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Museologia e Política em 2008, a
propósito da Plataforma pelo Património
Cultural. 1 – Em 2007, a propósito de
outro acto, também foi necessário enviar uma mensagem com o título “Museologia e Política”.
2 – Agora em 2008, novamente,
a propósito da Plataforma pelo Património
Cultural. 3 – Ao lermos a “Declaração de 16 de Outubro de 2008”,
intitulada “O património como valor
estratégico e oportunidade nacional” várias evidências
ocorrem. 4 – Quem são as pessoas que a
patrocinam? Qual o seu percurso de responsabilidade na museologia e no
património em Portugal, traduzível em acções e resultados? Quem são as
entidades que assinam a “Declaração de
16 de Outubro de 2008”? Qual o diagnóstico que fazem? Quais as
soluções que propõem? Quem acusam, como sendo os culpados da situação que
afirmam existir? Quais são as relações hierárquicas e funcionais que
estabeleceram no passado com os responsáveis que actualmente ocupam as mesmas
posições no Estado e nas associações profissionais? 5 – Podemos ler nessa “Declaração de 16 de Outubro de 2008”
adjectivos como: “perda de horizonte
político estratégico”; “desqualificação
operacional e técnica dos serviços do Estado”; “inimagináveis”; “risco de regressão significativa e irremediável”;
“sucedem-se denúncias e escândalos”;
“inadequação da legislação criada
nesta legislatura”; “indefinição
sobre o modelo de gestão”; “modelo administrativo confuso”; “incapacidade dos serviços do Estado”;
“campanhas milionárias na promoção turística
do país”; “políticas
erráticas”; “País
esquizofrénico?”; “propaganda
oficial”; “desorçamentação”,
etc. 6 – Ao compararmos uma
evidência com a outra não será legítimo questionar o seguinte: − Não
foram estas pessoas e estas entidades que construíram em Portugal, desde há
décadas, a política museológica e patrimonial? Não foram essas pessoas e
entidades que participaram, conjuntamente, em inúmeros “grupos de
trabalho” que produziram as leis que regem actualmente o património e a
museologia em Portugal? 7 – Então, se foram, se
partilharam essa responsabilidade, como se podem agora excluir assim tão
facilmente e de modo tão simplista umas das outras? Haverá erro ou culpa que
não pertença a ambas? Haverá soluções que não passem por ambas? Existirão outras
pessoas ou entidades em Portugal que sobrem desta responsabilidade e deste
trabalho à parte das que referimos? Onde estão? 8 – As soluções que propõem
não são um rearranjo do mesmo peso do Estado, e das mesmas remunerações pagas
pelo mesmo erário público? Pedir mais dinheiro será uma solução nova ou uma
lacuna velha? Não será prolongar o mesmo erro de há décadas, em que esses
responsáveis − muitos deles à frente dos “institutos e
departamentos do Estado” − demonstraram na prática que confundiam
“administrar” com “gerir”? Quantos funcionários
públicos serão necessários, e qual o peso do Estado nas soluções que propõem? 9 – Estudar, debater,
reflectir, apregoar a interministerialidade, voltar a falar dos “modelos
e paradigmas”, das “estratégias e dos planos todo-poderosos que
ensinam tudo a todos”, reclamar por mais dinheiro, pedir a substituição
dos chefes dos departamentos do Estado por outros, pedir as remunerações e
cargos do Estado para si próprios ou para outros, etc, são receitas velhas. São
caminhos gastos e já trilhados. São exactamente o caminho que não serve às
novas dinâmicas e aos novos desafios do património e da museologia. 10 – Razão pela qual, perante
o teor desta “Declaração de 16 de
Outubro de 2008”, perante as pessoas que a promovem, e perante
a ausência de soluções e de perspectivas, esta “Declaração”
transforma-se num “manifesto de oposição política”. Onde mais uma
vez tudo começará numa clivagem, e nos lados das mesmas trincheiras que há
décadas têm tido responsabilidade pela museologia e pelo património em
Portugal. Ou seja, mais uma vez, Política em detrimento de Museologia e de Património… 16/10/2008 |
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