| Museu Nacional de Arqueologia |
|
| |
|
A execução do PRR chegou o fim, mas a obra de remodelação do Museu continua, agora com a Museus e Monumentos de Portugal, EPE, a assumir a direção da obra. Isto significa um acréscimo de responsabilidade para a equipa do MNA, traduzindo-se, na prática, num papel mais participativo na gestão deste processo. Paralelamente, continuaremos a apresentar programação e atividades de mediação para que o público reforce, cada vez mais, a sua ligação ao Museu. O trabalho desenvolve-se em múltiplas frentes e em várias geografias – em novembro inaugura uma nova exposição internacional no Museo Nacional de Arte Romano, em Mérida, na qual participamos –, mas o objetivo é sempre o mesmo: a reabertura do Museu ao público o mais rapidamente possível. Dividimo-nos entre cadernos de encargos, indispensáveis para o lançamento dos concursos públicos internacionais; a monitorização do edifício, até ao início da 2.ª fase; a execução de intervenções específicas, como o restauro dos painéis do teto do piso 1; a contínua preparação do programa expositivo; a indispensável recomposição da equipa; o trabalho diário de conservação, investigação e divulgação do acervo; mantendo, ao mesmo tempo, o "Museu Aberto para Obras", dando continuidade ao trabalho de comunicação e programação cultural iniciado em 2022, quando o Museu encerrou. Estamos cada vez mais perto do novo Museu Nacional de Arqueologia. António Carvalho Diretor |
|
|
|
Vista do MNA, já sem as gruas, a partir do Padrão dos Descobrimentos. Foto: Rita Matos |
|
|
|
ARQUEOLOGIA CLÁSSICA HOJE com ANDRE SIMÕES |
|
|
|
|
O Museu Nacional de Arqueologia, em parceria com André Simões, estreia, no dia 15 de outubro, a série «Arqueologia Clássica Hoje». Os cinco episódios, disponíveis nas redes sociais do Museu, partem de bens culturais arqueológicos do acervo, organizando-se em torno de temas como a infância, a educação, o casamento e a morte. O primeiro episódio aborda algumas superstições associadas ao nascimento. André Simões, especialista em cultura clássica, descodifica as histórias e as simbologias associadas aos artefactos, dando a conhecer as tradições e os costumes vividos pela sociedade romana. Que amuletos protegiam as crianças? Como se ensinava a escrever? Como se preparavam as jovens mulheres no dia do casamento? Que rituais se cumpriam nas cerimónias fúnebres? «Arqueologia Clássica Hoje» é uma oportunidade para (re)descobrir a coleção do MNA, desta vez pelo olhar e pelas palavras de um reconhecido professor e investigador. Parceria: André Simões / Associação Clenardus: Promoção e Ensino da Cultura e Línguas Clássicas (FL-UL) Realização: Três Vinténs |
|
|
|
Dia 21 de novembro estreamos também um Magazine na Rádio Freguesia de Belém. Com moderação de Nair Alexandra, do Grupo de Amigos do Museu, os quatro programas mensais reúnem vários intervenientes na 1.ª fase de remodelação do Museu para conversar sobre temas como a arqueologia preventiva, a segurança no estaleiro e os desafios e oportunidades das empreitadas de construção civil e de conservação e restauro. A emissão é sempre às 11h, em https://radiobelem.jf-belem.pt/ Programa 1 / 21 out. – António Carvalho (Diretor do MNA) e Pedro Pinto (Diretor de Produção da ACA). Programa 2 / 18 nov. – Paulo Freitas (Fiscal de Segurança da PMT) Programa 3 / 16 dez. – Teresa Carrilho Ferreira e Marco Costa (AOF Conservação e Restauro) Programa 4 / 13 jan. – João Pimenta (MNA) e Miguel Almeida (arqueólogo, Dryas Octopetala) Parceria: Junta de Freguesia de Belém |
Pedro Pinto, Diretor de Produção da ACA, e António Carvalho, Diretor do MNA, no estúdio da Rádio Freguesia de Belém. |
|
|
|
