Re: [Archport] Emmanuel Anati e as miragens dos Açores
Caro Alexandre, colegas,
E' realmente incrível o disparate que se escrever nos jornais!
Anati e' um arqueólogo, especialista em arte rupestre, como professor
foi aquilo que os italianos chamam "paleoetnologo" NUNCA paleontólogo.
Não foi como e' óbvio membro fundador do ICOMOS mas sim, e e' bem
diferente, membro fundador do CAR (Comité Internacional de Arte
Rupestre) do ICOMOS.
Estranho que não faça referencia aquilo pelo qual Anati é mais
conhecido, ou seja, ter fundado o Centro Camuno di Studi Preistorici, na
Valcamónica, do qual e' ainda Presidente Honorário.
Apesar da idade avançada, Emmanuel Anati tem quase 87 anos, não está
senil. As afirmações que fez e que se conseguem perceber na entrevista,
são normais e sensatas - como qualquer arqueólogo faria. Ou seja, poder,
podiam ter sido as ilhas dos Açores habitadas mas (e isso e' o
fundamental) é necessário prová-lo. E ele não fala de nenhuma prova diz,
aliás, claramente "Há muitas pistas, mas nada que esteja provado".
Claro que e' óbvio que Creta e' uma ilha no meio do Mediterrâneo e o
caso da Austrália não tem nada a que ver com situação atlântica.
E' incrível como com tantas coisas cientificamente interessantes na
arqueologia portuguesa e também com tantos problemas que temos, o que
chegue aos media - e o que parece que as pessoas ficam a conhecer -
sejam coisas assim.
Tentei escrever um comentário no site do Jornal mas e' só para
assinantes... por isso vou escrever ao Sr. Diretor do "Diário Insular",
acho que se fossemos muitos, ele seria obrigado a publicar alguma
informações no mínimo corretas.
Bom trabalho,
Mila S. Abreu
UTAD-Unidade de Arqueologia
Membro do conselho cientifico do Centro Camuno di Studi Preistorici, Itália
On 07/04/2017 17:44, Alexandre Monteiro wrote:
De como se manipula até uma entrevista com um título enganoso...
enfim, lá terão que continuar a expressar os seus sentimentos feridos
(negrito meu).
Diário Insular 4/4/2017
"Outros povos passaram por cá
O paleontólogo Emmanuel Anati defende que é "provável" que outros
povos tenham passado pelas ilhas antes dos portugueses. Há que
prová-lo. defende que é "provável" que outros povos tenham passado
pelas ilhas antes dos portugueses. Há que prová-lo.
Emmanuel Anati, paleontólogo e membro fundador do Comité Internacional
de Arte Rupestre (CAR) e do ICOMOS (Conselho Internacional de
Monumentos e Sítios), defende que é "provável" que as ilhas açorianas
tenham sido alcançadas antes da chegada dos portugueses.
"Não é impossível, é, aliás, provável, que tenham existido pessoas que
conheciam as ilhas e que chegaram a elas, em tempos remotos", afirmou,
ao DI, depois de uma visita de sensivelmente uma semana à ilha Terceira.
O italiano que é, desde 1992, secretário do Instituto de Artes
Pré-Históricas e Etnológicas (IDAPEE), não coloca de lado um
povoamento das ilhas, mas recorda que houve grandes povos que se
viraram para o mar. "Conhecendo a história dos fenícios ou dos
vikings, que vieram depois, sabemos que eram grandes navegadores.
Provavelmente, não colonizaram as ilhas. Apenas passaram por elas.
Também é um sítio que pode ter acolhido piratas. Este é um bom sítio
para alguém se esconder. Há muitas histórias que suportam isso e que
são muito curiosas, muito estimulantes. Acho que, se forem
apresentadas da forma correta, irão atrair muitos turistas. Apenas
apresentar a pergunta será já fascinante. Como chegaram pessoas aqui,
quando e como?", explicou.
"A ilha de Creta, no Mediterrâneo, foi alcançada por seres humanos há
mais de 100 mil anos, a Austrália há 60 mil anos... As pessoas
navegaram muito e, por vezes, perdiam-se no mar e chegavam a sítios
inacreditáveis", acrescentou.
Emmanuel Anati confessou-se "impressionado" com as questões que se
levantam agora em torno dos Açores. "A grande questão é se existiram
pessoas aqui a viver antes do povoamento por portugueses. Há muitas
pistas, mas nada que esteja provado. O grande problema é descobrir o
que realmente aconteceu", adiantou.
Até agora, tudo permanece um mistério. "Sabemos através de mapas
antigos que as ilhas eram conhecidas, há também relatos das primeiras
pessoas que aqui chegaram encontrarem 'demónios' e esse tipo de
coisas. É uma pista de que talvez algumas pessoas vivessem nas ilhas
antes do povoamento. Há também achados esporádicos, como moedas
fenícias do terceiro século DC. Se a história está correta, foram
encontradas nas ruínas de uma casa dentro de um jarro de cerâmica...",
lembrou Anati.
Por agora, diz, é preciso fazer algum trabalho. "Há alguns sítios que
devem ser escavados. Possíveis túmulos e outros locais. Se houver
algo, esse algo descobrir-se-á. Devem também explorar todas as ilhas,
de uma forma sistemática, usando métodos modernos, como fotografias de
infravermelhos, que revelam a concentração de material orgânico. *Se
não tiverem datações, alguma prova material, podem expressar os vossos
sentimentos, mas não passa disso" ironizou.*
Do ponto de vista do especialista, escavações em "três ou quatro
sítios" podem, em cerca de 15 dias, revelar "se vale a pena continuar
com a investigação"."
http://www.diarioinsular.pt/version/1.1/r16/?cmd=noticia&id=90268
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Mila Simões de Abreu
Professora Auxiliar
Escola de Ciências da Vida e do Ambiente
Departamento de Geologia - Unidade de Arqueologia
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