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Caras colegas,
Creio que a discussão, muito interessante e
importante que se está a travar, corre o risco de cair na discussão de termos.
No essencial, parece-me que a forma como a Isabel Victor coloca a questão é
correcta: trata-se de lideranças de contextos organizacionais, sendo certo que a
gestão pode ser entendida como isso mesmo (mas é um termo que assume uma
conotação salvífica que talvez seja melhor evitar). Preocupa-me a ideia de que
se irá resolver o problema da deficiente gestão dos museus e do património
cultural com meros cursos de agiornamento d eprocedimentos, quando o problema é
mais profundo: tem a ver com a definição de estratégias, em função de
objectivos. Qualquer organização precisa de definir a sua estratégia, da qual
decorrem objectivos calendarizados e ajustados aos recursos existentes e a
obter, articulado, então sim, num plano de gestão. Neste quadro, a qualidade (e
volto a concordar totalmente com a Isabel) é um desiderato que permite regular a
performance das organizações, cuja dinâmica será sempre tendente a afastar-se no
quotidiano de planos formais. E a qualidade é fundamental porque é um mecanismo
de controlo externo (a qualidade é algo que os outros dizem que nós temos, e não
algo que se auto-proclama). Ao ver anunciadas certas iniciativas que inicidem
sobretudo na vertente da gestão, e não da estratégia e da formação de
lideranças, temo que mais uma vez se vá gastar dinheiro de forma dispersiva (não
digo inútil, mas possivelmente pouco rentável). Autonomia, responsabilização,
prémio e sanção, definição de objectivos e de planos estruturados sobre a base
de recursos humanos técnicos e financeiros claros...tudo isto é gestão, mas é
sobretudo uma linha de rumo, que é o que mais falta faz em Portugal. Nenhuma
organização se consolida mudando de rumo a cada quatro anos, e em Portugal até
se muda de rumo em ciclos inferiores. Parece-me, em todo o caso, que a Maria e a
Isabel dizem no essencial o mesmo: é preciso outro quadro operacional. Como
sabem intervenho pouco (quase nada) nestas discussões, mas tenho acompanhado de
perto o debate no âmbito do HERITY, e creio que há hoje diversos instrumentos de
gestão (incluindo na questãod a qualidade, com o Herity) que se podem usar, mas
nenhum funcionará sem a definição de estratégias e a perseverança para a as
levar a cabo.
Desculpem esta intromissão de um interessado que lê
regularmente esta lista, ´mas apenas isso.
Luiz
Oosterbeek ----------------------------------------------------- Secretary-General UISPP
- International Union of Prehistoric and Protohistoric Sciences
Instituto Politécnico de Tomar Av. Dr. Cândido
Madureira 13 P - 2300 TOMAR tel. (+351) 249346363; fax. (+351)
249346366
------------------------------------------------------ Este email,
incluindo os seus anexos, dirige-se exclusivamente ao(s) destinatário(s)
indicado (s). Contém informação para um fim específico, com carácter
confidencial, ou reservado, protegido pela legislação adequada. Se recebeu este
email por engano, solicitamos o favor de comunicar tal facto, por reply, assim
como a eliminação imediata de toda a informação nele contida.
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, December 10, 2008 6:04
PM
Subject: Re: [Museum]FW: RE: Não. Não é
de "GESTORES" que os museus precisam ! O que faz falta é ...
----- Mensagem encaminhada de mariavlachou@sapo.pt -----
Data: Wed, 10 Dec 2008 17:15:07 +0000 De: Maria
Vlachou <mariavlachou@sapo.pt> Assunto:
Re: [Museum] FW: RE: Não. Não é de "GESTORES" que
os museus precisam ! O que faz falta é
... Para: Isabel Victor <isabelvictor150@hotmail.com>
Mais uma vez de acordo, mas acho que a questão da qualidade é apenas
uma parte da tarefa de gestão. Depende de todos e deve ser liderada por
um gestor. Para mim esta questão torna-se mais clara na área em que estou a
trabalhar agora, a das artes performativas. No nosso teatro temos dois líderes
com funções distintas: um director artístico, que decide a programação, e um
gestor que coordena as restantes áreas e é responsável pelo orçamento,
fundraising etc. Missão comum, objectivos distintos mas partilhados. Se
tentarmos transportar esta situação para um museu, talvez consigamos encontrar
um sentido, não? E tudo isso nada tem a ver com a questão da gestão
ser privada ou pública, da forma como parece que esta questão foi colocada
pelo IMC (de acordo com o artigo no Público). Público ou privado é uma
questão de definição do perfil da entidade. Na minha opinião,
isto nada tem a ver com a prática da gestão.
