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A
Direcção da Comissão Nacional Portuguesa do
International Council of Museums (ICOM), organismo internacional
que reúne
os profissionais de museus e as organizações do sector, tem acompanhado
atentamente as notícias surgidas na Comunicação Social relativas à
direcção do
Museu Nacional de Arte Antiga, polémica situada no âmbito da gestão e
dos
modelos de gestão dos museus públicos, particularmente os que têm
estatuto
nacional. A
Comissão Nacional Portuguesa do ICOM (ICOM_Portugal), comungando das
reflexões
e preocupações que ligam muitas instituições e profissionais de museus
no fórum
internacional permanente que é o ICOM, promoveu as suas V
Jornadas subordinadas ao tema Que gestão para os
museus, no Portugal de amanhã? que decorreram no
Museu Nacional Soares dos Reis (Porto), a 23 de Março de 2007, abertas
não só
aos associados mas também a todos os interessados em participar. As comunicações apresentadas e o debate
subsequente evidenciaram a pluralidade de modelos de gestão no contexto
museológico português e a importância de continuar a aprofundar a sua
avaliação
e a discussão do tema entre os profissionais de museus. O
INTERCOM
– comité internacional para a gestão de museus
do ICOM, que reúne profissionais de museus de todo o mundo, tem
trabalhado as
questões relativas à liderança, governação e gestão de museus desde a
sua
criação em 1989. Em 2006, editou o nº 12 da Study
Series do ICOM, totalmente dedicado
a estas matérias. Esta publicação foi
distribuída a todos os associados e está disponível on-line
para qualquer interessado no seu site – www.intercom.museum
– onde também se encontra disponível mais documentação produzida por
este
comité do ICOM. O
universo dos museus actualmente afectos ao Instituto dos Museus e
Conservação,
I.P. / Ministério da Cultura conheceu, desde 1975, uma significativa
evolução
nomeadamente no que concerne as questões de gestão, do papel da tutela
e do
percurso de autonomia das organizações e reconhecimento dos seus
profissionais.
Uma tal evolução é indissociável da autonomização do próprio sector da
Cultura,
então integrado no Ministério da Educação, passando depois para a
tutela da
Presidência do Conselho de Ministros, até à criação do Ministério da
Cultura. Foram
momentos significativos, para estes museus, a criação em 1978 do
Instituto
Português do Património Cultural, com Natália Correia Guedes e, em
1992, o
arranque do Instituto Português de Museus, com Simonetta Luz Afonso. A
implementação, por este Instituto e sob a direcção de Raquel Henriques
da
Silva, da Rede Portuguesa de Museus veio clarificar, ordenar e
qualificar o
sector museológico português. A
legislação produzida reflecte esta evolução e denota a crescente
responsabilização na gestão das direcções do grupo de museus referidos,
nomeadamente na área científica e da programação cultural. A Lei-Quadro
dos
Museus (Lei 47/2004, de 19 de Agosto), sob a direcção do IPM de Manuel
Bairrão
Oleiro, é bem exemplo disso ao criar vários instrumentos que mobilizam
a
partilha de recursos entre o IMC, IP
e os seus museus. Como,
em
2006, a Direcção do ICOM_Portugal não pôde deixar de manifestar à
tutela a sua
posição em relação ao encerramento do Museu de Arte Popular no contexto
da
política museológica portuguesa, não pode agora alhear-se da questão
relativa à
direcção do Museu Nacional de Arte Antiga, a que acresce a
honorabilidade dos
restantes directores e profissionais de museus. Num
quadro de nomeações de directores assente em prestação de provas
públicas
através de concurso, não podemos deixar de manifestar a nossa confiança
nas
instituições democráticas e nos mecanismos de escolha em vigor. Por
outro lado
reconhecemos que, num quadro de nomeação que assenta na confiança
política e
respeitados que sejam os procedimentos legais, a tutela está no seu
direito de
não renovar os mandatos, nomeadamente em situação que se caracterize
pela
quebra de confiança política em que se baseou aquela nomeação. A
Direcção da Comissão Nacional Portuguesa do ICOM vem manifestar a sua
confiança
nos profissionais de museus e especificamente nos actuais directores
dos museus
do IMC, IP, pela sua competência e
isenção e ainda pela sua honestidade, não lhes (re)conhecendo atitudes
de
“subserviência”, mas antes capacidade para tomar posições, públicas e
publicitadas
ou não, em divergência ou não com a tutela e/ou com os colegas. Incentiva e apoia a sua determinação para
intervir nos problemas e nas questões que afectam os museus e os seus
profissionais de acordo com a sua capacidade crítica, ética e rigor
profissional. Saúda-se,
por fim, o interesse manifestado nesta questão pela Comunicação Social
e pela
sociedade civil, fazendo-se votos para que tal facto indicie, por parte
dos
órgãos da comunicação social a disponibilidade futura de levar ao
conhecimento público
outras questões e aspectos da vida dos museus e dos seus profissionais,
independentemente da sua tutela e modelo de gestão. |
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