[Museum] Património judicial: o futuro do Tribunal da Boa Hora
Justiça: Transformar Tribunal da Boa-Hora em hotel de charme é uma
pouca-vergonha - Mário Soares
09 de Fevereiro de 2009, 21:25
Lisboa, 09 Fev (Lusa) - O ex-Presidente da República Mário Soares
considerou hoje "uma pouca-vergonha" a possível transformação das
instalações do Tribunal da Boa-Hora num hotel de charme.
"É uma pouca-vergonha. É preciso não deixar esquecer a memória
histórica", afirmou o antigo Presidente da República durante a sua
intervenção na Conferência "Boa-Hora - Um Tribunal com História",
promovida pela Associação dos Juízes Pela Cidadania, que decorreu hoje
na Sexta Vara do Tribunal da Boa-Hora.
Por sua vez, o juiz desembargador Rui Rangel acusou o Governo de
"falta de sensibilidade" ao querer afectar o Tribunal da Boa-Hora à
recuperação da zona ribeirinha de Lisboa.
"Desta sessão saiu um movimento em defesa do Tribunal da Boa-Hora, que
vamos agora concretizar para que, no fundo, seja um movimento
expressivo de denúncia deste enorme escândalo que é retirar da Justiça
este património valioso e decisivo", afirmou Rui Rangel.
Segundo o presidente da Associação, "a grande adesão" que se fez
sentir na sala onde decorria a iniciativa demonstra "que, de facto, as
pessoas estão preocupadas e querem preservar e ter carinho pela
memória".
"Esta insensibilidade de destruir tudo o que é memória é uma coisa
trágica", realçou Rui Rangel.
O edifício do Tribunal da Boa-Hora, um antigo convento na Rua Nova do
Almada, faz parte de um conjunto de edifícios que o Governo pretende
alienar, uma vez que vai concentrar no Parque das Nações as diversas
varas criminais que ali funcionam e 25 serviços do Ministério da
Justiça.
A transformação do edifício da Boa-Hora em hotel está prevista no
plano da Sociedade Frente Tejo para a frente ribeirinha.
Pelo edifício da Boa-Hora, que deverá ficar vago até final de Julho,
passaram julgamentos históricos como os realizados pelo Tribunal
Plenário durante o salazarismo.
NM.
Lusa/fim