DescobertasMuseu divide historiadorespor MARIA JOÃO CAETANO 2009-04-28 Ministro da Cultura está empenhado em criar um museu para as viagens e a globalização portuguesas. A opinião dos historiadores contactados pelo DN divide-se. "É praticamente impossível fazer um Museu das Descobertas", afirma peremptório Vasco Graça Moura, reagindo assim às declarações do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, que, este domingo, em Belmonte, referiu a urgência de criar em Portugal um grande "museu da viagem e da globalização portuguesa, explicativo daquilo que fizemos, como fizemos e do que ficou". Vasco Graça Moura, que entre 1988 e 1995 presidiu à Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, afirma: "Essa foi uma das ideias que nós tivemos na Comissão, mas percebemos que não seria possível porque não há com que o fazer. Os principais mapas e documentos não estão em Portugal. A alternativa seria ter cópias mas, isso não tem qualquer interesse. Ou então ir retirar as peças boas que têm os museus portugueses e esvaziá--los, o que também não me parece a melhor solução." O escritor não poupa as críticas a esta ideia e diz mesmo que anunciar um Museu das Descobertas "é um chavão" de quem não conhece "os problemas efectivos". Contactado pelo DN, o ministro da Cultura não quis adiantar pormenores sobre este projecto, no qual parece estar bastante empenhado. Das palavras do ministro deduz-se que, mais do que uma intenção, o projecto do museu poderá ser anunciado em breve. "Já não era sem tempo", comenta o historiador José Hermano Saraiva. "Há 20 anos que ando a defender a criação deste museu", diz, relembrando a importância dos Descobrimentos, não só para Portugal como para a história da civilização europeia. O historiador José Manuel Azevedo, especialista nos Descobrimentos, simpatiza com a ideia de criar um museu dedicado a esta época: "Durante um século, de 1419 a 1519 os portugueses foram os protagonistas. Fomos nós que abrimos as portas do mundo ao resto da Europa." O museu seria importante não só para que a História estivesse acessível a todos mas também para quem investiga - ali se poderiam "juntar muitos materiais que existem dispersos" por vários outros museus e arquivos. A questão do espólio não o preocupa. Se é verdade que muitos mapas se encontram no estrangeiro, existem, no entanto, reproduções fac-símile que, no seu entender, podem ser expostas sem qualquer prejuízo para os visitantes. Também o historiador António Borges Coelho considera que os Descobrimentos já merecem um museu. "É o período histórico em que Portugal marca a sua presença no mundo", diz. "Teria de ser um museu dedicado aos descobrimentos e aberto aos povos com os quais Portugal se relacionou." Mas a sua concretização terá que ser muito pensada, alerta. "O museu só poderá ser em Lisboa ou em Lagos. E sendo na capital, que é o mais natural, é preciso perceber do que é a cidade precisa para não entrar em conflito com outros museus que já existem", diz, referindo, por exemplo, o Museu da Marinha, o Museu de Etnografia e o Museu do Oriente. "Tem de ser um projecto global, que envolva a autarquia, especialistas em museologia e especialistas nesta época", avisa. "Havendo meios e uma comissão de especialistas que oriente o projecto, pode-se fazer um bom museu", afirma José Manuel Azevedo. "A ideia é boa, mas tudo depende da forma como for concretizada." http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1214285 |
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