22% das receitas gerais arrecadadas nesses espaços pela DGPC uma inadvertida confissão da “economia informal” que neles existe? A dúvida é legítima. Por outro lado, importaria neste domínio ter análise mais fina, monumento a monumento, museu s a museu. Na mesma notícia, por exemplo, o director do Palácio Nacional da Ajuda, diz que a receita do aluguer de espaços “não é nada irrelevante”.
O aluguer de espaços, em si mesmo, não é criticável. Importa é saber “como” (condições de segurança, nomeadamente), “para quê” (adequação ao “espírito do lugar, nomeadamente) e com que consequências ele é feito, tendo em conta o normal serviço público dos monumentos e museus. Tão grave quanto alugar um monumento para promover actividades (“eventos”, diz-se agora) impróprias da dignidade do espaço ou potencialmente perigosas é, em meu entender, impedir ou dificultar a fruição pública do mesmo por parte dos visitantes, que deverão sempre constituir o centro de qualquer programação. Um exemplo apenas: Durante muito tempo ninguém pôde tirar uma fotografia da Torre de Belém sem levar também nela um colar de Ana Vasconcelos; não se tratou de “performance” pontual de um dia ou um fim-de-semana – o que em si já seria discutível, mas talvez aceitável. Não, tratou-se de pura e simplesmente desapossar muitas centenas de milhares de pessoas da possibilidade de verem e registarem o monumento em si mesmo – o que considero ser intolerável.

https://www.publico.pt/2017/06/26/culturaipsilon/noticia/alugueres-ainda-contam-pouco-nas-receitas-do-patrimonio-1776881



"Tout va très bien", senhor ministro

No mesmo jornal e na mesma oportunidade, um texto de opinião meu, por convite da direcção do jornal, sobre "os casos" recentes do património cultural e dos museus,onde a questão dos alugueres também está referida.


https://www.publico.pt/2017/06/26/culturaipsilon/noticia/tout-va-tres-bien-senhor-ministro-1776854
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