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[Museum] FW: Porquê? Porque faltam em Portugal essas Exposições?

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] FW: Porquê? Porque faltam em Portugal essas Exposições?
From :   "PedroManuelCardoso" <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Wed, 30 Aug 2017 15:02:42 +0100

 

Porque não experimentar?

Porque não oferecem (cedem por um prazo de cinco anos, renovável) um Espaço para fazer isso? E colocam lá uma Equipa, com autonomia e orçamento, capaz desse Desafio Cultural.

Por exemplo, através de uma Parceria entre os Donos-do-Território. Refiro-me aos principais detentores de território em Lisboa. Concretamente, o Estado (incluindo a DGPC através do «poder dos “Pareceres”»), Câmara Municipal de Lisboa, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, e o Patriarcado. Ou através do altruísmo de uma Fundação vocacionada para a Cultura.

Um Projeto que decerto se transformaria numa Incubadora de Cultura, e até talvez um Sítio atraente enquanto Destino Cultural.

Seria um Bom Serviço que prestariam ao Património e à Cultura.

É triste e monótono o facto de quase todos os espaços culturais (ditos “nobres”) estarem atualmente ocupados com exposições de arquitectura e design a pretexto do Património; ou presos à obrigatoriedade de expor uma determinada Colecção.

Em nome dessa enorme parte da Cultura e do Património que não é apenas arquitectura e design, que foi silenciada e afastada da Agenda Cultural e Científica, à qual impuseram os ditames conjunturais e efémeros de uma estética-de-época igual em todo o lado, fruto de uma competição entre portefólios de apenas uma profissão.

Talvez merecesse a pena. Recuperar para o Património o Fazer Humano artístico e antropológico do Presente, como Isabel Victor disse.

Pedro Manuel-Cardoso

 

De: Isabel Victor [mailto:isabelvictor150@hotmail.com]
Enviada: quarta-feira, 30 de Agosto de 2017 09:57
Para: PedroManuelCardoso
Assunto: Re: [Museum] Porquê? Porque faltam em Portugal essas Exposições?

 

Questão muito pertinente e inquietante. De facto acho que se trata de insegurança e de falta de diálogo interdisciplinar. 
As nossas instituições de natureza museologica e/ou patrimonial são muito hierarquizadas e muito formatadas. 

A questão centra-se, a meu ver, nos centros de decisão. 

 

Uma atitude formatada e canónica, muito presa a "compêndios" disciplinares , em que o contentor e a parafernália  instrumental se sobrepõem claramente ao conteúdo. 

 

Posso falar de casos concretos e nem vou falar do V&A  que a meu ver é um excelente exemplo de museu capaz de trazer inovações disruptivas às exposições, transformando a comunicação e a forma de pensar e sentir ( sobretudo de sentir e a vontade de interagir) , mas vou falar dos casos com mais de duas décadas de museus nórdicos, cado da Suécia , que tive o privilégio de conhecer pelo olhar do grande Per Uno Agren , amigo que já partiu mad que deixou uma extensa reflexão e pratica sobre matéria de museus e exposições e a sua relação com as pessoas e com questões que de prendem com a vida , os problemas que a vida nos coloca e a capacidade de inventar e transgredir do ser humano. 

 

Como dizia o Vinicius de Morais em célebre tertúlia de poetas e músicos em casa da Amália, "os portugueses têm que se desengravatar". 

 

Romper amarras , saltar fora. Ousar dialogar , experimentar, fazer diferente e próximo. Mas para isso têm ( temos ) que nos " desengravatar " e esta palavra tem também um peso de género que tem pesado. 

 

Expôr vs expor-(se) 

 

Saudações 

 

Obrigada 

 

iv

 

 

Enviado do iPhone 


No dia 30/08/2017, às 00:39, PedroManuelCardoso <mty@mail.tmn.pt> escreveu:

 

            A Arte e a Antropologia estão a proporcionar novos tipos de Exposição nos países mais desenvolvidos tecnologicamente. Parece haver uma necessidade de questionamento do Fazer (Arte) e do Humano (Antropologia) que compele tanto quanto o impulso para essa novidade e transformação (física e biotecnológica).

            São Exposições ousadas e desafiantes. Em redor de temas e problemas que questionam o presente e o futuro do nosso viver coletivo. Que prescindem cada vez mais do poder imperial e colonialista do design e da arquitectura sobre o Património. Que abrem nos museus um novo espaço de trabalho. E obrigam os Profissionais do Património (patrimólogxs, museólogxs, curadores, mediadores, arquivistas, documentalistas, bibliotecárixs, conservadores, e outros) a um novo posicionamento e a uma nova interdisciplinaridade.

            Quando relemos as revistas Museum News (da Associação Americana de Museus) e Museum International (do ICOM) publicadas entre 1987 e 1997 em busca dos antecedentes desta Mudança encontramos mais do que seria de supor. Nessa altura eram opiniões e projeções consideradas fantasiosas e desligadas da «realidade prática». Hoje, porém, a fantasia pertence a quem ficou preso nesse realismo prático de antanho.

            Porque em Portugal, nos referidos museus de arte e de antropologia, não ocorre esse tipo de Exposições? Será porque não temos o mesmo desenvolvimento científico e tecnológico? Os departamentos de letras e de ciências sociais e humanas das universidades portuguesas, que deram um valioso contributo nos anos 80 e 90 do século passado, terão desistido de desenhar a interpretação do Fazer Humano nas expografias atuais?

Talvez a razão para esta ausência esteja algures, noutro tipo de inércia que escapa.

Pedro Manuel-Cardoso

 

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