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[Museum] Museologia e Património: A propósito da visita de Tomislav Sola a Portugal, como partilhar e consensualizar, de modo aberto e público, o conhecimento da Museologia com todos?

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Museologia e Património: A propósito da visita de Tomislav Sola a Portugal, como partilhar e consensualizar, de modo aberto e público, o conhecimento da Museologia com todos?
From :   "Pedro Manuel Cardoso" <pcardoso@sejd.gov.pt>
Date :   Mon, 10 Sep 2007 12:28:35 +0100

Museologia e Património: A propósito da visita de Tomislav Ŝola a Portugal, como partilhar e consensualizar, de modo aberto e público, o conhecimento da Museologia com todos?

 

No dia 7 de Setembro colocámos uma mensagem na Lista Museum intitulada. “Museologia e Património: Foi há 15 anos?”. Em 9 e 10 de Setembro foram referidas duas vezes essa mensagem, e tecidas considerações sobre ela. Para a pertinência do debate na Lista Museum e para esclarecer o alcance do conteúdo dessa mensagem, junto envio o devido esclarecimento:

 

Em 1987, na página 45 da Revista Museum , n.º 153,  n.º 1, vol. XXXIX, Paris, UNESCO, Tomislav Ŝola escrevia: - “Il y a un siècle déja que l’on s’efforce de faire de la muséologie une discipline indépendante. Au cours de ces cent ans, la théorie muséologique a eu ses héros et ses géants, dont les travaux apportent des solutions qui sont vénus dissiper des doutes séculaires: en effet, des questions exigeant des réponses qu’il n’aurait pás été possible de fournir auparavant sont aujourd’hui posées, et la pratique elle-même offre des éléments suffisants pour que l’on puísse parvenir à des conclusions générales. L’ère postindustrielle a ses exigences propres,et il existe aujourd’hui des musées de la troisième génération dont l’expérience aidera à élaborer une théorie globale et spécifique.” (1987:45).

 

A propósito da visita de Tomislav Ŝola a Portugal, como partilhar e consensualizar, de modo aberto e público, o conhecimento da Museologia com todos?

  • Durante um longo percurso uma imensa Lista de acontecimentos, cartas, convenções, resoluções, apelos e declarações seriam apresentadas atestando a gradual consolidação do pensamento e dos conceitos de Museologia e de Património. Sem a pretensão de ser exaustiva, essa cronologia expressa não apenas o ritmo e o tempo em que foram ocorrendo, mas também o tipo de preocupações museológicas e patrimoniais.

Estará esta síntese correcta?:

  • 1683 Ashmolean Museum da Universidade de Oxford, será este o mais antigo museu público conhecido, citando o artigo de Mark Norman intitulado “Conservation and the Ashmolean since 1683” in “Past Practices, Future Prospects”, British Museum Occasional Paper, n.º 145, 159-166?
  • 1721 Alvará Regeo sobre a Conservação do Património em Portugal, promulgado por D. João V. “Com a promulgação do Alvará Regeo de 20 de Agosto de 1721, Portugal torna-se no primeiro país da Europa a objectivar as suas preocupações com a conservação do património através de legislação oficial” (M. Helena Maia, 1997:103).
  • 1753 British Museum, sendo aberto ao público apenas em 1759.
  • 1772 Museu de História Natural da Universidade de Coimbra, primeiro edifício português a ser concebido de raiz para fins museológicos e pedagógicos, de autoria do arquitecto inglês Guilherme Elsden (M. B. Teixeira, 2000).
  • 1773 Library Society Museum fundada em Charlston (EUA).
  • 1791 Museu Sesinando Cenáculo Pacense em Évora inaugurado em 15 de Março de 1791.
  • 1792 Musée du Louvre em Paris (Rivière et alli, 1989).
  • 1793 “Muséum National” mais tarde conhecido apenas por “Museum” fundado em Paris a10 de Junho de 1793.
  • 1794 “Muséum d’Histoire Naturelle” em Paris, mais tarde “Conservatoire National des Artset Métiers”.
  • 1796 “Musée des Monuments Français” fundado em Paris.
  • 1796 Real Biblioteca Pública da Corte de Portugal, fundada por D. Maria I.
  • 1884 “Museu Nacional de Belas-Artes e Arqueologia” criado em 12 de Junho de 1884, actual “Museu Nacional de Arte Antiga” em Lisboa.
  • 1889 “Museums Association” fundada no Reino Unido em 1889, tendo iniciado a publicação do seu jornal “Museums Journal” em 1901.
  • 1906 Associação Americana de Museus (AAM).
  • 1908 Primeiro programa de formação museográfica no Pennsylvania Museum em Filadélfia (EUA).
  • 1931 Carta de Atenas, in Conclusões da Conferência do Serviço Internacional de Museus (Sociedade das Nações) sobre os Princípios Gerais e Doutrinas relativos à Protecção dos Monumentos realizada em Atenas, entre 21 e 30 de Outubro de 1931.
  • 1948 Conselho Internacional de Museus (ICOM).
  • 1954 Convenção de Haia, sobre a Protecção dos Bens Culturais em caso de Conflito Armado, UNESCO, 14 de Maio de 1954.

