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Segunda-feira passada, dia 20 de fevereiro,
algumas dezenas de pessoas presentes numa iniciativa promovida
pelo Conselho das Repúblicas subiram as escadarias que levam até à
Sala das Armas no Paço das Escolas e entraram na Sala Amarela,
apesar de ela estar vedada ao público. Aí, desrespeitando o
património que dizem defender, riscaram quadros antigos presentes
na sala, fazendo até inscrições num deles. Fizeram disparar o
alarme de incêndio partindo elementos do sistema de deteção, e
quase arrombaram as portas da Reitoria para "conseguir falar com o
Reitor", sem terem solicitado qualquer encontro. É um abuso
afirmar que alguém não quer reunir se o pedido de reunião não foi
feito. Apesar disso, quando me apercebi do interesse
em falar comigo, fui ter com essas pessoas e com elas dialoguei
durante algum tempo, esclarecendo algumas questões que me foram
colocadas e ouvindo os seus pontos de vista. Lamento que se causem
estragos para conseguir o que se pode obter com uma simples carta
ou mensagem. Sou um profundo defensor da escola pública.
Jamais pactuarei com qualquer tentativa de alterar essa condição.
O regime fundacional é uma alteração de algum enquadramento legal
das universidades, dando-lhes um pouco mais autonomia, com
vantagens e desvantagens, mas que nunca coloca em causa a condição
de escola pública. É por essa razão que promovi a reflexão sobre
este tema ( http://www.uc.pt/regimefundacional
), pois entendo que qualquer posição formal da Universidade sobre
o regime fundacional carece de discussão prévia e diálogo
esclarecido no seio de toda a comunidade universitária, com vista
a uma decisão ponderada e inclusiva de todos os pontos de vista. Lamento muito que o Conselho das Repúblicas
acuse a Universidade de recusar o diálogo e de afastar grupos de
estudantes da discussão da eventual passagem ao regime
fundacional, quando o debate está aberto e vai durar. Houve já uma
sessão, a 31 de outubro, aberta a todos, e haverá seguramente mais
depois de o processo eleitoral para o Conselho Geral, ainda em
curso, estar terminado. Pela minha parte estou, como sempre
estive, disponível para o debate sereno de ideias. Lamento ainda que, em todo o período de
preparação da manifestação do Conselho das Repúblicas, e de forma
organizada, tenham sido feitas centenas de pichagens nas paredes
dos edifícios da Universidade, e colados inúmeros cartazes sobre a
iniciativa nos locais mais diversos, causando grandes estragos aos
edifícios. Já em novembro de 2012, numa iniciativa
anterior do Conselho das Repúblicas, foram feitos diversos
estragos nos azulejos e nas cantarias da Via Latina. É um triste
padrão que se repete e que não é aceitável que continue. Nestas ações transparece um profundo
desrespeito pelo património da escola pública que esta iniciativa
diz defender. Para repor os estragos feitos muito dinheiro público
tem de ser gasto e, em muitas situações, como no caso dos riscos
nos quadros e nas pinturas nas cantarias, é apenas possível
atenuar os danos, não sendo possível revertê-los totalmente. O
património secular da Universidade de Coimbra não é nem do Reitor,
nem deste grupo de pessoas, nem de nenhum grupo em particular, mas
sim de todo o país, e até de todo o mundo, como bem o reconheceu a
UNESCO. Degradá-lo não
ajuda na defesa do ensino superior público nem melhora a
capacidade de o Conselho das Repúblicas fazer ouvir a sua voz. Não
é aceitável que se desperdicem recursos públicos para este efeito,
quando deviam ser usados para disponibilizar um ensino público de
cada vez maior qualidade e cada vez mais inclusivo. Saudações universitárias João Gabriel Silva Reitor Exemplos dos estragos de agora podem ser vistos
em e dos estragos de 2012 em |
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