Caros amigos.
Em primeiro lugar o meu agradecimento a João Araújo Gomes pelo reparo relativo à falta de propriedade do termo sismológico, utilizado por sísmico.
Depois, também, o reconhecimento pela sua sintética descrição da tectónica estrutural da faixa atlântica ocidental da Península.
Todavia e como é óbvio colocam-se aqui no fundamental dois problemas de natureza bem distinta.
Os danos humanos, provocados na população desprotegida exposta a uma súbita calamidade, sobretudo quando tais danos não são mediados pelo colapso de estruturas construídas, ou simplesmente pela falta delas, é uma questão. Está por congeminar o tipo e natureza de dispositivo que poderia proteger uma população de banhistas de um tsunami. O único que posso imaginar é a interdição de ir a banhos.
Que a região Algarvia seria mais penalizada por um terramoto ou um incidente sísmico de grande amplitude parece-me também provável. Todavia a previsão dos danos humanos no Algarve e em Lisboa dependeria de vários factores, nomeadamente da época do ano em que ocorresse.
Ora, a questão que estava a ser comentada era justamente a dos danos causados em estruturas construídas ou por elas, se, ao entrarem em colapso, elas próprias se tornarem na razão das perdas humanas.
No âmbito da abordagem deste tópico é pois de toda a relevância o alerta de Maria Isabel Veiga Cabral, ao complementar a necessidade de avaliação da vulnerabilidade da Baixa Pombalina com a de outras zonas críticas de Lisboa.
Eu ainda me recordo do pânico que muitos sentiam quando desciam os intermináveis lances de escadas rolantes que do Largo do Chiado descem à estação do metropolitano, com as paredes a transudarem e a jorrarem águas como nascentes. Não faço ideia de como o problema foi atenuado e que tipo de intervenções foram mobilizadas, mas ninguém se pode sentir sereno se os procedimentos não forem expostos e comentados.
Quanto à Baixa Pombalina, o que transpira entre os técnicos conhecedores desde há muito do problema, alguns com dezenas de anos de trabalho na zona, é que na actual situação, pode nem ser necessária a ocorrência de um movimento sísmico para alguns edifícios entrarem em colapso, pois a estacaria de madeira que lhes serve de suporte encontra-se em adiantado estado de pulverização, por súbita desidratação do ambiente em que se encontram imersos.
Manuel de Castro Nunes
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