Sinopse
«Em 1756, após perder as instalações na Igreja de Santa Justa, danificada no sismo de 1755, a corporação dos músicos de Lisboa vem instalar-se na zona do Chiado. Primeiro na Igreja de São Roque, depois na Basílica dos Mártires.
O Chiado, pós-Terramoto de 1755, ir-se-á transformar no centro verdadeiramente cosmopolita da capital. Botequins italianos, teatros, salas de concertos nos espaços comerciais, lojas de venda de música e instrumentos, músicos estrangeiros oriundos de diversas partes do mundo que ali se hospedam e outros nacionais que se mudam para perto da sua associação de classe e das orquestras dos teatros. A 5.ª colina da cidade de Lisboa tornou-se um espaço artístico e cultural vibrante e a presença da corporação dos músicos no local foi parte activa nessa transformação.
No final do século XVIII, já todo o Chiado e a área envolvente se transformaram no quarteirão da música. Entre os finais do século XVIII e ao longo de todo o século XIX, reúnem-se no Chiado o Teatro de São Carlos, diversos teatros e academias. As cinco igrejas locais (São Roque, Encarnação, Loreto, Mártires e Sacramento) representam a forte presença da música sacra no local, indissociável do ritual litúrgico.
A execução das obras antigas sobrevive por mais meio século aos ventos de mudança da revolução liberal, que, em 1834, retirou às irmandades o controlo das classes profissionais. Os músicos conseguiram manter-se associados, adaptando-se ao culturalmente disruptivo século XIX e com isso, preservaram o controlo do repertório religioso por mais meio século.».
«Ana Paula Tudela é investigadora
no domínio da História de Arte na Universidade Autónoma de Lisboa entre 1997 e 2003 e no Centro de Estudos de História Empresarial, na mesma universidade, entre 2001 e 2010. Coordenou os Serviços Educativos do Museu da Música de 2000 a 2002, entidade com a qual continua a colaborar como investigadora independente. Entre 2002 e 2010, comissariou as exposições: “Michel Angelo Lambertini: 1862-1920” em 2002, “Irmandade de Santa Cecília – Olhares Sobre um Arquivo” em 2010 e, no mesmo ano, “TEMPOS E CONTRATEMPOS – Expectativas e Realidade na Criação de um Museu Instrumental durante a 1.ª República” no âmbito das comemorações do 100.º da 1.ª República Portuguesa. Desde 2003 desenvolve estudos no domínio da História Social da Arte, biografando construtores de instrumentos musicais de diversas especialidades. É responsável pelos arquivos históricos da Basílica de Nossa Senhora dos Mártires e da Igreja do Santíssimo Sacramento e Juíza da Real Irmandade de Santa Cecília.».
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