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[Museum] Re Desafios dos Museus em 2020

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Re Desafios dos Museus em 2020
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sat, 4 Jan 2020 16:27:46 +0000

 

O maior desafio dos Museus, talvez seja, vencerem a sua vaidade e o seu egocentrismo.

Recusarem mudar e transformar o seu estatuto [enquanto «entidade institucional que se apresenta como um tôdo à Sociedade», representada pelas suas inúmeras organizações de classe (comités, associações, movimentos)]. Recusarem a mudar de sítio, de infraestruturas, de espaço e de tempo.

Alcançaram um tal peso burocrático e institucional que se acharam acima e à parte do mundo e da vida [empregam tantas Pessoas; deixaram-se capturar de tal modo pela arquitectura e pelas infra-estruturas da construção civil; pelo classifiquismo; mas também, pelas agendas políticas de diversas ideologias e movimentos sociais; deixaram que os usassem para tudo e qualquer coisa].

Perdoe-me, o Luís Raposo, mas até chegam a achar que, “aquilo que os individualiza”, é diferente dos arquivos, biblioteca e bases-de-dados.

Ou seja, esqueceram aquilo que os justificou em termos Humanos.

Nessa deriva, até esqueceram o maior desafio científico e humano, e a maior dádiva e altruísmo que realizava o exercício profissional e vocacional de muitos que punham a sua vida ao seu serviço. A tarefa de “guardar, num sítio protegido, aquilo que os seres-humanos consideravam o mais Relevante para transmitir às gerações seguintes”. No turbilhão hedonista, consumista, panfletário e egocêntrico em que se deixaram cair, esqueceram a sua principal missão. Ao fazerem-no, entraram-lhes pela porta dentro uma turbamulta de gentios e tarefeiros desejosos de emprego e rendimentos.

Esqueceram o contributo eucariote para a Continuidade (que começou, muito antes da actual narrativa sobre si próprios, baseada nos edifícios e nas coleções; aquela que escreveram nos imensos livros de museologia, num uníssono ideológico caricato, que tem por referência a Revolução Francesa do séc. XVIII). Esqueceram que, eram um mero operário, entre outros, do Projeto Patrimonial da Humanidade; sem quaisquer privilégios ou supremacia em relação à Conservação, Arquivos e Bibliotecas.

O que mudou --- e que os Museus não consideraram nas recentes discussões sobre os “Desafios para o séc. XXI” (Quioto, et alli) --- foi ter mudado o modo (técnico, tecnológico e científico) de prestar o serviço que lhes cabia prestar à Humanidade. Hoje, há Arquivos e Bibliotecas (Bases de Dados e de Meta-dados) muito mais bem preparados, quer a nível de recursos humanos qualificados em STEM, quer técnica e cientificamente, para cumprirem essa missão pública. Evidentemente que, também há alguns Museus que nunca perderam o rumo (poucos, quase nenhuns em Portugal).

Há uma reforma que urge. Ela está à frente dos olhos. Como dizia alguém, há muito tempo, é necessário reunir todas as tribos do Património.

Há mais de uma década que venho dizendo que a solução para os tais Desafios, antes de todas outras medidas, passa por três trabalhos: 1. A decisão de substituir a designação ICOM por Comité Internacional do Património; 2. Elaborar o Léxico de Patrimologia (um guia teórico, conceptual e metodológico para orientar a Prática, que substitua a incompetência do ICOFOM); 3. Encetar uma Reforma Organizacional dos Serviços do Estado responsáveis pelo Património.

Até lá, serão apenas palavras, e só palavras, sem qualquer consequência.

Talvez, o maior desafio dos Museus esteja dentro deles, e não nas mudanças do mundo (incluindo o Estado) e da vida que culpam.

Pedro Manuel-Cardoso

 





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