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[Museum] Repensar a Museologia e o Património?

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Repensar a Museologia e o Património?
From :   Pedro Manuel Cardoso <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Mon, 19 Nov 2012 22:55:08 +0000

 

De que modo afirmações do tipo das que Susanne Kuchler e Edward Felten fizeram ajudam a repensar a museologia e o património?

 

“The list, which in previous [art]Installations served as evidence of an ethnographic method which makes art of other people’s lives, emerges in Birthday Ceremony as the technique of situating the ethnographic. Etched into the glass of each cabinet, the list holds our attention and draws us further into the small world contained within. And suddenly, as if by chance, we see that what we thought was an artwork – designed as installation for and within the abstract context of the gallery environment – is in fact «the living person personified». As it finds its subject in objects turned art, ethnography may never be the same again.” (Susanne KUCHLER, 2000, “The Art of Ethnography: The case of Sophie Calle”, p.108)

 

“Basta encontrar um bom indexador e um bom sistema de busca para se obter um Arquivo de tudo. Se a isso se acrescentar boas ferramentas de análise de dados, então, a descrição do Real poderá ser manipulada. Está prestes o momento em que em vez de decidirmos o que deve ser arquivado poderemos arquivar tudo. O armazenamento infinito desafiará a noção de privacidade, e a própria consciência de si. O nosso rasto jamais desaparecerá. Tudo o que fizermos permanecerá visível para sempre. Será que precisaremos de um novo contrato social para gerirmos a memória e o património?” (Edward FELTEN, 2010, “The End” in Scientific American, ed. Brasil, número especial)

 

Perante evidências destas (umas do lado da reflexividade em ciências sociais, outras do lado da mudança tecnológica) que amiúde se multiplicam nos textos académicos, e na experiência de formação dos atuais museólogos/as, apetece perguntar se na prática (no terreno do trabalho quotidiano nos museus e no património) tudo ficará igual ao que era? Até que ponto esta nova consciência mais distanciada e reflexiva sobre a realidade museológica e patrimonial servirá também para repensar a própria Museologia e o Património?

 

Por exemplo: O que será «património» quando tudo estiver salvaguardado em bases de dados, e em bases genéticas que permitirão codificar qualquer materialidade proteica ou celular que se quiser? Terminará o «património», ou essa noção transformar-se-á noutra? Que responsabilidade desde já devem passar a ter os atuais museus, e a política de património de cada Cultura, de cada Comunidade, e de cada País? Que reforma é necessário fazer já hoje para acautelar esta mudança? Como será possível transformar esta mudança numa oportunidade de Desenvolvimento, entendido como o meio de qualificar as Pessoas e os Territórios? Estaremos preparados para esta reforma? Quando?

 

Pedro Manuel-Cardoso


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