
Recebidos
pelo secretário de Estado
Novo modelo de
gestão dos museus "é interessante", mas a situação é "de penúria" 
13.01.2010
- 15:12 Por Alexandra Prado Coelho
A direcção do ICOM-Portugal (Conselho Internacional de Museus) considera
?muito adequado e oportuno? que um novo modelo de gestão dos museus seja testado
no Museu de Arte Popular, que deverá reabrir este ano. Uma delegação daquele
organismo que foi recebida na segunda-feira pelo secretário de Estado da
Cultura, Elísio Summavielle, entende que houve ?espírito de diálogo e de
abertura? na conversa, que focou a necessidade de um tipo de gestão diferente,
com maior autonomia, nos museus que pertencem à rede nacional, explicou ao
PÚBLICO o presidente do ICOM-Portugal, Luís
Raposo.
No entanto, a mesma delegação
frisou que a introdução desse novo modelo não poderá acontecer se não houver uma
?reconsideração do financiamento e dos contratos de pessoal? dos museus, que se
encontram numa ?penúria total, próxima de níveis de indigência?. Dar aos museus
maior autonomia estratégica e financeira ?é uma intenção muito saudável?, mas
?não se lhes pode pedir que pesquem sem lhes dar uma cana?, diz Luís Raposo.
É também importante ?estudar as experiências noutros países? para
determinar quais os indicadores que devem ser usados. ?O número de visitantes é
um, mas está longe de ser o principal, há todo o trabalho de preservação e
estudo das colecções?.
Referindo-se às referências elogiosas que a
ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, fez recentemente ao Museu do Douro,
Luís Raposo lembrou contudo (como a própria ministra referiu na altura) que esse
museu recebe do ministério ?tanto quanto todos os outros museus [da rede
nacional] juntos?.
A delegação do ICOM considerou também muito positiva
a notícia de que o Ministério da Cultura vai reactivar o Conselho Nacional de
Cultura. ?Há dezenas de museus à espera de ingressar na rede portuguesa de
museus e que estão dependentes do parecer do Conselho para isso. E se não
fizerem parte da rede não podem, por exemplo, candidatar-se a fundos europeus?.
Na conversa com Summavielle, os representantes do ICOM manifestaram mais uma
vez o seu desacordo relativamente à construção do novo Museus dos Coches,
considerando que ?nada obriga a que as verbas disponíveis sejam utilizadas para
esse fim?, dado que o acordo financeiro prevê apenas ?a construção de um novo
museu?, não especificando qual.