Olá, bom dia! Finalmente! Foi isto que eu exclamei quando soube que Lagoa, o meu concelho, vai ter, finalmente!, um Museu Arqueológico. E finalmente, porquê? Porque este é um muito antigo sonho meu e de muitos lagoenses. Quando ainda era uma simples estudante do Secundário, lá por 1979 ou 1980, fundei, com alguns amigos e amigas, aqui em Lagoa, um jornal que se chamava «A Árvore» e era feito à mão. Não havia computadores, nem nós tínhamos dinheiro para pagar a uma gráfica. Os artigos eram batidos à máquina, em colunas estreitas por aí abaixo, ao longo de uma folha de papel, depois recortados e colados numa folha A3, para simular as colunas de jornal. Também as fotografias e outras imagens eram coladas nessa folha. Os títulos eram feitos, pacientemente, à mão, com escantilhões (os mais velhos sabem do que estou a falar) ou letras autocolantes, que se compravam na papelaria. Depois, tudo isso era fotocopiado, para que o jornal tivesse um ar aceitável e parecido a um jornal impresso. As cópias eram vendidas a amigos e familiares, porque toda a operação tinha custos. E foi nesse jornal «A Árvore» que eu publiquei um dos meus primeiros artigos jornalísticos, precisamente sobre o Museu de Arqueologia que, por esses dias, estava a ser idealizado para o antigo Depósito de Água, junto à Igreja Matriz de Lagoa, edifício onde hoje funciona o Arquivo Municipal. As peças principais desse Museu eram alguns dos imponentes Menires da Caramujeira. O projeto estava a cargo do então jovem arquiteto Mário Varela Gomes que, com dois outros arqueólogos, tinha descoberto e escavado esses menires, em 1973 e 1974. (infelizmente, não guardo nenhum exemplar desses jornais feitos à mão) Mas o projeto nunca passou disso mesmo. (E nem vos conto o que aconteceu a alguns dos menires milenares, que, deixados à guarda da Câmara de Lagoa, nos anos 80 e 90, serviram de mesa de almoço para os trabalhadores camarários, enchendo-se de nódoas de gordura e acabaram mesmo por ser partidos. Mas isso é outra história…) Entretanto, durante quase cinquenta anos, nunca mais se voltou a falar de um museu de arqueologia em Lagoa.
Em Janeiro de 2019, fui, enquanto munícipe, assistir e participar num debate promovido pelo então presidente da Câmara (Francisco Martins) sobre aquilo que se apresentava como “MuCid | Museu dos Movimentos Sociais e Políticos e da Cidadania”. Nessa sessão, perguntei ao autarca porque não se criava, em Lagoa, um museu de arqueologia, para mais quando este é, reconhecidamente, um concelho com um importante e bem documentado património arqueológico. E a resposta não podia ter sido mais elucidativa do grau de desconhecimento sobre o que é e para que serve o património. Foi-me dito (as palavras não são ipsis verbis, mas andam lá perto) que não valia a pena fazer um museu de arqueologia em Lagoa, porque Silves já tinha um e Portimão também. “Aqui em Lagoa, queremos fazer um projeto diferente”, o tal MuCid (entretanto despromovido para Casa da Cidadania, uma vez que, de museu, o seu projeto tinha muito pouco…). Foi preciso que a reação dos cidadãos (entre os quais me incluo) e de técnicos do Município da área do património, a mudança de líderes autárquicos e a urgência de uma intervenção arqueológica subaquática no rio Arade levasse a Câmara de Lagoa a ganhar juízo e mudar de rumo. E é sobre o futuro Museu Arqueológico de Lagoa que vos falo esta manhã, neste artigo que aqui podem ler. Além de ser uma boa notícia, que me enche de alegria, é também um sinal de que Lagoa deixou de vez de estar de costas voltadas para o vizinho concelho de Portimão, como aconteceu em tempos recentes, com outros autarcas à frente de ambos os Municípios. Também aqui se ganhou juízo! E uma nota curiosa: o projeto do novo Museu de Arqueologia de Lagoa é da autoria do agora já não tão jovem Mário Varela Gomes. […] |