XVI CONGRESSO DE ARQUEOMETRIA Sérgio Gonçalves e Márcia Vilarigues (da FCT), e Patrícia Batista e António Carvalho (do MNA) são os autores da comunicação «Da coleção ao modelo digital: a experiência do projeto HEDGE na digitalização 3D de bens arqueológicos do Museu Nacional de Arqueologia», que será apresentada, dia 4 de novembro, no encontro que decorre em Vitoria-Gasteiz, com organização da Universidad del País Vasco/Euskal Herriko Unibertsitatea (Espanha). No MNA, a componente de digitalização 3D contemplou 1081 bens culturais, recorrendo a técnicas de documentação em 3D como a fotogrametria e a luz estruturada, definidas em função das características materiais, morfológicas e dimensionais dos objetos. A seleção incidiu maioritariamente sobre bens culturais classificados como bens de interesse nacional e sobre conjuntos com potencial de integração em futuras iniciativas de investigação, comunicação e exposição. |
|
| |
|
A escolha de Raquel Cunha Conservadora-restauradora no Laboratório de Conservação e Restauro, dedica-se sobretudo à conservação de materiais arqueológicos metálicos. Entre as peças que passaram recentemente pelas suas mãos, escolheu esta espada do século XVIII, em liga de ferro e liga de cobre, porque representa aquilo que mais a entusiasma na conservação e restauro: a possibilidade de um objeto aparentemente simples esconder informação que só se torna visível à medida que é intervencionado e estudado. Na lâmina encontram-se gravadas, em faces opostas, as inscrições “VIVA + DOM + JOÃO + QVINTO +” e “REY DE PORTUGAL(?) +”. Algumas das letras conservavam ainda pequenos fragmentos de um metal mais nobre, possivelmente uma fina chapa de liga de prata dourada, utilizada originalmente para realçar as inscrições. O processo obrigou, assim, a olhar para a peça de forma diferente e a adaptar continuamente o tratamento ao que ia sendo descoberto. É essa relação entre matéria, técnica e história — e a possibilidade de recuperar informação sem apagar os sinais da passagem do tempo — que torna o trabalho sobre os metais especialmente interessante. RC |
Espada / séc. XVIII d.C. / Aquisição 1914 / ETNO 4947 |
|
|
|
Cunhada na antiga cidade de Alcácer do Sal, esta moeda apresenta, num dos lados, a cabeça de Hércules, lendo-se a legenda latina ODACIS.A. No outro, dois atuns envolvem o nome da cidade, BEVIPO, inscrito em caracteres pré-romanos. A escolha destas imagens não é casual. A cunhagem reproduz os tipos monetários da antiga colónia fenícia de Gadir/Gades (Cádis), revelando a permanência de uma tradição cultural e iconográfica de matriz fenícia num território onde novas influências se faziam já sentir. Mas é sobretudo na escrita que esta moeda ganha uma particular importância. O nome indígena da cidade surge em caracteres pré-romanos, testemunhando a continuidade da denominada escrita do Sudoeste, uma tradição epigráfica que conhecemos sobretudo através das estelas e que aqui surge num contexto inesperado: uma moeda. Isto demonstra que esta escrita se manteve viva até à fase da conquista romana, coexistindo com o latim. O nome da cidade, BEVIPO, conserva os caracteres pré-romanos, enquanto o nome do magistrado, apesar da sua origem indígena, surge já escrito em alfabeto latino. Esta moeda encerra, assim, um testemunho singular de um período de transformação. Nela convivem diferentes tradições culturais, formas de representação e sistemas de escrita, revelando um momento em que o mundo indígena e o mundo romano começavam a escrever — literalmente — uma nova história. JP |
|
| Asse cunhado em Bevipo (ou Ketouibon) com cabeça de Hércules / Séc. II – I a.C. / Castelo Velho, Miróbriga (Santiago do Cacém) / 2006.54.1 |
|
|
|
| NO LABORATÓRIO: ANTES E DEPOIS |
|
A intervenção de conservação e restauro só permitiu a reconstrução parcial desta taça de vidro. Ainda assim, garantiu-se a sua estabilidade estrutural e a consequente leitura e compreensão da forma original. Os fragmentos que não foi possível integrar estão acondicionados e guardados juntamente com este bem cultural de rara morfologia. Investigações recentes atestam a produção desta forma em vidro, denominada "Taça de bordo tubular em aba com repuxados", na zona de Bracara Augusta, onde surge representada. MS / JP |
|
|
|
(1, 2) Taça em vidro com bordo / Torre de Palma, Monforte / séc. IV – V d.C. / 2000.295.2 (3) Desenho de protótipo de "Bracara Augusta". |
João Caia, Doutorando em História e Filosofia da Ciência – especialização em Museologia, na Universidade de Évora / Bolseiro FCT do programa "Ciência no Património Cultural".
