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Na troca de opiniões com uma colega museóloga, a propósito da mensagem que submeti ontem, sinto-me obrigado a fazer um comentário suplementar. Porém, à parte do comentário, é justo referir que todos nós devemos à Lista Museum, e ao Professor José D’Encarnação, este inestimável contributo para o diálogo e para a troca de ideias. A Lista Museum já ganhou um lugar na história da museologia em Portugal. Mas, voltando ao comentário, permitam-me chamar a atenção para uma questão “de fundo” nesta “consideração pelo Património” no Documento do "Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos" de Portugal. Que aliás já aflorei numa das mensagens anteriores que enviei para a Lista Museum, e que volta novamente a ocorrer. A “ideologia” do Desenvolvimento Sustentável, que agora faz a norma em Portugal e na “UE27”, não considerou a factor “Cultura” na sua formulação teórica e programática. Constituiu-se na base de três vectores, que designa por “pilares”. Concretamente, o ambiental, o económico e o social. Esqueceu-se do elemento “cultural”. Aquele que, em minha opinião, dá intencionalidade e sentido aos outros. É por isso que nas verbas comunitárias, e no QREN, é difícil ir buscar investimento para a Cultura. Ora este PROVERE, como outros programas que não vale a pena agora referir aqui, são a tentativa de resolverem a lacuna pela “porta de trás”. Esta questão tem a ver com a Política Cultural da União Europeia, a que um dia me referirei com mais detalhe. Agora o que vale a pena submeter à reflexão, a propósito deste PROVERE, é uma espécie de impunidade crítica que está a ocorrer, e que tem consequências práticas para o Património e os Museus, e que faz parte de uma “estratégia” e de uma “visão” do Desenvolvimento que não se pode continuar a aceitar passivamente. O tema do “dia internacional dos museus 2008”, ou o texto distribuído na F.C. Gulbenkian pelo “ICOM-Portugal 2008”, entre outros casos recentes, de repente, serviram para construir uma unanimidade acrítica que desculpa o desinvestimento e menoriza as funções ditas “tradicionais” da Museologia. Talvez seja chegado o momento, até pelas decisões recentemente tomadas na reorganização administrativa e funcional do Estado na área do Património e da Museologia, de percebermos qual é o caminho (o projecto e a estratégia na área da Cultura) que se pretende dar à relação entre o “valor intrínseco do património em si mesmo” e o “valor do uso e do benefício do património nas coisas que lhe são exteriores”. Em que estado, material e conceptual, ficará o Património se esta questão não for devidamente acautelada agora? O que pretendo chamar a atenção é, na minha modesta opinião, para o seguinte: — Não se estará a ir mansamente falando de outros assuntos e doutras críticas, sem se perceber o obstáculo a montante? É que não se vê, nas intervenções da maioria dos mais reputados e influentes responsáveis pelo Património e Museologia, a referência a este obstáculo. Mas há sempre a possibilidade, certamente a mais provável, de sermos nós que estamos a ver mal. Pedro Manuel Cardoso 30/05/2008
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