É bom ter começado
este debate!
Um abraço, Maria
Citando Isabel Victor
<isabelvictor150@hotmail.com>:
From: isabelvictor150@hotmail.com To: mariavlachou@sapo.pt Subject:
RE: [Museum] RE: Não. Não é de "GESTORES" que os museus precisam ! O que faz
falta é ... Date: Wed, 10 Dec 2008 16:11:22 +0000
Cara Maria
Vlachou Agradeço o pronto e atento comentário que me dirigiu.
Este tema inquieta-me porque penso que esta é realmente uma questão
primordial para os museus. Esta abordagem, tipo miragem, inquietou-me
muito. Poderíamos estar hoje num outro patamar em termos
organizacionais se tivesse havido investimento na formação de equipas na
area da Gestão da Qualidade em museus. Eu prefiro não falar em gestores
mas sim em lideranças ... parece-me uma categoria mais ajustada ao
fazer museológico e a que melhor serve os museus e os
cidadãos-clientes dos serviços por estes prestados. Na minha
perspectiva, o caracter processual da Museologia, implica equipas
interdisciplinares, parcerias assentes em projectos no
terreno e visíveis lideranças que nada têm a ver com
uma ideia redutora de Gestor, desfazada do sentido contemporâneo de
museu. O sistemas da Gestão da Qualidade apontam para processos de melhoria
contínua que promovem (acima de tudo) a satisfação das pessoas e a
valorização do conhecimento por elas gerado. Nos Museus, que usam este nome
com a responsabilidade social e inscrevem na sua missão a palavra INCLUSÃO,
faz todo o sentido não deixar ninguém de fora e trabalhar a
diversidade. Senão, que sentido faria existirem museus ? Temos exemplos
(maus exemplos, diga-se) deste tipo de in.digestões baseadas
em super gestores. Precisamos é de equipas multidisciplinares e de
lideranças responsáveis. Precisamos de uma revolução na
cultura. (Sugiro a criação de um grupo piloto transversal,
que inclua museus de diferentes escalas, vocações e tutelas, para
discussão deste tema, partindo do seguinte desafio: o que
é Qualidade em museus
? ) Abraço isabel
victor
Date: Wed, 10 Dec 2008 15:11:43 +0000 From:
mariavlachou@sapo.pt To: isabelvictor150@hotmail.com Subject: Re:
[Museum] RE: Não. Não é de "GESTORES" que os museus precisam ! O que faz
falta é ...
Cara Isabel,
Completamente de acordo com tudo
o que diz. No entanto, a quem é que cabe dirigir um processo desses? Não
será essa umas das funções do gestor?
Bjs Maria
Citando
Isabel Victor <isabelvictor150@hotmail.com>:
Quanto ao tema da Gestão em Museus, há muito que fazer e
reflectir. Espero que não se cai no mesmo erro que se está a cometer com
os professores. Parece que se está agora a acordar, de
repente, para Gestões e " Avaliações " indigestas. Como
sempre, atrasados relativamente ao que se vai fazendo pelo mundo fora,
fomos deixando para trás o investimento primordial e GRADUAL na
formação. Não é de gestores que os Museus precisam, mas sim
da implementação URGENTE de Sistemas de Gestão da
Qualidade. Sucessivos governos
portugueses desperdiçaram verbas e/ou ignoraram programas
europeus que visavam formar pessoas na area da Qualidade. Gastaram os
dinheiros públicos na sumptuosidade dos
edifícios (como é o caso do IPQ) e noutras derivas vistosas e
agora, por imperativos internacionais, temos que fazer tudo à pressa,
começando o edifício pelo telhado. Se já se tivesse formado toda uma
geração para uma outra CULTURA organizacional, socialmente responsável
e participativa tudo seria agora mais lógico e fácil de compreender.