Sobre o que é a tua investigação? A minha investigação intitula-se "Construção da Egiptologia e das Coleções Egípcias em Portugal (1850-1930): cultura e poder no colecionismo transnacional da família real" e parte do interesse europeu pela civilização do Antigo Egito, que foi crescendo a partir da segunda metade do século XIX. Os museus europeus começaram a constituir as suas coleções egípcias, influenciados pelo interesse cultural das elites, o que se traduziu em práticas de colecionismo. Portugal não foi exceção, tendo a família real portuguesa assumido a liderança na aquisição de centenas de objetos do Antigo Egito. O seu papel será decisivo para compreender a realidade das coleções egípcias em Portugal, a dinâmica do conhecimento sobre a egiptologia que proporcionou no início do século XX, bem como as relações culturais e de poder ainda hoje impressas nas coleções egípcias, e especificamente na do Museu Nacional de Arqueologia, beneficiário da maior coleção egípcia, também proveniente do processo de Arrolamento dos Paços Reais, que aqui se pretende investigar profundamente. Qual o maior contributo?
O maior contributo desta investigação será mapear a realidade das coleções egípcias em Portugal, identificando os intervenientes, as rotas, os padrões de proveniência e as tendências materiais; compreender a dimensão transnacional dos interesses culturais da família real no contexto da circulação europeia da cultura científica aplicada aos espaços coloniais, e contribuir para a valorização museológica da coleção egípcia do Museu Nacional de Arqueologia, através dos discursos sobre as relações culturais e de poder que possam ser estabelecidos com a comunidade, em particular a egípcia, no presente. |
|
|
|
À esquerda, João Caia participa na EU Green Summer School, em Wroclaw. À direita, Busto Faraónico (E 196), proveniente do Palácio Nacional da Ajuda no âmbito do Arrolamento Republicano dos Paços Reais e incorporado em 1949. |
|
|
|
As Jornadas Europeias do Património encheram o MNA de público atento e interessado nos jogos e oficinas de museologia e de conservação e restauro, nas ações de divulgação da Maleta Pedagógica e na sessão de jogos narrativos (tabletop roleplaying games), onde cada participante pôde ser o herói da sua própria história a partir dos muitos bens culturais que integram o acervo. Em parceria com o Museu de Arte Popular (MAP), apresentámos também o espetáculo “Orcheisthai”, pela companhia de dança Terspis, transformando o MAP num espaço de história viva, onde o corpo, a música e a palavra deram nova vida ao património imaterial da Antiguidade Clássica. No fim, aconteceu um workshop onde o público foi convidado a experimentar os gestos das musas e, com eles, a história. As JEP, que aconteceram nos dias 26 e 27 de setembro, marcaram igualmente o regresso da Maleta Pedagógica, um recurso educativo cheio de potencialidades, e com uma nova imagem, que está novamente disponível para requisição em: https://mna.maletapedagogica.gov.pt/ TC |
|
|
|
A 1.ª fase da obra terminou com o fim da execução do PRR a 31 de agosto, mas novas frentes de trabalho, assumidas já pela Museus e Monumentos de Portugal, EPE, decorrem no Museu. Neste momento, acontece a desinfestação dos painéis de madeira do teto do piso superior, com XILIX Gel, pela empresa ECONORTE em articulação com a equipa de conservação e restauro do MNA. Este inseticida curativo e preventivo auto-penetrante permite impregnar a madeira e tratá-la em profundidade. Posteriormente, estes painéis serão restaurados e novamente colocados na sua posição no teto. LV |
|
|
|
Direção ANTÓNIO CARVALHO
Comunicação ANDRÉ MURRAÇAS, LÚCIA VALDEVINO Colaboram neste número: ANDRÉ MURRAÇAS, ANTÓNIO CARVALHO, JOÃO CAIA, JOÃO PIMENTA, LÚCIA VALDEVINO, MARGARIDA SANTOS, RAQUEL CUNHA, RITA MATOS, TERESA COSTA.
Design Boletim Digital OPHELIA |
|
| |
|
Museu Nacional de Arqueologia |
|
|
|
|
|
|
![]()
|