Bom dia! A relação das cidades e vilas algarvias com o seu património industrial nem sempre é a melhor. Ao longo dos anos já vi desaparecer muitas antigas fábricas que, com o passar das décadas, por vezes dos séculos, foram "engolidas" pelo expandir das localidades ou que foram originalmente construídas dentro da malha urbana e entretanto abandonadas. No Algarve, muito desse património está ligado à indústria conserveira ou ao mar. Com mais ou menos expressão, todas as vilas e cidades do litoral tiveram ou ainda mantêm indústria ligada ao mar e às pescas. Mas se há bons exemplos de recuperação deste património para o colocar ao serviço de todos - assim de caras, recordo o caso do Museu de Portimão, que ocupa o espaço da antiga fábrica Feu Hermanos -, também não faltam exemplos de antigas áreas industriais que deram lugar a empreendimentos turísticos - o Vila Galé Albacora, antigo Arraial Ferreira Neto é um bom exemplo - mas também imobiliários - ainda há bem pouco tempo demos conta do mega projeto que está previsto para a velhinha moagem de Faro. Embora não seja ingénuo e perceba que o elevado potencial de valorização económica de algumas destas antigas fábricas - principalmente aquelas que se situam, como a antiga moagem, em zonas onde o preço por metro quadrado é muito alto - é por demais tentador, confesso que gostaria de ver mais vezes antigas fábricas transformar-se em espaços culturais ou ao serviço da comunidade - equipamentos públicos em geral. Fiz esta reflexão porque o nosso destaque matinal fala, precisamente, do desaparecimento de mais uma antiga fábrica, para dar lugar a um empreendimento. Neste caso falo da antiga fábrica conserveira de São José, em Portimão, que irá desaparecer para dar lugar a apartamentos de luxo. ![]()
[…] Tenha uma excelente sexta-feira! |