Olá a todos os membros desta lista,
Sou uma interessada pelo património cultural da região de Trás-os-Montes e venho, por este meio, expor uma situação vergonhosa, que se tem vindo a registar há vários meses no concelho de Vila Real. Uma obra publica que implica a colocação da rede de saneamento básico em várias aldeias (Agarêz, Arroios, Arrabães, Torgueda, Sanguinhedo, Alvites, Nogueira, Tanha, Alfolões, Vilarinho de Tanha, Carvas, Vale de Nogueiras, Santa Marta, no Bairro de Sta. Maria, na Bouça da Raposa e nos lugares de Abambres-Gare, Ponte, Bouça e Assento), ou seja, estes locais estão a ser alvo de obras que podem por em causa a preservação do património arqueológico. O meu espanto foi quando ao passar por Panoias (em Assento) reparei no aparecimento de vários materiais arqueológicos, dos quais eu tirei algumas fotografias. As maquinas abriam valas desesperadamente mesmo ao lado do santuário de Panoias. Como pessoa interessada em questões históricas e com um monumento tão importante como Panoias (Monumento Nacional), decidi falar com o arqueólogo responsável. Mas isso não foi possível, porque ninguém me soube dizer quem é a pessoa. Contactei a DRCN, por várias vezes via telefone, pedindo para me informarem quem era a pessoa que estava a acompanhar a obra, porque sempre que passei em Panoias e noutros vários locais, nunca vi um único arqueólogo. Ao falar com a DRCN, mais precisamente com o Dr. Orlando Sousa, técnico da DRCN, este disse-me que se queria obter alguma informação deveria faze-lo por escrito, que logo que possível me responderiam. Pois bem, foi isso que fiz e aqui deixo o e-mail do qual nunca obtive resposta, mesmo depois de muito ter insistido.
“Ex.mo Sr. Dr. Orlando Sousa
Conforme a conversa telefónica que decorreu no dia 14 de Fevereiro, venho por este meio solicitar informação por escrito, acerca do acompanhamento que está a decorrer nas Obras de Saneamento básico efectuadas pela EMAR, uma empresa Municipal.
Quero ainda dizer-lhe que fiquei completamente esclarecida que foi a câmara Municipal de Vila Real que não cumpriu a sua obrigação de informar a tutela sobre esta obra. Tendo em conta que a empresa Municipal EMAR /Câmara Municipal, não cumpriu os tramites legais relativamente à preservação do património arqueológico, seria conveniente a meu ver e como ocorre em diversos outros sítios a entidade da tutela, após ter conhecimento desta grave situação, sugerir medidas de minimização que impliquem não somente a colocação em obra de um arqueólogo, para acompanhar 20 frentes de obra como, a meu ver deveria determinar sondagens de diagnostico nos sítios afectados. É que não se trata, referindo-me a Panoias, de um sitio arqueológico onde aparecem tegulas, trata-se sim de um monumento nacional de época romana incipientemente estudado, cuja área de protecção foi determinada sem qualquer justificação técnica e cientifica. É que não dá para acreditar que alguém acredite que Panoias se limite à Panoias das pedrinhas e dos buracos. Mas não vamos discutir isso aqui.
Independentemente de todas as medidas, (incipientes) que a tutela tomou para o caso de Panoias, tendo em conta a importância do sitio, verifiquei que o arqueólogo, na melhor das hipóteses, trabalha a part-time. É por uma razão ou por outra e pelas várias vezes que lá passei, com a retroescavadora a abrir as valas, nem sombra do arqueólogo, mas as tegulas, estas sim faziam sombra.
De qualquer maneira, e como se trata de um documento de consulta pública, vou solicitar a consulta à DRCN, do relatório integral dos trabalhos de acompanhamento arqueológico de obra, em data conveniente, espero sim, que esse relatório venha a existir, pois caso contrário a tutela (vulgo DRCN) acompanhará o Município na infracção da lei, sem querer excluir as responsabilidades do arqueólogo em campo.
Para que não existam quaisquer dúvidas venho por este meio solicitar :
1. O nome do arqueólogo que está a fazer o acompanhamento da obra de saneamento da EMAR em Vila Real...."
Este foi o email, ao qual nunca obtive resposta, mas como cidadã atenta e interessada nestas questões e com alguns conhecidos que entendem destas questões procuro sempre informar-me, sempre que encontro situações de destruição do nosso património.
Acho uma vergonha, para não dizer um escândalo acontecerem situações desta natureza, com a conivência de pessoas que representam instituições publicas pagas por todos nós, pagos para fazerem bem o seu trabalho e defenderem os interesses públicos. Continuo incrédula, com o facto de não ter visto um único post sobre esta situação neste fórum, não há ninguém que se importe com o Património em Vila Real? Será que fui a única a ver isto?
Eu expus aqui esta situação porque acho que toda a comunidade deve ter conhecimento destas situações, e nós cidadãos merecemos respeito, por isso vou fazer chegar esta situação ao ministério da cultura, porque a DRCN, teve tempo mais que suficiente para responder a umas simples questões. Ou estão à espera que a obra se dê por terminada?
Importa ainda referir que aconteceram outras situações de destruição total de sítios arqueológicos, mas que no momento não importa referir aqui, a meu ver, porque já nada há a fazer... Mas a DRCN está a par...
Atenciosamente,
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