Por um lado, consagrou a ideia-chave de que a conservação do património cultural apresentava uma grande importância para todos os povos do mundo, pelo que convém que a esse património seja assegurada uma protecção internacional. Por outro lado, apresentou no Artigo 1.º a definição de “bem cultural”: “a) Os bens, móveis ou imóveis, que sejam importantes para o património cultural dos povos, tais como os monumentos arquitectónicos, de arte ou históricos, religiosos ou laicos, os sítios arqueológicos, os conjuntos de construções que apresentem um interesse histórico ou artístico, as obras de arte, os manuscritos, livros e outros objectos de interesse artístico, histórico ou arqueológico, assim como as colecções importantes de livros, de arquivos ou de reproduções dos bens acima descritos; b) Os edifícios cuja função principal e efectiva é conservar e expor os bens culturais móveis definidos na alínea a); c) Os conjuntos compreendendo um número considerável de bens culturais definidos nas alíneas a) e b), designados por «conjuntos monumentais»”.

  • 1964 Convenção de Paris, Convenção Cultural Europeia, Conselho da Europa, 19 de Dezembro de 1964.
  • 1964 Carta de Veneza, sobre a Conservação e o Restauro de Monumentos e sítios Históricos, em resultado das conclusões do “II.º Congresso de Arquitectos e Técnicos de Monumentos Históricos”, Veneza, 31 de Maio de 1964.

No Artigo 1.º consagraria “....um novo conceito de monumento que passa a integrar não só a criação arquitectónica isolada como os conjuntos urbanos ou rurais representativos de uma civilização particular, de um movimento significativo ou de um acontecimento histórico. Estende-se não somente às grandes criações mas também às obras modestas que ganharam com o tempo uma significação cultural” (Flávio Lopes, 1996:13)

