E foi
justamente com essa intenção, a de
se desmontar uma teoria, publicitando-a que eu ousei pô-la na archport.
Agradeço,
claro, o bem oportuno comentário!
J.
d’E.
De:
Alexandre Monteiro [mailto:no.arame@gmail.com] Enviada em: terça-feira, 14 de
Fevereiro de 2017 16:45 Para: José d'Encarnação Cc:archport Assunto: Re: [Archport] Novamente,
a Atlântida!
"O maior especialista em possíveis construções
pré-portuguesas, o professor Félix Rodrigues, que estuda, há anos, uma série de
interessantes descobertas que podem remontar a tempos do Neolítico ou do
Calcolítico" é, na verdade, um professor de Física da Universidade dos
Açores que perceberá mais de aquíferos e de mecânica física - pelo menos de
mecânica física sei que percebe, porque foi meu professor nessa cadeira na UAç.
- do que de Arqueologia.
Ao contrário do que se "aventa" no tal
"documentário" não há columbários romanos nas Lajes dos Açores - há
um pombal. Sem cinzas humanas, mas sim com merda de pombo lá dentro.
De resto, tudo o que está neste "documentário"
da NGM é o que se esperaria do James Cameron - uma bonita obra de ficção, a puxar ao Aquariano que existe dentro de nós,
mas que não resiste à evidência (ou, melhor dito, à ausência) de provas
arqueológicas.
Infelizmente, do que poderia ser uma boa comédia, nasce a
tragédia: é que "isto" também faz parte deste novo movimento de "factos
alternativos", movimento que levou a tragédias como, por exemplo, a eleição de Trump como presidente dos Estados
Unidos.
E a única forma de combater isto é:
1) não partilhar
2) quando alguém partilhar, perder algum tempo a
desmontar a patranha.
Afinal, se não formos nós, arqueólogos, a contar a nossa
versão e os nossos factos, estaremos à mercê de qualquer atlantólogo, cineasta
ou professor de Física e das suas versões alternativas.
Em 14 de fevereiro de 2017 15:49, José d'Encarnação
<jde@fl.uc.pt>
escreveu:
Habitantes de Atlântida podem ter conseguido
fugir para a Península Ibérica
Georgeos Díaz-Montexano no documentário “Atlantis Rising”.
O documentário do
National Geographic “Atlantis Rising” deixou James Cameron, realizador de
“Titanic” e “Avatar”, às “portas” de Atlântida. O explorador Georgeos
Díaz-Montexano, que guiou o cineasta pelas investigações, conta ao ZAP como
Portugal surge na rota de uma Atlântida Ibérica.
A investigação,
que teve o dedo dorealizador James Cameron, na produção do filme, explorou diversas teorias científicas
sob orientação do hispano-cubanoGeorgeos Díaz-Montexanoque, há mais de 20 anos, estuda o mistério de
Atlântida.
Escritor, atlântologo e epigrafista, Díaz-Montexano tem
vários livros publicados sobre o assunto, é desde 2009, assessor do canal
National Geographic e colaborou directamente com James Cameron e com o
realizadorSimcha Jacobovicino documentário
“Atlantis Rising”.
As suas pesquisas giram, sobretudo, em torno de antigos
códices, papiros e manuscritos em grego, latim, árabe e egípcio, sem esquecer
os textos de Platão.
Uma das teses que defende, e que é explorada no
documentário, vaticina que algunshabitantes de Atlântida podem ter conseguido fugirà eventual catástrofe
que submergiu a ilha eter-se instalado no sul da Península Ibérica,
onde terão deixado gravuras rupestres a lembrar a sua terra perdida.
O ZAP teve oportunidade de entrevistar o explorador que
conta como “Atlantis Rising” passou também pelos Açores e como Portugal surge
na rota de uma Atlântida Ibérica.
Origens de Atlântida remontariam há uns
12.580 anos
ZAP – A Atlântida
existiu mesmo? Georgeos Díaz-Montexano– É impossível,
neste momento, confirmar se existiu ou não. A minha teoria propõe que, no caso
de ter existido uma ilha com uma cidade concêntrica, circular, só pode
descobrir-se onde foi claramente situada nos textos, isto é, no Atlântico, à
boca do estreito das Colunas de Hércules (Gibraltar) e próxima de Gadeira
(Gades ou Cádiz), na área que se estende entre Ibéria, Marrocos, a Madeira e
talvez, até às Canárias pela parte meridional. Essa civilização atlântica remontaria as suas origens (e não o
final como, erroneamente, muitos ainda acreditam) até há uns 12.580 anos,
enquanto o seu final catastrófico seria entre finais do Calcolítico e a Idade
do Bronze (entre 2700 a1550 A.C.).