Investir na melhoria contínua, na identificação dos processos, na
Gestão do Conhecimento, num melhor desempenho ambiental que inclui
naturalmente, a satisfação das pessoas como primado de
qualquer Sistema de Gestão Qualidade deveriam ser algo já
perfeitamente interiorizado na nossa sociedade. Dizer-se agora que os
Museus precisam de gestores sem se fazer todo este caminho parece-me uma
falácia. Existem estudos sobre este tema, aplicado ao caso dos museus,
algum pensamento produzido a nível nacional e internacional, porém muito
há a fazer. A reflexão que temos dedicado ao tema, em meio
académico, evidencia a imensas lacunas neste campo e a
necessidade URGENTE de estudar os museus enquanto organizações e o seu
impacto na sociedade, em termos de sustentabilidade e resultados para os
cidadãos, nem sempre traduzíveis em produtos e contabilidades de públicos,
mas em resultados socialmente úteis. Todo este processo exige formação de
equipas e intenso trabalho de parcerias a que se pode chegar através da
implementação de sistemas de Gestão da Qualidade em que participam
conscientemente todas as pessoas envolvidas. Em síntese, o que os museus
precisam é de se pensar em termos de organização, de caminhar no sentido
da Qualidade valorizando as pessoas e os processos de mudança. A
implementação de Sistemas da Gestão da Qualidade em museus, devidamente
assessorados e monitorizados é fundamental para o reconhecimento da
importantíssima função que os museus poderão assumir na sociedade em prol
do desenvolvimento e da inclusão. Isabel
Victor Centro de Estudos de Sociomuseologia
da Universidade Lusófona
From: misabel.luna@gmail.com To: museum@ci.uc.pt Date: Sat, 6
Dec 2008 01:57:40 +0000 Subject: [Museum] Pinto Ribeiro diz que os
museus precisam de gestores
Pinto
Ribeiro diz que os museus precisam de gestores
PÚBLICO
- 05.12.2008, Alexandra Prado Coelho
O
Ministério da Cultura está aberto à discussão de todo o tipo de modelos de
gestão dos museus nacionais - público, privado ou misto. "O importante
é que haja uma gestão competente e rigorosa", disse ontem ao PÚBLICO o
ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro.
"Muitas das
pessoas que gerem museus fazem-no a partir de uma formação de conteúdos e
não de gestão. Não aprenderam a gerir, mas isso é uma coisa que se
aprende. É preciso qualificar as pessoas para gerir". Para isso,
adiantou, o ministério estabeleceu um acordo com o Instituto Superior de
Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e vai indicar oito pessoas que
irão frequentar um curso de pós-graduação para gestão de equipamentos
culturais e criativos. "Vamos formar gestores."
O ministro reagia
assim ao desafio lançado pelo director do Instituto dos Museus e da
Conservação (IMC), Manuel Bairrão Oleiro, que, num texto na revista
Museologias.pt, lançado ontem no Museu do Teatro, em Lisboa, pede "uma
definição clara de qual o efectivo papel que o Estado pretende que os
museus públicos desempenhem". Definição que, diz Bairrão Oleiro,
citado pela Lusa, "terá que ser obrigatoriamente acompanhada das
condições mínimas para que o possam cumprir".
O director do IMC
apresenta três modelos de gestão para os museus: a privatização total,
mantendo-se as colecções como propriedade pública; a gestão totalmente
pública; ou um apoio continuado do Estado mas com uma gestão de acordo com
as regras privadas - hipótese que considera "mais
interessante".
Pinto Ribeiro defende que o Estado tem uma função de
serviço público e deve "manter, desenvolver e criar" equipamentos
culturais. Mas "com modelos económicos que permitam a sua
sustentação".
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