  • 1969 Convenção de Londres, sobre a Protecção do Património Arquitectónico, Conselho da Europa, 6 de Maio de 1969.
  • 1972 “Declaração da Mesa-Redonda de Santiago de Chile”.
  • 1972 Convenção do Património Mundial, sobre a Protecção do Património Cultural e Natural Mundial, UNESCO, Paris, 23 de Novembro de 1972.
  • 1975 Carta Europeia do Património Arquitectónico, Conselho da Europa, em 26 de Setembro de 1975, e novamente proclamada no “Congresso sobre o Património Arquitectónico Europeu”, realizado em Amsterdão entre 21 e 25 de Outubro de 1975.
  • 1976 Carta do Turismo Cultural, ICOMOS, 9 de Novembro de 1976.
  • 1976 Recomendação sobre a Salvaguarda dos Conjuntos Históricos ou Tradicionais e do seu contributo para a vida contemporânea, UNESCO, Nairobi, 26 de Novembro de 1976.
  • 1976 Apelo de Granada, sobre a consideração da Arquitectura Rural no Ordenamento do Território, Conselho da Europa, 1976.
  • 1981 Carta de Florença, sobre a Salvaguarda dos Jardins Históricos, ICOMOS/IFLA, 21 de Maio de 1981.
  • 1982 “Association Muséologie Nouvelle et Experimentation Sociale” (MNES), criada com a colaboração de Hugues de Varine.
  • 1983 Resolução n.º 813 do Conselho da Europa, relativa à Arquitectura Contemporânea, Conselho da Europa, 23 de Novembro de 1983.
  • 1984 “Declaração de Québec” saída do “Atelier Internacional Ecomuseus – Nova Museologia”, realizado no Québec, Canadá, em Outubro de 1984.
  • 1985 Movimento Internacional para uma Nova Museologia” (MINON) a prometida Federação Internacional da Nova Museologia seria criada na reunião de Lisboa, com a designação “Movimento Internacional para uma Nova Museologia” (MINON).
  • 1985 Convenção de Granada, sobre a Salvaguarda do Património Arquitectural da Europa, Conselho da Europa, 3 de Outubro de 1985.
  • 1987 Carta Internacional para a Salvaguarda das Cidades Históricas, ICOMOS, adoptada em Outubro de 1987.
  • 1989 Recomendação sobre a Salvaguarda da Cultura Tradicional e Popular, adoptada na 25.ª Conferência Geral da UNESCO/ONU, Paris, em 15 de Novembro de 1989.
  • 1990 Carta Internacional para a Gestão do Património Arqueológico, ICOMOS, 1990.
  • 1991 Simpósio de Cracóvia (Cracow Symposium), sobre o Património Cultural dos Estados participantes na CSCE (Conference on Security and Co-operation in Europe), 6 de Junho de 1991.
  • 1992 Convenção de Malta, Convenção sobre a Protecção do Património Arqueológico que reviu a Convenção de Londres de 1969, Conselho da Europa, La Valette, Malta, 16 de Janeiro de 1992.
  • 1992 Declaração de Caracas proferida durante o Seminário “A missão do museu na América Latina hoje: novos desafios”, realizado entre 16 de Janeiro e 6 de Fevereiro de 1992, na Venezuela.
  • 1994 “Museu da Gestualidade” fundado em Portugal por Maria Isabel Tristany e Pedro Manuel Cardoso (in Diário da República n.º 68, III.ª Série, de 1994/03/22).     
  • 1994 Documento de Nara, sobre a “Noção de Autenticidade na Conservação do Património Cultural”, Nara, 1 a 6 de Novembro de 1994.
  • 1997 Aprovação da designação “Património Imaterial”, na 29.ª Conferência Geral da UNESCO/ONU (Resolução n.º 23) realizada em Novembro de 1997. (Tendo sido considerado que a “Convenção sobre o Património Mundial Cultural e Natural de 1972” não era aplicável ao “património cultural imaterial”).
  • 1998 Proclamação do Regulamento das Obras-Primas do Património Oral e Imaterial daHumanidade, adoptado na 155.ª Sessão do Conselho Executivo da UNESCO/ONU (Decisão 155 EX/3.5.5), em Novembro de 1998.
  • 2001 Definição de Património Imaterial, consensualidada pelos pelos peritos escolhidos pela UNESCO, reunidos em Turim (Itália) em Março de 2001. “Definição” que seria examinada pelo Conselho Executivo da UNESCO/ONU na sua 161.ª Sessão (Maio-Junho de 2001), e que seria submetida à 31.ª Conferência Geral (Ref.ª 31 C/43) da UNESCO/ONU em Outubro-Novembro de 2001.