ZAP – Há provas que
confirmem esses dados? GDM– Está tudo
documentado nas fontes primárias escritas (códices, papiros, manuscritos,
inscrições) em antigas Línguas, mas sobretudo nos escritos de Timeu e Crítias
de Platão, obviamente se forem lidos e interpretados de forma correcta, através
de traduções gramaticalmente correctas. São muitas as fontes que suportam a
possível existência histórica da Ilha Atlântida e da sua civilização, ou, pelo menos, a existência de uma
antiquíssima tradição ou lenda
histórica sobre uma cultura marítima atlântica, de considerável
desenvolvimento, que floresceu entre o Neolítico e a Idade do Bronze, numa ilha
situada em frente a Gibraltar, não muito longe de Ibéria e de Marrocos, ou num
arquipélago de ilhas e colónias distribuídas em regiões continentais da Europa
e de África. Esta hipótese parece a mais verosímil, de acordo com o conhecimento
geológico que temos, na actualidade, sobre a geo-morfologia das ilhas (tanto
das emergidas como das submergidas) e o relevo dos fundos marinhos do Atlântico.
ZAP – E Atlântida
foi exactamente o quê: uma ilha, um continente? GDM– Nos textos de Timeu
e Crítias de Platão, usa-se, sem sombra de dúvida, a palavra greganêsos, ‘ilha’ ou ‘península’. Platão nunca usouêpeiros(‘continente’)
para referir-se a Atlântida. Mas acabei convencido de que, no contexto em que
Platão usa o termonêsos, é indiscutivelmente como ilha.
Ilustração para o documentário “Atlantis Rising” de James
Cameron e Simcha Jacobovici, para a SAIS e o National Geographic.
A ideia de uma Atlântida Ibérica
ZAP – Uma das teses
que defende, e que é explorada no documentário “Atlantis Rising”, envolve
gravuras de Arte Rupestre, na Península Ibérica, que atestam essa possível
existência de Atlântida. GDM– Uma delas (uma
gravura ou petróglifo) foi datada, pelos arqueólogos que a descobriram, em
torno de finais da Idade do Bronze, na época Tartésia; a outra, pintada a cor
vermelha, no interior de uma caverna, é muito mais antiga e remonta, pelo
menos, ao período Epipaleolítico, entre finais do Paleolítico Superior e
começos do Neolítico. Em ambas se vêem barcos que vão e vêm de uma grande ilha
que tem uma forma semelhante à pata de um bovídeo, representada mesmo em frente
ao que seria o Estreito de Gibraltar e as costas de Ibéria e Marrocos.
Exactamente na zona onde é situada a Ilha Atlântida em todas as antigas fontes
primárias e secundárias escritas. A estas evidências também podemos somar vasos
de cerâmica com o mesmo símbolo circular concêntrico, similar
ao da metrópole de Atlântida. E temos igualmente, encontrado ruínas debaixo do
mar, desde há algumas décadas, na área do Atlântico entre Ibéria e a Madeira,
que não podem ter sido construídas depois de 6000 ou 4000 A.C., tendo em conta a
profundidade onde se descobriram e já que evidenciam uma cultura desenvolvida,
com um nível semelhante ao que vemos em culturas que só se constataram, em
áreas continentais, em tempos posteriores.
ZAP – As suas
investigações vão ao encontro da ideia de uma Atlântida Ibérica? GDM– Sim, mas só
considerando Ibéria como o principal território anexo na influência cultural
dos habitantes da vizinha Ilha Atlântida. É de mero sentido comum que se a Ilha
Atlântida existiu realmente, com uma civilização
dos metais e uma cultura marítima avançada, essa civilização
deve ter deixado cidades-colónias importantes nas regiões mais próximas, ou
seja, em vários pontos da Andaluzia e de Portugal. Estas cidades imitariam
certamente, o padrão principal da metrópole que é descrito como de vários
fossos circulares que se inundavam com água, enquanto eram alternados por anéis
de terra ou espaços entre os fossos, tudo isto circundando uma pequena ilha
central, onde se encontraria a Acrópole ou zona principal com as casas, templos
ou edifícios de maior relevância social. Este esquema ou padrão urbanístico foi
encontrado no bairro “Marroquíes Bajos” na cidade de Jaén, em Espanha. Fui o
primeiro a notar esta semelhança com o padrão ou desenho do traçado urbanístico
da capital de Atlântida. E pouco depois, descobri o mesmo padrão circular
concêntrico noutras cidades antigas do Calcolítico e do Bronze da Andaluzia e
do Algarve, entre outros pontos do interior da Península Ibérica.
