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Bom dia!
Fico muito contente com as novas descobertas de Mértola!
Há uns anos atrás identifiquei uma estrutura na "Casa da Fagulha" em Mértola de dimensões algo monumentais. A "Casa da Fagulha" fica relativamente próxima da "Casa Côr-de-Rosa". Basicamente
fica do outro lado da rua. Essa estrutura tinha à vista mais de 2m de altura ( no ponto totalmente preservado tinha 2,70m) e 1,50m de largura até à parede da casa, tendo o vizinho assegurado que em obras anteriores a sua largura seria de uns "bons metros".
No topo da estrutura, muito bem conservado, foi possível registar outra parede, cuja face ocidental era para perfeitamente paralela à face ocidental da estrutura que lhe servia de suporte e, pasme-se, eram contemporâneas (e a distância entre a face de ambas
era de 1,18m = 4 pés romanos exactos). Foram então ponderadas diversas informações:
1- Os togados de Mértola foram todos identificados numa área situada entre a "Casa Côr-de-Rosa e a Igreja da Misericórdia.
2- Também o foram a Orante, o "Dyonisos" Menino e a célebre "Cabeça de Augusto".
3- Na "Torre do Rio" foi recolhido um pedestal com uma inscrição dedicada à "Dea Sancta" (que tanto pode ser Tyche-Cybele, como, muito provavelmente, Fortuna). Na mesma estrutura podem
observar-se elementos arquitectónicos de um templo, ali reaproveitados.
4- Na "Casa Fagulha" foram ainda identificados muros de suporte com 1,18m de espessura, que proporcionavam uma determinada organização de um espaço em socalcos, em que o muro interagia
com a estrutura maior, não subindo acima do pavimento do espaço superior (seria um espaço aberto, ao "ar livre"?).
5- A "Casa Fagulha" foi atingida por uma cheia violenta no século VI (cronologia confirmada pelos materiais recolhidos nos lodos ali identificados), que nos confirma que uma boa parte
das paredes tinham sido desmanteladas quase até à base pouco antes (lembramos os reaproveitamentos na "Torre do Rio").
A monumentalidade das estruturas então identificadas, as ocorrências registadas na área envolvente, a visibilidade da destruição das estruturas pré-cheia, permitiu-nos propor a hipótese
de estarmos perante a identificação de um templo, estivesse ou não associado a um "forum" (cidades portuárias como Mértola podiam ter dois "fora"). Teríamos ali, portanto, o que restava do "podium" e da "cella" de um templo.
Convidei na altura alguns investigadores a visitar a intervenção. Adriaan de Man, Cláudio Torres, Manuel Maia, Guilherme Cardoso, concordaram com a minha proposta. Houve até quem me
desse os parabéns por ter encontrado um possível "forum". No entanto, outros gozaram com a minha conclusão e, como sempre acontece, acabei por virar a chacota de muita gente mesquinha. Era apenas um lunático a querer ter descobertas importantes sem as ter.
Infelizmente, só há duas semanas me entregaram os dados que faltavam para concluir o relatório daquela intervenção. Irei entregá-lo em breve, mas reafirmo que fico muito contente com
as novas descobertas de Mértola.
Muitos parabéns à equipa do Campo Arqueológico de Mértola!
Um abraço para todos.
Jorge Feio Arqueólogo |
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