Les processus acquis par les peuples ainsi que les savoirs, les compétences et la créativité dont ils sont les héritiers et qu’ils développent, les produits qu’ils créent et les ressources, espaces et autres dimensions du cadre social et naturel nécessaires à leur durabilité ; ces processus inspirent aux communautés vivantes un sentiment de continuité par rapport aux générations qui les ont précédées et revêtent une importance cruciale pour l’identité culturelle ainsi que la sauvegarde de la diversité culturelle et de la créativité de l’humanité» ((Pinna, G., «Le patrimoine immatériel et les musées», Les Nouvelles de l’ICOM, vol.56, n.º 4/2003, Paris, p:3).

  • 2001 Criação de Organismos Nacionais para a Protecção do Património Cultural Imaterial, adoptada na 161.ª Sessão do Conselho Executivo da UNESCO/ONU (Decisão 161 EX/3.4.3), em Maio-Junho de 2001.
  • 2001 Definição de Museu e de Profissionais de Museus, assim como a aprovação dos Código de Ética e do Código de Deontologia do Conselho Internacional de Museus (ICOM), ratificados na 20.ª Assembleia-geral do ICOM realizada em 6 de Julho de 2001, em Barcelona.
  • 2002 Declaração de Budapeste sobre o Património Mundial, UNESCO, 28 de Junho de 2002.
  • 2002 Carta de Xangai (Shangai Charter), sobre Museus, Património Intangível ou Imaterial e Globalização, 7.ª Assembleia Regional do ICOM para a Ásia e Pacífico (Workshop on Museums and Intangible Heritage - Asia Pacific Approaches), Shangai, China, 20-25 de Outubro de 2002.
  • 2003 Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, adoptada na 32.ª Conferência Geral da UNESCO, em Outubro de 2003.

La Convention retient du patrimoine culturel immatériel la définition suivante: les pratiques, représentations, expressions, connaissances, savoir-faire - ainsi que les instruments, objects, artefacts et espaces culturels qui leur sont associés - que les communautés, les groupes et, le cas échéant, les individus reconnaissent comme faisant partie de leur patrimoine culturel. Ce patrimoine culturel immatériel, transmis de génération en génération, est recréé en permanence par les communautés et groupes en fonction de leur milieu, de leur interaction avec la nature et de leur histoire, et leur procure un sentiment d’identité et de continuité, contribuant ainsi à promouvoir le respect de la diversité culturelle et de la créativité humaine», («L’UNESCO: le patrimoine culturel immatériel», Les Nouvelles de l’ICOM, vol.56, n.º 4/2003, Paris, p:4).

 

Tendo em consideração este percurso, poderíamos resumir os conteúdos da noção de desenvolvimento museal, desde o séc. XVI até à actualidade. Estará esta síntese correcta?:

 

                                                                                                                                  Ý

Museologia: novo ramo do saber aplicado?                                                                       séc. XXI

 

                Meio autónomo de comunicação?                                                                 

 

 


                PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE                                                                                   séc. XX

                                                                                                                                             (Declaração de Caracas,

                                                                                                                                            UNESCO, 1992)

                desenvolvimento

 

                identidade

 

 


          SERVIÇO EDUCATIVO E CULTURAL                                                                                     séc. XX

 

                interactividade

 

                “maqueta” e “modelo”

 

 


                DEMOCRATIZAÇÃO                                                                                                           séc. XIX

 

               

                reconstituição: “do verdadeiro e do falso”

 

                abertura do acesso ao público

 

               

PROFISSIONALIZAÇÃO                                                                                                     séc. XIX

 

“nascimento do museu”

 

classificação

 

acumulação

 

 


GABINETE DE CURIOSIDADES                                                                                        séc. XVI - XVIII

 

troféu, panóplia, relíquia.                                                                                                          

 

 

Estará esta síntese correcta?

O que lhe faltará para a podermos consensualizar?

Será assim que poderemos contribuir para fortalecer a Museologia?

Não começará esse trabalho por conseguirmos partilhar, de modo aberto e público, o seu conhecimento com todos?

 

Foi este — e não outro — o sentido e o objectivo daquela mensagem de 7 de Setembro de 2007.

 

10/09/2007

Pedro Manuel Cardoso

 


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