Olá, bom dia! Conheci o João Ministro quando ele ainda era um jovem estudante de Engenharia do Ambiente da Universidade do Algarve, no final dos anos 90, quando fui fazer uma reportagem sobre observação de aves no Caniçal de Vilamoura. Eu trabalhava no Diário de Notícias e já havia então intenções de destruir o caniçal de Vilamoura com construções. Na altura, pouco se falava ainda de sustentabilidade e o greenwashing, ou seja, a lavagem de imagem que muitas empresas fazem armando-se em grandes defensoras do ambiente, ainda não estava na moda (embora já existisse). Lembro-me que o João Ministro, jovem de uns verdes 20 aninhos, já então falou, alto e bom som, contra a destruição dos valores ambientais em nome da especulação imobiliária que havia de tomar conta de Vilamoura (se fosse só aí…) nos anos seguintes. Fui depois acompanhando o seu percurso, primeiro numa associação ambientalista algarvia, a Almargem, onde foi um dos pais da Via Algarviana. Esteve ainda ligado ao Projeto Querença, uma bela utopia de desenvolvimento rural que, no início deste século tomou conta dessa aldeia do interior do concelho de Loulé. Esteve depois ligado à criação da Cooperativa QRER, filha desse projeto. E foi nesse âmbito que criou o primeiro festival de caminhadas do Algarve (e do país), o do Ameixial. Tornou-se ainda empresário dinâmico na área do Turismo de Natureza, bem como gestor de projetos ligados ao desenvolvimento do mundo rural. Sempre sem medo de dizer o que pensa, mesmo que isso lhe possa trazer dissabores e inimizades, o João foi uma das pessoas que esteve na génese da atual atenção que até a Região de Turismo do Algarve dá ao Turismo de Natureza. O João sempre se regeu pelo princípio do “antes quebrar que torcer”. E calculo que esteja um bocado farto de ouvir tanta gente a falar de natureza, turismo de natureza, sustentabilidade, etc, etc, mas não passar das bonitas palavras. Já temos falado sobre isso várias vezes, por exemplo quando nos encontramos nas conferências, debates, tertúlias e sessões para as quais somos frequentemente convidados para falar sobre tudo isso… Parole, parole, parole, já cantavam Mina Mazzini e Alberto Lupo nos anos 70. Palavras leva-os o vento, salienta o dito popular.
Por tudo isto, acho que o Prémio Alumni que foi entregue ao João Ministro pela Universidade do Algarve lhe assenta como uma luva. Leia aqui a reportagem que o Hugo escreveu sobre a entrega deste galardão ao João. |