De como se manipula até uma entrevista com um título enganoso... enfim, lá terão que continuar a expressar os seus sentimentos feridos (negrito meu).
Diário Insular 4/4/2017
"Outros povos passaram por cá
O paleontólogo Emmanuel Anati defende que é "provável" que outros povos tenham passado pelas ilhas antes dos portugueses. Há que prová-lo. defende que é "provável" que outros povos tenham passado pelas ilhas antes dos portugueses. Há que prová-lo.
Emmanuel Anati, paleontólogo e membro fundador do Comité Internacional de Arte Rupestre (CAR) e do ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios), defende que é "provável" que as ilhas açorianas tenham sido alcançadas antes da chegada dos portugueses.
"Não é impossível, é, aliás, provável, que tenham existido pessoas que conheciam as ilhas e que chegaram a elas, em tempos remotos", afirmou, ao DI, depois de uma visita de sensivelmente uma semana à ilha Terceira.
O italiano que é, desde 1992, secretário do Instituto de Artes Pré-Históricas e Etnológicas (IDAPEE), não coloca de lado um povoamento das ilhas, mas recorda que houve grandes povos que se viraram para o mar. "Conhecendo a história dos fenícios ou dos vikings, que vieram depois, sabemos que eram grandes navegadores. Provavelmente, não colonizaram as ilhas. Apenas passaram por elas. Também é um sítio que pode ter acolhido piratas. Este é um bom sítio para alguém se esconder. Há muitas histórias que suportam isso e que são muito curiosas, muito estimulantes. Acho que, se forem apresentadas da forma correta, irão atrair muitos turistas. Apenas apresentar a pergunta será já fascinante. Como chegaram pessoas aqui, quando e como?", explicou.
"A ilha de Creta, no Mediterrâneo, foi alcançada por seres humanos há mais de 100 mil anos, a Austrália há 60 mil anos... As pessoas navegaram muito e, por vezes, perdiam-se no mar e chegavam a sítios inacreditáveis", acrescentou.
Emmanuel Anati confessou-se "impressionado" com as questões que se levantam agora em torno dos Açores. "A grande questão é se existiram pessoas aqui a viver antes do povoamento por portugueses. Há muitas pistas, mas nada que esteja provado. O grande problema é descobrir o que realmente aconteceu", adiantou.
Até agora, tudo permanece um mistério. "Sabemos através de mapas antigos que as ilhas eram conhecidas, há também relatos das primeiras pessoas que aqui chegaram encontrarem 'demónios' e esse tipo de coisas. É uma pista de que talvez algumas pessoas vivessem nas ilhas antes do povoamento. Há também achados esporádicos, como moedas fenícias do terceiro século DC. Se a história está correta, foram encontradas nas ruínas de uma casa dentro de um jarro de cerâmica...", lembrou Anati.
Por agora, diz, é preciso fazer algum trabalho. "Há alguns sítios que devem ser escavados. Possíveis túmulos e outros locais. Se houver algo, esse algo descobrir-se-á. Devem também explorar todas as ilhas, de uma forma sistemática, usando métodos modernos, como fotografias de infravermelhos, que revelam a concentração de material orgânico.
Se não tiverem datações, alguma prova material, podem expressar os vossos sentimentos, mas não passa disso" ironizou.Do ponto de vista do especialista, escavações em "três ou quatro sítios" podem, em cerca de 15 dias, revelar "se vale a pena continuar com a investigação"."