[Museum] Reparação
Caro Pedro Manuel Cardoso, tenho que apresentar-lhe sinceramente as minhas desculpas pelo atentado que, por lapso, cometi contra o seu nome, indescupável, de resto, porque estávamos também a falar de identidade. Creia que foi o adiantado da hora que contribuíu para isso, embora não sirva de desculpa. Espero a sua compreensão.
E aproveito a ocasião para lhe fazer um apelo, um apelo à sua condição de antropólogo de rigorosa formação. Congratulo-me com o facto de a antropologia de superior craveira ser chamada a intervir nesse dramático problema que é a violência nas escolas, ou na Escola, para sermos mais abrangentemente lúcidos.
E compete à antropologia fazer reverter uma alegação perversa de senso comum, a de que a violência transmigra da sociedade para a escola. Um pedagogo ou um antropólogo têm que manifestar a sua apreensão face a este paradoxo. Seja, a Escola, ou o Sistema Educativo não encontra finalidade, ocorre, à deriva. Caso contrário a Escola seria nem mais do que tópico habilitado a realizar a prevenção da violência social. E não tenho qualquer dúvida de que nesta matéria estaremos também em convergência incondicional. E de que compreende em profundidade o suporte deste velho apelo.
Por isso lho dirijo, a si.
Um abraço.
Manuel
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Manuel de Castro Nunes