ZAP – As explorações
feitas para o documentário do National Geographic chegaram aos Açores. GDM– Correcto,
chegamos até aos Açores e lá consultamos o maior especialista em possíveis
construções pré-portuguesas, o professor Félix Rodrigues, que estuda, há anos,
uma série de interessantes descobertas que podem remontar a tempos do Neolítico
ou do Calcolítico e que podem também, estar relacionadas com a mesma civilização ou cultura marítima atlântica que se descreve
nos textos de Platão e da qual acreditamos ter descoberto provas no sudoeste de
Ibéria e nas costas atlânticas próximas. Aí seria o “Ground Zero“,
o foco central dessa civilização,
que, segundo parece, se estendeu igualmente, até outras ilhas do Mediterrâneo,
como a Sardenha, a Sicília e Malta, coincidindo com o que se descreve em Timeu
e Crítias, de como os atlanteanos, na sua ânsia conquistadora, se espalharam
pelas outras ilhas do Atlântico e por quase todos os lugares do interior do
Mediterrâneo, até aos limites da Líbia com o Egipto, por África, e pela Europa,
até Tirrenia (Península Itálica) e Ásia (Turquia e actuais costas de Síria,
Líbano e Israel).
ZAP – Acredita que
algum dia, se vai conseguir confirmar a existência e localização exacta de Atlântida? GDM– Não perco a
esperança de que algum dia (talvez não muito distante), se descubram
importantes vestígios arqueológicos, tanto na terra como debaixo do mar, que
permitam confirmar a existência de uma antiga cultura marítima atlântica que
deu origem a tais tradições e a essa lenda histórica sobre uma importante
civilização atlântica. A ter
existido realmente, a ilha de Atlântida, os vestígios das suas construções e
cultura material deverão descobrir-se debaixo do mar, em algum ponto dessa área
atlântica que rodeia as costas de Huelva, Cádiz, Madeira, Marrocos e Canárias,
e possivelmente, até perto dos Açores também.
Caroline Biolay / Georgeos
Díaz-Montexano (2016)
Georgeos
Díaz-Montexano no documentário “Atlantis Rising”.
“Dois anos de trabalho árduo”
ZAP – Como foi essa
experiência de colaborar com James Cameron e Simcha Jacobovici no documentário? GDM– A experiência
foi inesquecível. Sem dúvida, a maior experiência que experimentei a nível
mediático e de divulgação e também a
maior expedição de investigação (quanto a recursos tecnológicos
e quantidade de cientistas de várias universidades do mundo) em que participei.
Foram quase dois anos de trabalho árduo, entre a fase inicial de documentação e de exploração
prévia de locais potenciais para filmar e o culminar das filmagens, entre
Ibéria e os Açores. E foi uma enorme experiência de satisfação e realização
pessoal, um enorme privilégio que as minhas investigações sobre Atlântida, de
mais de 20 anos contínuos, tenham acabado por convencer destacados cientistas
de várias universidades que colaboraram com o National Geographic,
especialmente o Dr. Richard Freund, e duas grandes figuras do cinema e dos
documentários, como James Cameron e Simcha Jacobovici.
ZAP – Quando é que o
seu último livro -“Atlantis Rising” -, que fala precisamente da investigação levada a cabo no documentário, vai ser publicado
em Portugal? GDM– Prevejo que, lá
para finais deste mês, esteja disponível na maioria das mais importantes livrarias
e lojasonline, comoe-booke como livro
impresso, sob encomenda. O documentário estreará em Portugal, muito
provavelmente, no próximo mês de Março e então, todos os que falam português
poderão encontrar o meu livro “Atlantis Rising – National Geographic e a busca
científica da Atlântida”.
SV, ZAP
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