«O que seria de nós, ex-libristas, bibliófilos e leitores sem os livros? E donde viriam os nossos livros sem os editores e livreiros? António Barata foi um exemplo ímpar de editor e livreiro, cuja
paixão pelos livros o levou à prisão, pela PIDE, em 1964, e sobre a qual o próprio disse “Estive preso, não por pertencer a algum movimento, como muita gente pensava, mas por causa dos livros. O fim do negócio é sempre o lucro, mas neste ramo, é um pouco diferente,
a paixão já é uma quota parte desse lucro.?
E é no âmbito do 101.º aniversário do seu nascimento, ocorrido na Beira Baixa, que o orador dar-nos-á a conhecer o percurso biográfico e genealógico de
António Domingues Melfe Barata, o qual dedicou a sua vida ao livro. António Barata – cuja ascendência se encontra também ligada, não só a Portugal, mas também ao Reino das Duas Sicílias – foi o fundador, em 1957, da Livraria Barata (na Avenida de Roma), que
em 2018 ganhou o estatuto municipal de “Loja com História”, e, em 1960, da Editorial Presença.
Sobre ele escreveram vários autores, como por exemplo Vergílio Ferreira e David Mourão-Ferreira:
“Da vária e intensa colaboração que Barata, a seu modo, deu à cultura portuguesa é supérfluo falar. Retenhamos apenas a anotação breve de que, na sua dedicação
à actividade que exerceu, António Barata contribuiu para que nós, os escritores, pudéssemos existir…”. [Vergílio Ferreira]
“Tal como o próprio livro que ‘só se abre se o alguém o abre’, como escreveu João Cabral de Melo Neto, António Barata, no natural retraimento da sua personalidade,
a ninguém desejava impor-se – e antes pacientemente aguardava que o ‘folheassem’, que o consultassem, para só então entre mostrar todo o imenso tesouro da sua sensibilidade e da sua inteligência…”. [David Mourão-Ferreira]».
«Nuno Miguel Marques Barata-Figueira, tendo nascido em 1977 na cidade de Lisboa, encontra as suas raízes familiares mais próximas no município da Pampilhosa da Serra e, também nos de Oleiros
(comarca da Sertã) e de Góis. É licenciado em Direito pela UAL - Universidade Autónoma de Lisboa, exercendo as funções de técnico superior num instituto público que integra o Ministério da Justiça. Regionalista vincado, faz parte, entre outros, dos órgãos
sociais da Casa da Comarca da Sertã (CCS), da Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra (AJPS) e da Real Associação de Lisboa (RAL). Dedica-se há largos anos à investigação genealógica, nomeadamente sobre famílias da Beira Serra e da Beira Baixa, tendo
sido Director e Secretário-Geral da Direcção da Associação Portuguesa de Genealogia, de cuja revista anual - «Raízes & Memórias» - foi também Redactor e Subdirector, na qual tem várias investigações publicadas, sendo também sócio do Instituto Português de
Heráldica e do Colégio Brasileiro de Genealogia.»